Cultura ‘Erenilda’ estreia em Manaus antes de seguir para circuito internacional na Argentina

‘Erenilda’ estreia em Manaus antes de seguir para circuito internacional na Argentina

Foto: Divulgação/ ASCOM

As marcas da violência, a devastação ambiental e o impacto de grandes empreendimentos na vida das populações amazônicas ganham expressão com a montagem do espetáculo “Erenilda: Puta de Garimpo com Dente de Ouro”. O novo trabalho da Soufflé de Bodó Company em coprodução internacional com a Cía García Sathicq Teatro, da Argentina, faz sua estreia oficial em Manaus no dia 30 de agosto de 2026, às 19h, no Teatro da Instalação. A atração possui recomendação etária para maiores de 18 anos e antecede a turnê internacional que passará por La Plata entre os dias 2 e 9 de setembro.

Memória e impacto

Inspirada em histórias reais vivenciadas no antigo Garimpo de Araras, em Rondônia, a dramaturgia retrata a saga de Erenilda, mulher afetada pela exploração mineral e pelas transformações territoriais causadas por usinas hidrelétricas na região. Em cena, a protagonista revisita lembranças marcadas pela morte violenta do filho Erê e pelas agressões enfrentadas no cotidiano, transformando o trauma histórico em manifestação artística e política.

A encenação propõe uma reflexão sobre o custo humano e social de obras de infraestrutura que provocaram o deslocamento forçado de comunidades na região Norte. O diretor da Soufflé de Bodó Company, Francis Madson, explica que a criação partiu de vivências pessoais e de contatos diretos com a realidade do interior amazônico.

“Passei parte da minha infância em áreas hoje inundadas pelas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau. Muitas dessas histórias permaneceram no meu corpo. Erenilda surge desse encontro entre memória, violência e imaginação. É uma obra sobre corpos que insistem em permanecer vivos mesmo quando o mundo tenta apagá-los”, afirma o diretor.

A montagem constrói uma atmosfera ritualística, combinando elementos cênicos que buscam reproduzir as tensões vividas nos territórios afetados.

“A encenação acontece em um ambiente ritualístico, onde músicos produzem paisagens sonoras inspiradas nos rios amazônicos, enquanto projeções, água, ventiladores industriais e objetos simbólicos criam uma atmosfera de tensão e memória”, comenta Francis Madson.

Confrontando dilemas sobre afeto, medo e sobrevivência, a personagem central transforma a resistência física em um ato de permanência na floresta.

“Mesmo atravessada pela brutalidade, ela insiste na dança, no desejo e na permanência. A obra propõe uma reflexão sobre a Amazônia contemporânea, sobre os corpos esquecidos pela história oficial e sobre a capacidade humana de reinventar a vida diante da devastação”, pontua Francis.

Conexão internacional

A produção é fruto de um processo criativo iniciado em fevereiro de 2026 entre artistas do Brasil e da Argentina. O projeto contou com uma residência artística realizada em Manaus entre os meses de abril e maio do mesmo ano, período em que a equipe promoveu leituras dramatizadas e pesquisas de campo em Presidente Figueiredo e na área da Usina Hidrelétrica de Balbina para analisar os impactos provocados pela inundação de territórios.

O financiamento da montagem é do Programa Iberescena, contando com o apoio da Fundação Nacional de Artes (Funarte). Como parte das ações de intercâmbio, a dramaturgia será publicada em livro nos idiomas português, espanhol e francês. A etapa na Argentina prevê duas sessões de apresentação, rodas de conversa com o público e o lançamento da obra literária na cidade de La Plata.

Programação e serviço

Informações sobre as apresentações e datas da temporada:

  • Estreia em Manaus no dia 30 de agosto de 2026, domingo, às 19h, no Teatro da Instalação, localizado na rua Frei José dos Inocentes, Centro Histórico.
  • Temporada em La Plata na Argentina de 2 a 9 de setembro de 2026, na Sala Carlos Pirelli, com apresentações, debates e lançamento do livro da dramaturgia.
  • Indicação etária recomendada para maiores de 18 anos.

Ficha técnica

Equipe profissional envolvida na criação do espetáculo:

  • Concepção geral por Francis Madson
  • Atuação com Amanda Magaiver, Denis Carvalho e Francis Madson
  • Músicos e intérpretes criadores Diogo Návia, Moham Enrique e JC Ribeiro
  • Participação especial de Theo
  • Dramaturgia desenvolvida por Francis Madson e Jazmín García Sathicq
  • Preparação de elenco por Viviani Palandi
  • Design gráfico por Dillan Sulivan
  • Captação de vídeo por Jenni Bonates e edição por César Nogueira
  • Trabalho de marcenaria por Juca Di Souza e figurino por Cleide Reis
  • Assessoria de imprensa com Manuella Barros
  • Realização da Soufflé de Bodó Company e correalização da Garcia Sathicq Cia de Teatro
  • Fomento internacional do Programa Iberescena e apoio da Fundação Nacional de Artes (Funarte)

ASCOM: Manuella Barros

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