
Por Nico Valente (*)
A reta final da disputa pelas duas vagas do Amazonas no Senado ganhou um novo ingrediente político após manifestação do ex-deputado estadual Dermilson Chagas nas redes sociais.
Em uma análise sobre o cenário eleitoral, ele afirmou que a própria direita estaria contribuindo para a reeleição do senador Plínio Valério (PSDB), além de levantar a possibilidade de que o candidato ao Governo do Amazonas, Omar Aziz (PSD), também esteja trabalhando pelo segundo voto no tucano.
Segundo Dermilson, a divisão entre candidaturas identificadas com a direita teria provocado uma pulverização dos votos, abrindo espaço para que Plínio Valério ampliasse sua capacidade de buscar votos em diferentes segmentos do eleitorado.
“A direita está relegando Plínio Valério”, escreveu Dermilson, ao avaliar que o senador estaria se beneficiando da estratégia de buscar o segundo voto de eleitores ligados a outros candidatos.
Na avaliação publicada pelo ex-deputado, Plínio estaria herdando parte do segundo voto das bases de Wilson Lima e Capitão Alberto Neto, além de contar com apoios políticos externos à sua candidatura.
Dermilson lembrou que o senador tem o apoio da Prefeitura de Manaus e que o grupo político de David Almeida estaria contribuindo para esse movimento.
Foi nesse contexto que o ex-deputado levantou uma hipótese adicional. “Não duvide que Omar também trabalha o segundo voto para o Plínio”, escreveu.
Racha dentro do PL
A manifestação de Dermilson ocorre em meio a uma crise pública dentro do Partido Liberal (PL) do Amazonas provocada pela disputa pelo segundo voto ao Senado.
O episódio ganhou dimensão depois que o vereador Coronel Rosses (PL), coordenador regional da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro no Amazonas, declarou publicamente que destinaria seu segundo voto a Plínio Valério.
A manifestação provocou reação do deputado federal Capitão Alberto Neto, candidato oficial do PL ao Senado, que reforçou que a legenda possui apenas um candidato na disputa.
O embate também envolveu o Delegado Pablo, que criticou publicamente a posição de Rosses. O episódio passou a ser tratado na imprensa como um racha dentro do partido em um momento decisivo da eleição.
A dimensão da divisão é particularmente relevante porque a eleição para o Senado permite ao eleitor escolher dois candidatos. Com isso, a orientação sobre o chamado segundo voto ganhou peso estratégico na reta final da campanha.
Disputa pela segunda vaga
Pesquisas divulgadas nos últimos dias mostram uma disputa acirrada entre os candidatos que aparecem atrás de Eduardo Braga. Levantamento da Action divulgado em 28 de setembro registrou Alberto Neto com 8%, Plínio Valério com 7% e Wilson Lima com 6% na pesquisa espontânea. O estudo, porém, foi realizado entre 8 e 19 de setembro e, portanto, não captou os acontecimentos posteriores envolvendo o racha no PL.
Outro levantamento, do Ipen/G6, divulgado em 29 de setembro, apontou Eduardo Braga na liderança da média geral dos dois votos, com 28,5%, seguido por Alberto Neto, com 18%, Wilson Lima, com 16,3%, e Plínio Valério, com 13,8%. A pesquisa ouviu 1.200 eleitores entre 18 e 25 de setembro.
Os números ajudam a explicar por que o segundo voto se transformou em uma das principais frentes de disputa da campanha.
Nesse ambiente, a declaração de Rosses assumiu dimensão maior do que uma simples preferência individual. Como integrante do PL e coordenador regional da campanha de Flávio Bolsonaro, sua manifestação em favor de um candidato de outro partido provocou reação dentro da própria legenda e expôs divergências sobre a estratégia eleitoral da direita no Amazonas.
Para Dermilson Chagas, esse movimento pode acabar produzindo um efeito paradoxal: setores da direita, ao dividirem seus votos e abrirem espaço para alianças cruzadas, estariam contribuindo para fortalecer um candidato que não pertence ao campo partidário bolsonarista.
A eleição, portanto, chega aos últimos dias marcada não apenas pela disputa direta entre os candidatos, mas também pela batalha em torno do segundo voto, capaz de reorganizar alianças e expor divergências dentro dos próprios grupos políticos.










