
A determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que a Polícia Federal realize uma nova perícia minuciosa em celulares, computadores e documentos apreendidos na Operação Wi-Fi traz novos desdobramentos para a investigação sobre o suposto desvio de recursos públicos. O foco da apuração está na produção do filme “Dark Horse”, obra cinematográfica baseada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A medida do magistrado incluiu a retirada do sigilo do inquérito e o envio de todo o acervo bruto apreendido pela Polícia Civil de São Paulo para a sede da Polícia Federal, em Brasília. Os peritos federais analisam itens que já passaram por triagem prévia do Instituto de Criminalística paulista e examinam equipamentos que ainda não tinham sido periciados.
Foco nos equipamentos
Entre os dispositivos submetidos ao novo exame técnico está o telefone celular da empresária Karina Ferreira da Gama. A investigada é proprietária da produtora Go Up, responsável pela elaboração da obra audiovisual, e ocupa a presidência do Instituto Conhecer Brasil (ICB).
O instituto firmou um contrato de R$ 108 milhões anuais com a Prefeitura de São Paulo para a instalação e manutenção de pontos de acesso à internet gratuita em áreas periféricas da capital paulista. A suspeita central apurada pelas autoridades envolve a utilização da estrutura das entidades para o direcionamento indevido de verbas públicas em prol da cinebiografia.
Suspeitas de irregularidades
O relatório elaborado pela Polícia Civil paulista aponta indícios de confusão patrimonial entre as contas do Instituto Conhecer Brasil, da produtora de vídeo e de outras organizações vinculadas à empresária.
A investigação destaca pontos críticos referentes à celebração do contrato do programa “WiFi Livre SP”:
- Existência de pelo menos 20 irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas do Município de São Paulo.
- Escolha de uma organização social sem histórico de atuação prévia no mercado de telecomunicações.
- Discrepância de valores na comparação com a empresa pública municipal de tecnologia Prodam.
- Cobrança de R$ 1,8 mil por ponto de internet, montante substancialmente superior às taxas anteriores de R$ 230 para instalação e R$ 306 para manutenção mensal.
Diferença nas medições
Os levantamentos realizados pelos investigadores indicam discrepâncias na contagem dos pontos de internet efetivamente operacionais. O relatório aponta que 1,6 mil pontos funcionavam no final de outubro de 2024, registrando um ritmo de expansão reduzido após o período eleitoral, atingindo 3,2 mil unidades em junho de 2025, com 1,8 mil acessos pendentes de instalação.
Com base nas entregas constatadas, a estimativa do valor devido pelos serviços prestados seria de aproximadamente R$ 43 milhões. No entanto, o montante repassado pelos cofres públicos atingiu R$ 69 milhões, gerando um excedente de R$ 26 milhões classificado pelos analistas como pagamento por coberturas não executadas.
Frente de investigação no STF
Em outra vertente apuratória, a Polícia Federal conduz investigações relativas ao senador Flávio Bolsonaro. O inquérito foi autorizado pelo ministro André Mendonça a pedido da própria corporação policial.
As apurações buscam esclarecer a estrutura de financiamento do projeto cinematográfico “Dark Horse”, avaliando suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. A linha investigativa averigua transações financeiras e conexões com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master.










