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Rony da Pesca quer transformar demandas de pescadores e produtores em propostas na Aleam

Candidato pelo AGIR, Ronildo Palmere, o Rony da Pesca – Foto: Divulgação

Da vida na roça e do trabalho diário nas águas amazonenses surge a candidatura de Ronildo Palmere, conhecido popularmente como “Rony da Pesca” (36567). Nascido no interior do município de Itacoatiara e pertencente à etnia indígena Paumari, ele disputa uma cadeira de deputado estadual pelo Partido Agir (AGIR). Sua trajetória combina quase três décadas de vivência prática no setor primário com a liderança do movimento sindical extrativista no estado.

Com 27 anos de experiência profissional como pescador e produtor rural, Rony construiu sua caminhada pública ligada à organização da categoria. Ele foi fundador e presidente do Sindicato dos Pescadores (SINDPESCA), estrutura que auxiliou a articulação de outros sindicatos do setor no Amazonas. Essa atuação abriu espaço para sua participação na Secretaria Nacional da Pesca da Central dos Sindicatos do Brasil (CSB) e na gestão da Cooperativa de Pesca e Aquicultura do Amazonas (COOAFAM), expandindo sua pauta para a produção, comercialização e organização dos trabalhadores das águas.

Origem e trajetória

A proposta política apresentada busca transitar da vivência comunitária para a formulação de leis na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALEAM). Embora traga no próprio nome a marca da atividade pesqueira, a candidatura pretende abranger agricultores, produtores rurais, trabalhadores autônomos e famílias que dependem do manejo dos recursos naturais na Amazônia.

Entre as principais bandeiras está a criação de um cadastro permanente dos trabalhadores da agricultura e da pesca. O instrumento visa manter dados atualizados sobre quem depende diretamente dessas atividades, servindo de base para políticas públicas preventivas em episódios de cheia e estiagem, fenômenos climáticos severos que causam prejuízos frequentes às populações do interior.

Cadastro e proteção

As perdas provocadas pelas oscilações dos rios motivam propostas de amparo financeiro direto para quem perde a produção agrícola ou o material de pesca. O plano prevê a criação de auxílios emergenciais durante as grandes cheias, acompanhados por programas de recuperação econômica para o período posterior às crises ambientais.

Medidas defendidas para o fortalecimento do setor primário:

  • Implementação de linhas de crédito com menor burocracia para pequenos produtores e famílias desprovidas de reserva financeira.
  • Mecanismos de socorro rápido em situações de calamidade e eventos climáticos extremos.
  • Garantia de condições para que o produtor rural consiga retomar a produção sem endividamento excessivo.

Burocracia no Seguro Defeso

Outro gargalo histórico abordado diz respeito ao acesso ao Seguro Defeso. Anualmente, milhares de pescadores do Amazonas enfrentam dificuldades cadastrais em plataformas digitais para comprovar o exercício da profissão no período de defeso das espécies.

A crítica recai sobre as exigências documentais e tecnológicas impostas por órgãos como o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), bancos e o Ministério do Trabalho e Renda. Exigir estrutura digital e procedimentos típicos de grandes centros urbanos de quem habita áreas distantes na floresta gera entraves graves. O candidato defende a simplificação dessas exigências, ajustando as regras à realidade logística dos rios amazonenses para impedir que o pescador fique sem renda no período em que a atividade está proibida.

Presença no interior

A plataforma eleitoral propõe aproximar o Poder Legislativo dos moradores que residem longe da capital Manaus. A ideia de criar um gabinete itinerante visa levar a estrutura parlamentar até os municípios polos e comunidades ribeirinhas, discutindo presencialmente temas como assistência técnica, transporte, comercialização, documentação e proteção social.

Ao utilizar a própria história de vida como credencial política, o candidato do AGIR aposta na identificação com as bases do interior. A resposta das urnas na eleição definirá se a bagagem acumulada no campo, na pesca e na representação sindical será suficiente para converter as demandas das comunidades ribeirinhas em representação efetiva no Parlamento estadual.

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