
Por Juscelino Taketomi
A gravidade da crise ambiental que atinge o Amazonas encontrou um novo e estarrecedor patamar de descaso institucional. Em entrevista ao Jornal do Amazonas 1ª Edição (Rede Amazônica) nesta sexta-feira (9/10), o comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), coronel Orleilso Muniz, escancarou uma realidade absurda: o governo Lula recusou o envio de quatro aeronaves solicitadas pelo estado para o combate aos incêndios florestais.
O pedido, formalizado em setembro após uma negativa idêntica enfrentada em 2024, esbarrou na insensibilidade de Brasília.
O que se observa é um contraste revoltante: nem mesmo a proximidade e o calor do período eleitoral – momento em que a classe política costuma se desdobrar em promessas e gestos de suposta atenção popular – foram capazes de sensibilizar o governo central a garantir o suporte aéreo indispensável para proteger a Amazônia e suas comunidades.
A recusa federal impõe um fardo desproporcional à logística do estado. Como bem pontuou o coronel Orleilso Muniz, o apoio aéreo não é um luxo, mas uma exigência operacional intransponível diante das características geográficas do Amazonas. Em regiões de mata fechada e acesso terrestre extremamente limitado, os combatentes precisam percorrer longas distâncias a pé sob risco de vida, enquanto o fogo avança.
Apesar de o Governo do Amazonas ter expandido drasticamente a presença de quartéis no interior, saltando de 11 para mais de 25 municípios estruturados, e de ter agido rapidamente para contratar por conta própria uma aeronave que já opera no Distrito Industrial e em Iranduba, a ausência da União representa um enfraquecimento deliberado da capacidade de resposta integrada que a Amazônia exige.
Se a omissão de Brasília causa indignação, a postura de determinados setores da sociedade civil organizada beira a cumplicidade escancarada.
As Organizações Não Governamentais (ONGs) que historicamente se mobilizam aos gritos contra qualquer iniciativa de desenvolvimento na região – notadamente combatendo com unhas e dentes o asfaltamento do Trecho do Meio da BR-319, sob o pretexto cínico de que a estrada elevaria o nível de devastação ambiental -, optaram por um silêncio sepulcral e cúmplice.
Onde estão os manifestos inflamados, as notas de repúdio e as coletivas de imprensa internacionais quando o fogo realmente consome a floresta, a fauna e a qualidade de vida do povo amazonense?
Quando se trata de impedir o progresso, a integração regional e o direito de ir e vir da população do interior pela BR-319, o ativismo de gabinete grita alto.
Quando o Estado precisa de apoio urgente para debelar chamas reais e o Governo Federal vira as costas para o Amazonas, reina a conveniência do silêncio.
Esse duplo padrão revela que, para muitos falsos defensores da floresta, a preservação não passa de uma bandeira ideológica e política de conveniência. A Amazônia real, habitada por pessoas que sofrem com a fumaça e o fogo, parece importar muito menos do que a manutenção de narrativas corporativas e o boicote ao desenvolvimento logístico do estado.
A recusa de aeronaves pelo governo Lula, somada ao silêncio ensurdecedor das ONGs, expõe o Amazonas a uma vulnerabilidade inaceitável.
Proteger a floresta exige menos discursos vazios em gabinetes distantes e muito mais ação coordenada, respeito institucional e coragem para cobrar de quem tem o dever constitucional de ajudar, mas e optou por cruzar os braços.
Não sou bolsonarista nem lulista e odeio rótulos, mas rezo para o dia 25 de outubro chegar logo e ver a população amazonense dar o troco a Lula nas urnas.










