
Por Nico Valente
A saída do prefeito de Novo Airão, Otávio Farias, do União Brasil, pode ser apenas o início de um movimento mais amplo de debandada de prefeitos do interior amazonense da legenda ligada ao ex-governador Wilson Lima.
Aliados do governo informam que o partido poderá perder outras lideranças municipais nas próximas semanas diante do assédio político que, segundo eles, vem sendo realizado por emissários do MDB e do PSD, legendas comandadas no Amazonas pelos senadores Eduardo Braga e Omar Aziz, respectivamente.
A estratégia teria como objetivo enfraquecer politicamente o atual governador tampão Roberto Cidade, que articula disputar a reeleição com o apoio de Wilson Lima e da estrutura do União Brasil no Estado.
Segundo interlocutores políticos, o episódio envolvendo Otávio Farias expôs fragilidades da articulação governista junto aos prefeitos do interior, historicamente sensíveis ao alinhamento político com quem demonstra maior capacidade de influência administrativa e eleitoral.
Duro recado
A carta de desfiliação enviada por Otávio Farias à executiva estadual do União Brasil foi interpretada como um duro recado ao comando partidário. No documento, o prefeito reclama da ausência de apoio político, institucional e de diálogo durante sua permanência na legenda.
O gesto ganhou repercussão porque Wilson Lima, presidente estadual do partido e principal liderança da sigla no Amazonas, permaneceu completamente indiferente ao caso, nada fazendo para evitar a saída do aliado.
A mesma leitura é feita em relação a Roberto Cidade que, embora esteja no exercício do governo e disponha da máquina estadual, também não conseguiu conter a defecção do prefeito de Novo Airão.
Nos bastidores é forte a percepção de que novas mudanças partidárias poderão ocorrer nos próximos dias, especialmente com a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Amazonas.
A programação da viagem presidencial poderá se estender por dois ou até três dias no Estado, incluindo uma possível visita de carro à BR-319, pauta considerada estratégica para prefeitos e lideranças do interior.
A presença de Lula ao lado de Omar Aziz e Eduardo Braga tende a ampliar ainda mais a pressão política sobre prefeitos atualmente vinculados ao União Brasil, sobretudo aqueles que reclamam de falta de espaço e interlocução dentro do grupo governista.
Transição de poder
Ao longo de décadas, a política amazonense tem registrado movimentos semelhantes em períodos de transição de poder. Prefeitos do interior costumam migrar para legendas alinhadas aos grupos que demonstram maior força política e capacidade de articulação junto ao Governo Federal e ao Congresso Nacional.
Nesse cenário, a saída de Otávio Farias é vista apenas como o primeiro sinal de um rearranjo político que pode atingir diretamente a base municipal do União Brasil no Amazonas.
Por seu turno, Braga e Omar aguardam que a agenda de Lula repercuta positivamente em favor de seus objetivos políticos imediatos que visam o enfraquecimento de Roberto Cidade no comando do Estado, deixando-o sem condições de competitividade para levar em frente sua pretensão de reeleição.
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal O Povo Amazonense.










