
O prefeito de Manaus, Renato Júnior, resolveu comprar uma briga jurídica contra a redução da fatia de ICMS da capital e, pelo discurso, não pretende assistir de camarote enquanto a conta chega aos cofres municipais.
A mudança que elevou a participação de Coari para 5,81% no rateio significa, proporcionalmente, menos dinheiro para os outros 61 municípios. E Renato tratou de fazer a conta política, se um ganha mais, os outros acabam ganhando menos.
O prefeito garante que não quer tirar nada de Coari. Quer apenas evitar que Manaus perca recursos. É a velha matemática amazônica, ninguém quer o dinheiro do vizinho, mas também não está disposto a entregar o próprio.
Justiça e diálogo com governo
Renato afirma que a Prefeitura de Manaus já acionou a Justiça e aproveitou para cobrar diálogo do Governo do Amazonas. Segundo ele, faltou “pulso administrativo” para reunir os prefeitos e discutir o problema antes que a disputa virasse processo judicial.
No fim das contas, Renato decidiu transformar o ICMS em causa própria ou, como prefere apresentar, em causa de todas as prefeituras que ficaram com a parte menor do bolo.
Manaus não pode ficar a reboque

O prefeito Renato argumenta que Manaus recebe diariamente moradores do interior em busca de saúde, serviços públicos, emprego e oportunidades. Se a capital funciona como uma espécie de central de atendimento do Amazonas, não seria razoável reduzir justamente os recursos que ajudam a manter essa estrutura.
A bronca ficou maior porque, segundo Renato, o Governo do Estado poderia ter chamado as 62 prefeituras para conversar antes da mudança. Não chamou, pelo menos é o que reclama o prefeito.
Filiação no modo “duas telas abertas”

Em Manaus, o sistema eleitoral resolveu entrar na disputa política e, aparentemente, ainda não decidiu de que lado está.
O deputado Carlinhos Bessa pediu ao Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) para corrigir um registro que continua mantendo seu nome na direção da Federação Brasil da Esperança, enquanto outro sistema já o aponta como filiado ao União Brasil.
A Justiça, por enquanto, preferiu não apertar o botão “corrigir” com tanta pressa. A relatora Maria Auxiliadora dos Santos Benigno negou a tutela de urgência e determinou que a área responsável pelos registros explique o que aconteceu.
Enquanto isso, Bessa fica diante de uma situação curiosa, politicamente, já teria mudado de endereço, mas, eletronicamente, ainda mora na antiga legenda.
Brasília amarela de volta à estrada

Wilson Lima entrou na corrida pelo Senado e, pelo visto, também entrou na máquina do tempo da propaganda eleitoral.
O ex-governador apareceu em uma Brasília amarela para falar de demandas dos amazonenses e, imediatamente, internautas fizeram a associação com a campanha de Tiririca em 2014, quando o então candidato também usou o velho carro para brincar com a palavra “Brasília”.
A inspiração foi percebida em segundos. A internet, como de costume, não perdeu tempo e nem a oportunidade de transformar a comparação em munição.
Vieram comentários comparando Wilson a Tiririca e até uma provocação pesada envolvendo a gestão do ex-governador.
A ressurreição do modelo

A questão é que Tiririca já tinha patentado informalmente a fórmula da Brasília amarela com campanha eleitoral e piada pronta. Wilson Lima apenas resolveu ressuscitar o modelo.
Agora resta saber se a Brasília vai levar o ex-governador até o Senado ou se vai ficar parada no acostamento da campanha.
El Niño chega com força

Se o calor de Manaus já parecia empenhado em testar os limites da humanidade, o El Niño resolveu participar da brincadeira.
As projeções apontam para chuvas abaixo da média em parte da Região Norte e temperaturas acima do normal. Para o Amazonas, a combinação acende um alerta particularmente incômodo, com menos chuva, mais calor, rios baixando e maior risco de queimadas.
Segundo o pesquisador e meteorologista Renato Sena, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), o cenário de 2026 preocupa porque o aquecimento do Pacífico altera a circulação atmosférica e dificulta a formação de nuvens sobre a Amazônia.
O Amazonas ainda carrega na memória a seca histórica de 2023, quando rios chegaram a níveis críticos e comunidades ficaram isoladas.
Rios em baixa, calor e queimadas
O Amazonas pode estar diante de uma combinação perigosa de El Niño forte, temperaturas elevadas, redução das chuvas e rios descendo mais rapidamente do que o esperado.
O pesquisador Renato Sena resumiu o cenário sem muita maquiagem, afirmando que a perspectiva é “verdadeiramente ruim”.
E não é apenas uma questão de calor desconfortável em Manaus. Com o solo mais seco e a vegetação perdendo umidade, cresce também o risco de incêndios florestais.
Para as comunidades ribeirinhas, a preocupação é ainda mais concreta. A vazante pode dificultar a navegação e comprometer o transporte de alimentos, medicamentos, combustíveis e outros produtos essenciais.
Depois de 2023, ninguém deveria precisar de outro lembrete de que seca na Amazônia não é apenas assunto de meteorologista. É problema de transporte, abastecimento, economia, saúde e sobrevivência para milhares de pessoas.










