Presidente Figueiredo Amazonas entra no mapa dos cafés especiais com conquista de produtora rural...

Amazonas entra no mapa dos cafés especiais com conquista de produtora rural de Presidente Figueiredo

Produtora rural Rosileda Carvalho de Sales – Foto: Divulgação

A consolidação de novas fronteiras agrícolas na Amazônia mostra que o desenvolvimento regional passa, obrigatoriamente, pela tecnologia e pela valorização de quem produz no campo. Durante muito tempo, a cafeicultura de alta qualidade esteve associada exclusivamente aos estados do Sul e do Sudoeste do Brasil.

No entanto, a trajetória da produtora rural Rosileda Carvalho de Sales, no Sítio Costa Reis, em Presidente Figueiredo, quebra esse paradigma ao avançar para a segunda fase do concurso “Florada Premiada 2026”, promovido pelo Grupo 3 Corações. A conquista evidencia como o acesso ao conhecimento técnico transforma lavouras e abre portas para o mercado consumidor de grãos especiais.

Avanço na cafeicultura

A conquista de Rosileda ocorre na categoria Canéforas, modalidade destinada à avaliação e premiação de cafés 100% da espécie Coffea canephora, abrangendo variedades como conilon e robusta, cultivados exclusivamente por mulheres. O resultado é fruto de um trabalho de dez meses realizado em parceria com o técnico de campo André Castilhos, do programa Assistência Técnica e Gerencial (ATEG), mantido pelo Senar Amazonas.

O acompanhamento profissional permitiu superar gargalos históricos da propriedade no interior do estado, refinando processos que vão desde o plantio até a fase final de preparação dos grãos.

Manejando com precisão

A evolução da propriedade resultou da adoção de práticas adequadas de cultivo e gestão. As orientações técnicas focaram em etapas decisivas para a qualidade do produto final:

  • Manejo nutricional da lavoura e adubação correta.
  • Controle de pragas e combate a doenças agrícolas.
  • Colheita seletiva e técnicas de secagem dos grãos.
  • Beneficiamento do produto e gestão da propriedade.

Mesmo com a lavoura em processo de consolidação, o domínio das etapas de pós-colheita garantiu uma produção aproximada de 408 quilos de café de alta qualidade. Atualmente, o Sítio Costa Reis reúne mil plantas produtivas, com estimativa de colher 20 sacas na safra de 2026.

A autonomia da produtora avançou ainda mais com a doação de um torrador de café pela instituição Cáritas, permitindo a comercialização direta do produto torrado e aumentando a margem econômica da família com cafés especiais e finos.

Transformação no campo

O impacto da capacitação reflete diretamente na economia das famílias rurais. Ao analisar a evolução da produtora, o presidente do Senar Amazonas destacou que:

“A assistência técnica e gerencial contribuiu diretamente para o fortalecimento da gestão da propriedade, aumento da rentabilidade, valorização da produção e consolidação da cafeicultura como principal fonte de renda da família”, afirmou Muni Lourenço.

A dimensão educativa do processo também foi ressaltada pela liderança da entidade.

“Por meio da ATeG, o Senar Amazonas proporciona aos produtores não apenas orientação, mas conhecimento para que eles desenvolvam novas competências e aprimorem seus processos. A evolução da produtora Rosileda demonstra, na prática, como esse aprendizado pode fortalecer a atividade rural”, destacou a superintendente do Senar Amazonas, Jeyn’s Alves.

Palco da premiação

Criado em 2018, o concurso “Florada Premiada” se consolidou como uma das principais vitrines da cafeicultura feminina no país, somando mais de 7 mil inscrições ao longo de suas edições e movimentando mais de 330 toneladas de microlotes personalizados através da linha comercial “Florada”.

A competição encontra-se na fase de recepção das amostras para a avaliação técnica final. A divulgação das vencedoras e a cerimônia oficial de premiação ocorrerão durante a Semana Internacional do Café (SIC), programada para os dias 11 a 13 de novembro, em Belo Horizonte, Minas Gerais. As primeiras colocadas disputarão prêmios em dinheiro entre R$ 10.000 e R$ 25.000, além de incentivos comerciais e uma missão técnica destinada à campeã.

A trajetória de Rosileda reforça que o setor primário amazonense possui viabilidade econômica e vocação para a excelência quando conta com assistência contínua, provando que a produção sustentável na Amazônia pode figurar entre as melhores do país.

Fonte: ASCOM | Annyelle Bezerra/ Sistema FAEA Senar

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