
A busca por estratégias pedagógicas que cativem os estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) ganhou um capítulo especial nesta quarta-feira (26/8). O Centro Municipal de Educação de Jovens e Adultos (Cemeja) Professor Samuel Benchimol, vinculado à Prefeitura de Manaus, participou do projeto “Sua Aula no Cinema”, promovido pela plataforma CurtaEducação.
A unidade de ensino, mantida pela Secretaria Municipal de Educação (Semed), garantiu posição de destaque ao ser uma das 50 selecionadas em todo o país e a única representante do estado do Amazonas. A atividade levou 60 alunos para assistir ao documentário “Mundurukuyü, A Floresta das Mulheres-Peixe” em uma das salas do Kinoplex no Amazonas Shopping, localizado na zona Centro-Sul da capital.
Prática pedagógica no cinema
A proposta do programa consiste em converter a experiência audiovisual em uma oportunidade concreta de ensino. Logo após o encerramento do filme, o professor condutor realiza uma reflexão e debate de até 20 minutos com os estudantes na própria sala de exibição. Esse diálogo inicial serve de alicerce para desdobramentos em sala de aula, nos quais os alunos desenvolvem textos, pesquisas e trabalhos educativos sobre os temas assistidos.
O diretor do Cemeja Professor Samuel Benchimol, Rodrigo Fróes, esclareceu que a instituição foi escolhida por meio do concurso “Professor Autor” ao submeter um projeto voltado à preservação da identidade indígena, aos direitos de territorialidade e ao papel desempenhado pelas mulheres nativas no bioma amazônico.
“Fomos uma das 50 escolas selecionadas em todo o Brasil para participar do projeto Sua Aula no Cinema. Depois da exibição, os alunos vão retornar à escola para debater os temas abordados no documentário e produzir um texto. Os dez melhores textos, entre as 50 escolas, receberão um prêmio de R$ 2 mil. Então, eles ganham conhecimento, participam de uma atividade diferenciada fora da escola e ainda têm a possibilidade de concorrer a esse prêmio”, completou o diretor Rodrigo Fróes.
Valorização dos professores
O concurso de relatos de experiência prevê uma gratificação financeira de R$ 2 mil para os dez professores que apresentarem as melhores abordagens pedagógicas pós-sessão. A avaliação do material será conduzida pela equipe técnica do CurtaEducação, valorizando os métodos adotados nas salas de aula brasileiras.
Entre os alunos beneficiados, o sentimento de pertencimento surge como ganho permanente. A estudante Maria Ester relatou o impacto positivo que as ações externas causam na trajetória de quem retoma os estudos na fase adulta.
“É uma experiência para a qual a gente nunca está preparada, é sempre uma emoção diferente. É algo inovador, que não vemos em outras escolas. Para nós, do Cemeja, é uma experiência maravilhosa. É muito bom ter essa experiência no cinema, que também nos proporciona conhecimento”, finalizou a estudante Maria Ester.
Realidade do povo Munduruku
O documentário selecionado para a exibição é uma produção brasileira lançada em 2024 que retrata o cotidiano, as lendas e as lutas do povo Munduruku na aldeia Sawré Muybu, situada às margens do rio Tapajós, no estado do Pará.
Aspectos centrais sobre a produção cinematográfica:
- Direção assinada por Aldira Akay, Beka Munduruku e Rilcélia Akay, integrantes do Coletivo Audiovisual Munduruku Daje Kapap Eypi.
- Produção executiva desenvolvida pela Pindorama Filmes com produção de Estêvão Ciavatta.
- Foco narrativo voltado à liderança feminina indígena e à proteção das águas na Amazônia.
A iniciativa reforça a relevância de ofertar metodologias diversificadas para a educação de jovens e adultos no Amazonas. Contudo, o grande desafio da gestão pública permanece na expansão dessas oportunidades para mais escolas da rede municipal, garantindo que o acesso à cultura e às mídias digitais chegue de forma regular aos estudantes das periferias e áreas ribeirinhas de Manaus.
Fonte: ASCOM | Alexandre Abreu/ Semed










