Política Contradição milionária coloca em xeque a reconstrução da passarela na Torquato Tapajós

Contradição milionária coloca em xeque a reconstrução da passarela na Torquato Tapajós

Parlamentar no local da obra, na Avenida Torquato Tapajós - Foto: Kelvin Dinelli/Assessoria

A novela envolvendo a passarela da avenida Torquato Tapajós ganhou um capítulo que mistura cifras altas e explicações escassas. Após meses de espera e um acidente que destruiu a estrutura em 2024, a promessa de solução agora caminha sob a sombra de uma possível irregularidade grave.

O vereador Rodrigo Guedes (Progressistas) identificou indícios que sugerem um descompasso entre o que foi contratado pela Prefeitura de Manaus e o que realmente está acontecendo no canteiro de obras.

Dinheiro público e mão de obra municipal

O ponto central da denúncia envolve a contratação da empresa N.J. Construções, Navegação e Comércio. A prefeitura destinou R$ 7,5 milhões para que a companhia executasse a reconstrução da passarela. No entanto, ao fiscalizar o local quase um mês após o anúncio oficial das obras, o cenário encontrado foi bem diferente do esperado para um contrato desse valor.

Em vez de funcionários e máquinas da empresa vencedora da licitação, o que se viu na avenida foram cerca de 20 servidores da própria Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) trabalhando na área.

A situação levanta um questionamento inevitável sobre o destino do recurso milionário se quem está colocando a mão na massa é a equipe técnica da própria prefeitura.

Prazos e pressões políticas

A história da passarela é marcada por idas e vindas. Inicialmente, a gestão municipal alegou falta de recursos para a obra, postura que só mudou após intensa pressão popular e cobranças parlamentares.

O vice-prefeito e secretário de infraestrutura, Renato Junior, chegou a anunciar o início dos trabalhos para o dia 11 de fevereiro, mas o movimento efetivo só foi notado bem depois, por volta do dia 5 de março.

“Vão pagar um valor milionário para a empresa e quem está executando a obra é a Seminf? Vou cobrar explicações”, questionou Rodrigo Guedes ao classificar o episódio como uma “história totalmente enrolada”.

Investigação nos órgãos de controle

A fiscalização não deve parar na visita ao canteiro de obras. O caso já ultrapassou as discussões na Câmara Municipal de Manaus (CMM) e chegou ao Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) através de ofícios e requerimentos. A sociedade aguarda agora uma resposta clara da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) sobre a logística dessa operação.

Entenda os pontos principais

A reconstrução da passarela envolve detalhes que precisam ser esclarecidos para garantir a transparência no uso dos impostos.

  • Valor do contrato: a empresa N.J. Construções foi contratada por R$ 7,5 milhões para realizar o serviço.
  • Conflito de execução: relatos colhidos no local indicam que a própria equipe da Seminf é quem está executando os trabalhos.
  • Atraso no cronograma: quase um mês após o anúncio de início das obras, não havia indícios de atuação da empresa contratada.
  • Acionamento jurídico: o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) foi provocado a investigar a legalidade da contratação e da execução.

Fique por dentro

A segurança dos pedestres que precisam atravessar uma das avenidas mais movimentadas de Manaus não pode ser negligenciada. Enquanto a passarela não fica pronta, o risco de acidentes continua alto no trecho da Torquato Tapajós. A transparência na aplicação dos R$ 7,5 milhões é fundamental para que a obra não se torne apenas um símbolo de má gestão, mas sim um benefício real para a mobilidade urbana da nossa capital.

O acompanhamento dos órgãos de controle será decisivo para explicar por que servidores públicos estariam realizando um serviço que já foi pago a uma empresa privada.

ASCOM: Beatriz Araújo  

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