
No dia 24 de outubro de 2026, Manaus completa 357 anos consolidando uma trajetória inteiramente entrelaçada com as águas que banham a capital. No entanto, em uma manifestação enviada aos seus associados, o Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estado do Amazonas (Sindarma) escolheu ir além das homenagens festivas.
A entidade acendeu um sinal de alerta vermelho sobre a necessidade de investimentos na infraestrutura e na segurança do transporte pelos rios.
Como representante das principais empresas responsáveis pelo transporte de mercadorias e suprimentos que abastecem a cidade, o sindicato atua na movimentação de itens vitais que vão de comida básica e medicamentos até veículos de todos os tamanhos transportados por balsas. A entidade reforça que o aniversário do município é o momento exato para discutir e estruturar o amanhã da navegação na região com planejamento sério.
Omissão histórica do Estado
O vice presidente do Sindarma, Madison Nóbrega, ressalta que o abandono do setor por parte dos governantes é um problema antigo. Desde a criação da entidade em 1935, quando ainda era chamada de Syndicato Amazonense de Armadores de Navios, poucas obras de grande porte foram realizadas pelo poder público na orla e nas vias de navegação.
“Basicamente, desde aquela época, a cidade conta com o porto na região central e o da Manaus Moderna, que sempre funcionou de forma precária. Se não fossem os pioneiros do transporte, que tomaram a dianteira e investiram em terminais privados, hoje a cidade dificilmente teria condições de atender à demanda da população, inclusive em itens de primeira necessidade”, afirmou Madison Nóbrega.
Desafio das secas extremas
Outra pauta urgente colocada na mesa de debates para o futuro das águas envolve a gravidade das estiagens. A cada período de estiagem severa, a logística local é levada ao limite, ameaçando isolar a capital e interromper o envio de insumos para o Polo Industrial de Manaus (PIM), além de prejudicar o abastecimento de toda a população.
As empresas transportadoras reagiram aos desafios climáticos com planejamento operacional rigoroso, reorganização das rotas e aportes em novas tecnologias. Contudo, o esforço isolado das empresas privadas não sustenta a malha logística por muito tempo, exigindo que as autoridades assumam a responsabilidade que lhes cabe.
Pirataria na orla fluvial
Além dos sobressaltos provocados pelo clima, o ponto mais grave apontado pelo sindicato é a falta de segurança pública na orla da capital. Ação de grupos armados passou a vitimar comboios nas águas em frente à cidade, alcançando inclusive balsas e embarcações paradas nos portos.
“Cada vez mais, as quadrilhas estão atuando na orla da cidade, inclusive invadindo portos. Precisamos da união e da resposta integrada das forças de segurança para combater esse problema que afeta toda a sociedade, desde a área econômica e social até a ambiental”, alertou.
Infraestrutura para os rios
Para que Manaus não fique estagnada e continue competitiva nos anos que virão, o sindicato exige providências dos governantes. A reivindicação central é a criação de um programa contínuo de dragagem, somado à instalação de sinalização e balizamento eficiente nos pontos perigosos dos rios. A medida busca evitar que a cidade dependa de remédios improvisados no auge das crises hídricas.
“Celebrar Manaus é também planejar o seu amanhã. O setor de navegação está fazendo sua parte, modernizando a frota e combatendo as adversidades. No entanto, para que Manaus continue sendo um polo de desenvolvimento, precisamos de infraestrutura hidroviária adequada, segurança jurídica e física nos rios. A dragagem permanente e o policiamento ostensivo não são pleitos corporativos das empresas, são necessidades vitais para a sobrevivência e o futuro da cidade”, declarou Madison.
Celebrar o aniversário da cidade exige olhar para frente. O rio é a verdadeira rua do povo amazonense e o caminho por onde chega o pão de cada dia. Deixar as embarcações à mercê do mato, da lama nas secas ou da ação de criminosos é comprometer o próprio alimento na mesa e o trabalho da nossa gente.
Press Comunicação Estratégica










