Trocando em Miúdos TJAM deixa mandato de Adail Pinheiro por um fio

TJAM deixa mandato de Adail Pinheiro por um fio

O prefeito de Coari, Manoel Adail Amaral Pinheiro, acordou ontem com uma notícia capaz de fazer qualquer prefeito perder o sono: a Segunda Câmara Cível do TJAM decidiu pela perda da função pública no processo de improbidade administrativa que envolve contratação irregular de servidor.

O barulho aumenta porque Adail não é apenas prefeito. É também aliado político declarado de Omar Aziz na corrida pelo Governo do Amazonas.

A decisão, registre-se, ainda está sujeita à tramitação de recursos e não significa que o prefeito tenha de deixar imediatamente o cargo. Mas o recado do Tribunal foi daqueles que não precisam de megafone: o mandato ficou por um fio.

Além da perda da função pública, vieram suspensão dos direitos políticos por seis anos, ressarcimento de R$ 6,7 mil ao município, multa civil de duas vezes o dano e proibição de contratar com o Poder Público por cinco anos.

Mais barulho no corredor

Segundo o próprio TJAM, existem pelo menos dez ações de improbidade por contratações semelhantes no mesmo período da gestão Adail. Não quer dizer condenação automática nos demais processos, evidentemente. Cada ação tem sua própria história.

No entanto, a fotografia é muito ruidosa.

David quer juntar a turma

David Almeida – Foto: Reprodução/ Youtube

David Almeida apresentou, na campanha para o Governo do Amazonas, uma proposta que, em Brasília, talvez pareça simples. Em Manaus, porém, pode ser quase revolucionária: juntar os políticos em torno da BR-319.

O ex-prefeito promete, se eleito, articular deputados estaduais, deputados federais e senadores para destinar parte das emendas à pavimentação dos cerca de 400 quilômetros que ainda precisam de obras, segundo sua estimativa.

A receita de David: 20% das emendas dos deputados estaduais e federais durante dois anos, mais percentual equivalente das emendas de bancada dos senadores, com recursos estaduais entrando como complemento.

E o candidato já encontrou o culpado político pela demora, ao menos na sua avaliação: o excesso de protagonismo individual.

Dividir o holofote midiático

David Almeida quer acabar com a velha política de “muita estrela no palco, pouca gente carregando o piano”. Ele quer juntar a turma e dividir o holofote.

A proposta coloca novamente a estrada no centro da atual campanha eleitoral.

A conta da ponte chegou

A ponte do Curuçá caiu em 2022. Cinco pessoas morreram, 14 ficaram feridas e milhares de amazonenses enfrentaram as consequências do desastre.

Agora chegou a conta judicial. O MPF ajuizou ação civil pública cobrando R$ 153,9 milhões do DNIT e de empresas contratadas, apontando possíveis falhas de fiscalização, manutenção, conservação e gestão de riscos.

A conta inclui R$ 53,9 milhões em danos materiais e mais R$ 100 milhões em pedidos de indenização por danos sociais e morais coletivos.

100 mil pessoas isoladas

Segundo o MPF, o desabamento da ponte provocou isolamento, desabastecimento, problemas no transporte escolar e dificuldades de acesso à saúde para uma população estimada em cerca de 100 mil pessoas.

É dinheiro demais para ser tratado como rodapé de uma história que começou com uma ponte no chão. A ponte caiu em 2022, foi reconstruída, mas a conta ainda está atravessando o rio.

Agora caberá à Justiça decidir quem deve pagar e quanto. Até lá, ninguém deve ser tratado como culpado antes do julgamento.

Largou na frente, mas não abriu

O senador Omar Aziz largou na frente na corrida pelo Governo do Amazonas, mas a pesquisa Real Time Big Data trouxe um daqueles resultados que fazem marqueteiro perder o sono e candidato olhar duas vezes para a calculadora.

Omar aparece com 34% no primeiro turno, à frente de Roberto Cidade, com 22%, e Maria do Carmo, com 21%. Até aí, liderança confortável.

O problema começa quando a corrida muda de pista. No segundo turno contra Maria do Carmo, Omar aparece com 42%, enquanto a candidata do PL chega a 43%. Diferença de um ponto, portanto empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

Trocando em miúdos o senador lidera a largada, mas ainda não comprou passagem para a chegada. E tem mais. Contra Roberto Cidade, Omar marca 42% e Cidade, 41%. Outro empate técnico.

Como diz o bom português de botequim: ninguém está autorizado a soltar rojão ainda.

Pesquisas fazem barulho

A eleição para o Governo do Amazonas ganhou um ingrediente que todo pleito adora: pesquisas que contam histórias diferentes.

Na Quaest, divulgada um dia antes, Omar Aziz aparecia com 26%. Na Real Time Big Data, saltou para 34%. Roberto Cidade foi de 18% para 22%. Maria do Carmo, de 16% para 21%. David Almeida, de 15% para 14%.

O resultado é uma diferença nada desprezível entre os dois retratos. Mas há uma informação talvez mais importante do que a dança dos números. Na pesquisa espontânea da Real Time, quando os entrevistados não recebem a lista de candidatos, Omar tem 14%, Cidade e Maria do Carmo aparecem com 8% cada e David com 4%.

Nada menos que 53% não souberam ou não responderam. Aí está o barulho. Se mais da metade ainda não consegue apontar espontaneamente um candidato, a eleição está longe de ter dono.

R$ 1,46 bilhão no freezer

A Justiça Federal resolveu apertar o botão de pausa no empréstimo de R$ 1,462 bilhão que o Governo do Amazonas pretende contratar junto ao Banco do Brasil.

A operação está suspensa por decisão da 3ª Vara Federal Cível, que quer primeiro ouvir os envolvidos sobre a contratação, a destinação dos recursos e as condições financeiras do negócio.

E tem número que faz qualquer calculadora pedir água: considerando as condições previstas, a operação poderá custar cerca de R$ 2,6 bilhões ao longo de dez anos, segundo os documentos analisados na ação.

A Justiça deu 72 horas para os envolvidos prestarem esclarecimentos. E establishedeu multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento.

A decisão é cautelar e não declarou a operação ilegal. O empréstimo não foi cancelado. Está apenas no freezer judicial, esperando explicações.

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