
A publicação da decisão final sobre a investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) trouxe um desfecho duplo para os exportadores nacionais. O órgão do governo norte-americano decidiu manter a subposição Harmonized Tariff Schedule of the United States (HTSUS) 6802.99.00 entre as exceções à nova tarifa adicional de 25%.
A medida protege diretamente os quartzitos do Brasil, principal item exportado pelo segmento para a nação norte-americana. Por outro lado, as vendas externas de mármores, granitos e ardósias continuam sob o impacto da sobretaxa, afetando de forma mais intensa as pequenas e médias empresas (PMEs) que atuam no mercado de pedras decorativas.
O resultado conclui um processo de investigação iniciado em julho de 2025. Em junho de 2026, após determinar que certas práticas comerciais brasileiras eram passíveis de sanções, o governo dos Estados Unidos (EUA) abriu consulta pública para avaliar as novas tarifas.
Durante esse período de discussões, a Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) enviou uma comissão técnica a Washington, D.C., para participar das audiências públicas realizadas nos dias 6 e 7 de julho, representada pelo vice-presidente Fábio Cruz. A entidade focou sua defesa na importância e na exclusividade das rochas do país.
A comitiva brasileira argumentou que os materiais nacionais possuem características únicas e que a aplicação das taxas elevaria significativamente os custos de habitação e construção civil em solo americano, prejudicando investimentos e empregos locais.
Defesa em Washington
A argumentação da Centrorochas recebeu o apoio de importantes entidades internacionais. O Natural Stone Institute (NSI), principal associação representativa do setor de pedras nos EUA, representado pelo diretor executivo Jim Hieb, além de diversos importadores norte-americanos de grande porte, reforçaram o coro contra o aumento tributário.
A versão final do relatório de investigação, divulgada em 15 de julho de 2026, registrou oficialmente essas contribuições técnicas. Os dados agora fazem parte do histórico comercial que baliza as relações de exportação entre os dois países.
“A decisão preserva uma parcela importante das exportações brasileiras de rochas naturais para os Estados Unidos, especialmente os quartzitos, mas mantém desafios relevantes para segmentos como mármores, granitos e ardósias. O principal resultado desse processo, no entanto, foi demonstrar que a competitividade internacional do setor depende de uma atuação institucional permanente. Não basta reagir quando surgem os desafios; é preciso estar presente nos espaços onde essas decisões são construídas. Ao longo dessa investigação, a Centrorochas apresentou tecnicamente a posição do setor brasileiro, consolidou o diálogo com autoridades, entidades e empresas americanas e fortaleceu uma interlocução que continuará sendo estratégica para as próximas agendas comerciais entre Brasil e Estados Unidos”, afirmou Fábio Cruz.
As novas tarifas adicionais entram em vigor em 22 de julho de 2026, incidindo sobre todos os produtos desembaraçados a partir dessa data.
Queda nas vendas
Os EUA mantêm a liderança isolada como o principal comprador de rochas brasileiras, representando 51,2% do total de exportações no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, o faturamento somou US$ 364,3 milhões, valor que indica uma retração de 14,4% em comparação ao mesmo período de 2025.
Essa oscilação negativa reflete fatores específicos de mercado:
- Houve retração nas aquisições de materiais manufaturados, que são mais sensíveis às mudanças tarifárias.
- O período de incertezas gerado pela própria investigação do governo norte-americano reduziu o ritmo dos negócios.
Em 2025, o mercado dos EUA absorveu US$ 795 milhões em rochas naturais vindas do Brasil, somando um total de 587 mil toneladas embarcadas. O setor agora projeta uma recuperação gradual do mercado à medida que as regras comerciais apresentem maior estabilidade para os planejamentos de longo prazo.
ASCOM: Karina Porto Firme










