
A promessa de transformar trechos degradados do Centro Histórico de Manaus em espaços funcionais de turismo e lazer ganha um novo capítulo no projeto da rua Ferreira Pena. A proposta de criar o primeiro boulevard gastronômico da área urbana avançou nesta terça-feira, 11 de agosto, com reuniões de alinhamento técnico conduzidas pela Prefeitura de Manaus, por meio do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb).
O encontro reuniu diretores e técnicos da concessionária Âmbar Energia e de operadoras de telecomunicações para organizar o enterramento das fiações aéreas. A medida põe em teste a capacidade do poder público de executar obras complexas dentro do prazo e sem os atropelos habituais que castigam o comércio local.
Cronograma e integração de redes
As intervenções no trecho de 190 metros entre as ruas 10 de Julho e Ramos Ferreira têm início previsto para o dia 15 de agosto, com meta de entrega em três meses, alcançando o mês de novembro.
O anúncio feito pelo prefeito Renato Junior exige coordenação rigorosa entre as empresas prestadoras de serviço.
Para evitar rasgo contínuo de asfalto e paralisações desordenadas, os técnicos atuam com um mapa unificado que reúne redes de esgoto, abastecimento de água, drenagem, energia e internet.
A organização prévia tenta mitigar o impacto no trânsito local e evitar o desencontro de obras, problema crônico em reformas de infraestrutura na capital amazonense.
Fiação subterrânea e segurança
A retirada dos cabos aéreos é apontada pela administração municipal como o ponto central da readequação estética e operacional da via. O diretor-presidente do Implurb, Antonio Peixoto, defende que a mudança estrutural traz ganhos em várias frentes.
“Acabamos de ter uma reunião entre o Implurb, a Âmbar Energia e as operadoras de telefonia celular, onde fizemos o alinhamento do início da obra. Essa reunião é muito importante para que a gente tenha um cronograma das operadoras sem atrasos, uma rede enterrada de energia muito mais segura e também de telefonia. Isso evita furtos, acidentes e traz mais segurança para os moradores, comerciantes, pedestres, para o turista e para todos que transitam naquela área. Vamos ter um visual limpo, sem aqueles cabos aéreos aparentes, e logo teremos a Ferreira Pena revitalizada”, destacou Antonio Peixoto.
Do ponto de vista técnico, a rede subterrânea busca mitigar falhas no abastecimento elétrico e coibir o furto de fiação, problema recorrente na área central. O coordenador operacional da Âmbar Energia, Wagner Ferreira, explicou como funcionará o arranjo técnico do sistema.
“O alinhamento da Âmbar é para definir como ficará a disposição dos cabos, a alimentação, a parte de média tensão, baixa tensão, a alimentação das unidades consumidoras e também a disposição das redes das empresas de telecomunicação. É uma parte importante do projeto e, apesar de poder gerar algum transtorno durante a obra, vai trazer um conforto futuro muito grande”, explicou Wagner Ferreira.
Wagner detalhou ainda que a nova malha elétrica contará com redundância operacional para reforçar a estabilidade da distribuição.
“Vamos evitar a questão de furto de cabos e a intervenção de terceiros, trazendo mais segurança e confiabilidade para o sistema. É um projeto para melhorar a qualidade da energia, o atendimento e evitar interrupções”, acrescentou Wagner Ferreira.
Mudanças estruturais do projeto
Integrada ao programa “Nosso Centro”, a intervenção na rua Ferreira Pena busca converter o espaço em polo de convivência, alta gastronomia e eventos culturais. O projeto aprovado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) prevê mudanças definitivas na mobilidade da região.
- Substituição do piso asfáltico tradicional por blocos de concreto intertravados.
- Construção de novas calçadas com pedra quartzito natural antiderrapante.
- Implantação de recursos de acessibilidade, paisagismo, mobiliário urbano e iluminação cênica.
- Preservação das árvores antigas existentes no trecho e reordenação da iluminação pública.
- Fechamento permanente ao tráfego de veículos para criar um boulevard exclusivo de pedestres.
A busca pelo resgate do Centro
A criação de um espaço exclusivo para caminhada e instalação de mesas e cadeiras para restaurantes espelha modelos adotados em outras capitais para atrair investidores privados e reabilitar imóveis históricos abandonados.
A efetividade do investimento público, porém, dependerá da manutenção contínua, da gestão da segurança na região e do cumprimento rigoroso do prazo estabelecido para o encerramento dos trabalhos em novembro.
Fonte: ASCOM | Cláudia do Valle/ Implurb










