
Por Juscelino Taketomi
A eleição proporcional no Amazonas terá uma disputa que vai muito além da votação individual dos candidatos. Para conquistar uma das 32 cadeiras em jogo, será preciso entender uma matemática que envolve votos válidos, desempenho dos partidos e federações, quociente eleitoral e distribuição das sobras.
Em 4 de outubro, estarão em disputa 24 vagas para deputado estadual e oito para deputado federal. A quantidade de cadeiras de cada legenda será calculada, evidentemente, a partir da votação obtida nas urnas.
O ponto de partida é o quociente eleitoral (QE), obtido pela divisão do total de votos válidos pelo número de vagas.
Na eleição para a ALEAM em 2022, foram registrados 1.972.089 votos válidos. Dividido pelas 24 cadeiras, o resultado foi de aproximadamente 82,2 mil votos.
Esse número não é uma meta individual para os candidatos e nem será necessariamente o mesmo em 2026. O quociente deste ano só será conhecido depois da totalização dos votos.
Se a votação válida repetir aproximadamente o patamar de 2022, as referências seriam conforme o seguinte quadro. ALEAM: 82,2 mil votos = 1 quociente eleitoral (QE), referência para a distribuição das cadeiras; 65,7 mil votos = 80% do QE, percentual usado na habilitação para as sobras; 16,4 mil votos = 20% do QE; votação nominal mínima prevista para candidato na etapa das sobras e 8,2 mil votos = 10% do QE, votação nominal mínima para ocupar vaga obtida pelo quociente partidário.
Depois do quociente eleitoral vem o quociente partidário, que considera a votação total de cada partido ou federação. É essa conta que define inicialmente o número de cadeiras de cada legenda.
As vagas que permanecem depois dessa primeira distribuição são destinadas pelas regras das sobras eleitorais, calculadas pelo sistema de maiores médias, conforme a legislação eleitoral vigente.
A força da legenda
É nessa etapa que a matemática pode mudar o desenho da eleição. Um candidato pode ter uma votação expressiva e não ser eleito se sua legenda não conquistar uma cadeira. Da mesma forma, um candidato com votação menor pode ocupar uma vaga obtida pelo partido ou federação, desde que cumpra os requisitos legais.
A eleição de 2022 na ALEAM ajuda a mostrar essa diferença. Roberto Cidade recebeu 105.510 votos e Joana Darc, 87.182, enquanto outros candidatos foram eleitos com votações bem menores.
Na disputa proporcional, portanto, não basta perguntar quantos votos cada candidato terá. É preciso saber também quantos votos seu partido ou federação conseguirá reunir.
Na disputa pela Câmara
A lógica será a mesma para as oito cadeiras do Amazonas na Câmara dos Deputados. Em 2022, o quociente eleitoral ficou próximo de 247 mil votos, considerando os dados daquele pleito. Se o total de votos válidos de 2026 ficar em patamar semelhante, essa será novamente uma referência, mas não uma previsão.
Um exemplo da eleição passada mostra como o sistema funciona. Amom Mandel foi eleito com 288.555 votos, enquanto um dos eleitos chegou à Câmara com 87.876 votos.
A diferença não representa uma falha na regra. O quociente eleitoral é utilizado para calcular as cadeiras destinadas às legendas. Depois, os candidatos ocupam essas vagas de acordo com a votação nominal e os critérios estabelecidos pela legislação.
Conta que começa nas urnas
Para 2026, a matemática pode ser resumida em uma sequência: Votos válidos → quociente eleitoral → votação dos partidos e federações → cadeiras → votação dos candidatos.
Por isso, a questão maior da eleição proporcional não será apenas quem terá mais votos individualmente. Será também quais partidos e federações conseguirão transformar seus votos em cadeiras.
A conta definitiva só será conhecida após a totalização dos votos. É dela que sairão os nomes dos 24 deputados estaduais e oito deputados federais que representarão o Amazonas a partir da próxima legislatura.










