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Professor Marcos Maurício aponta estradas como desafio decisivo para o próximo governo do Amazonas

A disputa pelo Governo do Amazonas entra em uma nova fase com Omar Aziz (PSD) e Professora Maria do Carmo (PL) confirmados no segundo turno das eleições de 2026. A votação está marcada para 25 de outubro e deverá colocar em evidência não apenas as diferenças políticas entre os dois candidatos, mas também problemas históricos de infraestrutura que afetam diretamente a população do interior.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 100% das urnas apuradas, Omar Aziz terminou o primeiro turno na liderança, com 40,63% dos votos válidos, enquanto Professora Maria do Carmo alcançou 24,490%. Os dois avançaram para a segunda turno da disputa depois de nenhum candidato atingir mais da metade dos votos válidos.

O resultado abre uma nova etapa da campanha e amplia a responsabilidade dos candidatos na apresentação de propostas para áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento do Estado.

Entre elas está a infraestrutura rodoviária, especialmente nas regiões onde as condições das estradas interferem no transporte de pessoas, mercadorias e serviços públicos.

Cobrança de compromisso com as estradas do Amazonas

Marcos Maurício – Foto: Divulgação

O engenheiro civil professor Marcos Maurício avalia que o resultado do primeiro turno deve servir de alerta aos candidatos que seguem na disputa. Para o professor, a situação da malha rodoviária estadual precisa ganhar espaço de destaque nos programas de governo e ocupar lugar central nos debates do segundo turno.

Na avaliação de Marcos Maurício, a administração de Wilson Lima deixou um passivo importante na infraestrutura rodoviária do Amazonas. O professor cita como exemplos problemas e dificuldades enfrentados em rodovias como a AM-352, entre Manaus e Novo Airão, a AM-454, entre Anori e Codajás, a AM-329, em Envira, a AM-363, na região da Várzea, a AM-254, em direção a Autazes, e a AM-364, conhecida como Ramal da Democracia, em Manicoré.

Ele também chama atenção para a AM-010, uma das principais ligações terrestres do Amazonas, cuja recuperação se tornou um dos assuntos acompanhados pela população e pelo setor produtivo.

Na avaliação do professor, os dois candidatos que avançaram ao segundo turno deveriam apresentar propostas claras, com prazos, fontes de recursos e metas para recuperação e manutenção das rodovias estaduais.

Obras avançaram, mas desafios permanecem

A situação da infraestrutura rodoviária, entretanto, exige uma análise que considere também os dados oficiais e os investimentos realizados nos últimos anos.

No caso da AM-010, o Governo do Amazonas informa que a primeira etapa da modernização da rodovia foi entregue com 142 quilômetros revitalizados entre o km 110 e o km 252, no trecho entre Rio Preto da Eva e Itacoatiara. A intervenção incluiu serviços de pavimentação, drenagem, sinalização e contenção de erosões.

O histórico de investimentos demonstra que houve intervenções em diferentes rodovias estaduais. Ao mesmo tempo, a dimensão territorial do Amazonas impõe um desafio permanente de conservação, recuperação e manutenção das estradas.

Esse é um dos pontos centrais que deverão ser discutidos no segundo turno. Para o eleitor do interior, uma estrada em boas condições não representa apenas mobilidade. Ela pode significar acesso mais rápido a hospitais, escolas, mercados consumidores, serviços públicos e oportunidades de trabalho.

Infraestrutura também envolve logística e desenvolvimento

A discussão sobre as estradas estaduais ocorre paralelamente aos investimentos federais na infraestrutura do Amazonas.

Em 2026, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) ampliou as ações na BR-319, com obras de recuperação, manutenção e melhorias em diferentes trechos. Em setembro, o Ministério dos Transportes informou que as intervenções no chamado Trecho do Meio abrangiam 120,5 quilômetros, com contrato de R$ 362 milhões. Os investimentos previstos nos quatro lotes chegam a R$ 1,36 bilhão.

Em abril, também foi liberada a nova ponte sobre o Rio Autaz Mirim, na BR-319, em Careiro da Várzea. A estrutura tem 245 metros de extensão e recebeu investimento de aproximadamente R$ 74,75 milhões.

Embora a BR-319 seja uma rodovia federal, sua situação demonstra como a logística terrestre interfere diretamente na economia amazonense. Para os municípios do interior, entretanto, são as rodovias estaduais que muitas vezes determinam a facilidade ou a dificuldade de acesso a mercados, serviços e outras regiões do Estado.

O que o eleitor deve cobrar no segundo turno

A infraestrutura rodoviária deverá ser observada pelos eleitores a partir de questões objetivas:

  • Quais rodovias serão consideradas prioritárias?
  • Quanto será investido anualmente na recuperação e manutenção da malha estadual?
  • Quais serão as fontes de financiamento?
  • Como será fiscalizada a qualidade das obras?
  • Quais serão os prazos para recuperação dos trechos considerados críticos?
  • Como integrar as estradas ao transporte fluvial e à logística da produção do interior?

Essas respostas podem ajudar a transformar a discussão sobre infraestrutura em uma agenda concreta de governo, evitando que o debate fique restrito a promessas genéricas durante a campanha.

Segundo turno amplia cobrança sobre os candidatos

A chegada de Omar Aziz e Professora Maria do Carmo ao segundo turno modifica o cenário eleitoral e concentra a disputa em duas candidaturas com propostas políticas distintas.

Omar Aziz é senador pelo Amazonas e já ocupou o cargo de governador. Professora Maria do Carmo disputa pela primeira vez o Governo do Estado. Segundo o TSE, as duas chapas apresentam também diferentes composições políticas e candidaturas à vice-governadoria.

Nesse novo momento da eleição, a população terá a oportunidade de comparar não apenas discursos, mas projetos, prioridades e capacidade de execução.

A infraestrutura rodoviária surge, nesse contexto, como uma das questões capazes de revelar a visão de cada candidatura sobre o futuro do Amazonas.

Uma escolha que vai além da disputa política

A avaliação do professor Marcos Maurício coloca em evidência uma questão que ultrapassa a disputa entre partidos e candidatos. Em um Estado de dimensões continentais, onde rios, estradas e grandes distâncias fazem parte da vida cotidiana, infraestrutura significa também integração territorial e desenvolvimento.

O desafio do próximo governador será transformar demandas antigas em políticas permanentes, com planejamento, fiscalização, recursos assegurados e manutenção contínua.

No dia 25 de outubro, os eleitores decidirão quem governará o Amazonas. Até lá, a expectativa é que Omar Aziz e Professora Maria do Carmo sejam cobrados a apresentar propostas capazes de responder a uma pergunta essencial para o futuro do Estado: como melhorar as estradas e transformar infraestrutura em desenvolvimento para quem vive tanto na capital quanto no interior?

A resposta, mais do que definir uma promessa de campanha, poderá ajudar o eleitor a compreender qual projeto de Estado cada candidato pretende colocar em prática.

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