
A promessa de transformar a economia de base no Amazonas por meio do empreendedorismo e da chamada economia criativa ganha força no debate político local. O senador Omar Aziz (PSD), consolidado como pré-candidato ao Governo do Amazonas, recoloca em pauta propostas voltadas para a ampliação do acesso ao crédito, qualificação profissional e desburocratização de pequenos negócios. A estratégia faz parte das diretrizes do “Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas”.
A premissa do senador se apoia no peso que o setor de pequenos negócios carrega na economia local. Segundo o parlamentar, as microempresas e pequenos comércios sustentam bairros e comunidades inteiras.
“O pequeno empreendedor movimenta a economia dos bairros, gera emprego e cria oportunidades para milhares de famílias. O papel do governo é criar um ambiente favorável para quem quer produzir, oferecendo crédito, capacitação e apoio para que esses negócios cresçam e gerem mais renda para o Amazonas”, afirmou Omar Aziz durante encontro recente com trabalhadores autônomos.
Barreiras do mercado
Embora o fortalecimento da economia criativa e o estímulo a nichos como gastronomia, artesanato, tecnologia e turismo cultural sejam bem recebidos pelo mercado, o principal obstáculo enfrentado pela base produtiva do estado reside na prática do acesso ao capital.
Empreendedores do interior enfrentam desafios adicionais de logística e de conectividade que elevam o custo de operação e dificultam a regularização formal. Diante disso, analistas econômicos destacam que planos estratégicos precisam ir além das intenções políticas convencionais para propor mecanismos eficazes contra as seguintes barreiras estruturais:
- Inadimplência e restrições cadastrais: Grande parte dos pequenos produtores que operam na informalidade esbarra na rigidez analítica das instituições financeiras de fomento.
- Complexidade burocrática: A descentralização das agências de crédito ainda é insuficiente para atender à imensidão geográfica dos 62 municípios amazonenses de forma ágil.
- Sobrevivência pós-crédito: O aporte financeiro isolado, sem o devido acompanhamento de gestão administrativa e financeira de longo prazo, costuma resultar no fechamento precoce de novos postos de trabalho.
Resgate de modelos
Para exemplificar a viabilidade de suas propostas, Omar Aziz costuma evocar iniciativas adotadas durante sua passagem anterior pela chefia do Executivo estadual, quando geriu parcerias produtivas voltadas ao setor têxtil.
“Quando fui governador, implantamos um modelo em que a empresa responsável pelo fardamento fazia o corte das peças e distribuía o material para costureiras em diversos bairros de Manaus. O Estado financiava, por meio da Afeam (Agência de Fomento do Estado do Amazonas), máquinas de costura, e essas mulheres produziam as peças dentro de casa, muitas vezes envolvendo outras pessoas da comunidade. Era uma forma de gerar renda, especialmente para mães que precisavam conciliar o trabalho com os cuidados da família”, relembrou o senador.
O uso da Afeam como indutora do desenvolvimento de microeconomia foi um marco importante daquele período, contudo, o cenário econômico pós-pandemia exige abordagens renovadas. A inclusão da tecnologia, do comércio digital e de arranjos de logística sustentável tornaram-se fundamentais para que modelos descentralizados de produção consigam competir no mercado moderno.
Desafios de implementação
A viabilidade de um plano econômico baseado no fortalecimento de redes locais de produção depende, essencialmente, da articulação de parcerias entre o setor público, entidades acadêmicas e o setor privado. O estímulo à economia de baixo carbono e a valorização das cadeias de valor da floresta surgem como caminhos obrigatórios para o desenvolvimento sustentável.
De acordo com o pré-candidato, o foco governamental precisa estar no fomento contínuo dessas conexões produtivas.
“Quando o governo cria oportunidades para quem quer trabalhar, todos ganham. Cresce o pequeno negócio, aumenta a renda das famílias, movimenta o comércio e a economia do estado fica mais forte. É esse ambiente que queremos construir novamente no Amazonas”, concluiu Omar Aziz.
A efetividade prática destas propostas dependerá do real alinhamento entre as políticas de concessão de crédito, a infraestrutura disponível nos municípios do interior e a facilidade tributária real ofertada a quem decide abrir ou regularizar seu próprio negócio.
Fonte: ASCOM










