
Quem ainda acha que eleição se ganha apenas com carreata, jingle e vídeo de internet talvez devesse dar uma olhada nos números divulgados pelo TSE.
No Amazonas, as mulheres já são 1.440.590 eleitoras, ou 51,43% do eleitorado. São quase 80 mil votos a mais que os homens.
Candidato que aparecer só na véspera do Dia das Mães distribuindo flores pode acabar recebendo espinhos nas urnas. Segundo o TSE, mulher exige segurança, saúde, emprego, respeito e resultados. Não acredita em promessas vazias.
Não se trata de discurso feminista nem slogan de campanha. É matemática eleitoral pura. Em 2026, quem não entender essa conta corre o sério risco de fazer outra, a da derrota nas urnas.
O interior não aceita PIX eleitoral

Outro dado do TSE que merece uma dose dupla de humildade dos candidatos é que os 61 municípios do interior reúnem 1,329 milhão de eleitores, praticamente metade do eleitorado amazonense.
Ganhar Manaus e esquecer o restante do mapa pode ser uma péssima estratégia para alguém perder a eleição.
O interior conhece muito bem a diferença entre quem aparece de quatro em quatro anos e quem aparece quando a cheia leva a estrada, quando a seca fecha o rio ou quando falta médico no hospital.
O eleitor do interior costuma ter memória melhor que muita agenda política.
A maratona começou

Se mulheres e interior concentram a maior força eleitoral do Amazonas, que o beiradão aguarde uma verdadeira romaria de candidatos.
Vai ter promessa para saúde, segurança, internet, estrada, porto, escola, crédito, asfalto, energia e tudo mais que couber no discurso.
O problema nunca foi prometer. O desafio continua sendo cumprir. Nesta corrida eleitoral, o eleitor também pode ter aprendido a melhor forma de fazer sua prestação de contas.
Sarafa cada vez mais vice

Nos bastidores do União Brasil, a cotação de Serafim Corrêa subiu como ação em dia de boa notícia.
Depois que Roberto Cidade afirmou que tem “o melhor vice desta eleição”, ficou difícil imaginar outro roteiro para a convenção do União.
Quando o principal interessado faz questão de elogiar em público, normalmente já está assinando a ata antes mesmo da convenção.
Brasília ajudou o tabuleiro
E existe outro detalhe pouco comentado na questão Serafim. A Executiva Nacional do União Brasil caminha para liberar os diretórios estaduais a definirem seus próprios palanques em 2026.
Haverá estados apoiando Lula e outros caminhando com adversários do presidente. Essa autonomia reduz a pressão nacional sobre o Amazonas e fortalece quem já está sentado na cadeira de vice. Serafim, por isso, dorme mais tranquilo.
Milhões para Eirunepé

Enquanto muita gente discute alianças, o deputado federal Átila Lins (PSD), continua fazendo aquilo que sempre deu resultado na política do interior, que é entregar recursos.
Em Eirunepé o parlamentar anunciou R$ 3 milhões para a maternidade, mais R$ 2 milhões destinados ao futuro centro cultural e ainda assumiu a defesa da instalação de uma agência da Caixa Econômica.
Em tempos de redes sociais, continua valendo uma velha máxima da política, de que obra pronta costuma render mais voto do que postagem bem produzida.
Seca no horizonte

A simples possibilidade de uma nova grande estiagem já começa a tirar o sono de empresários, comerciantes e consumidores no Amazonas.
Se os rios baixarem como indicam as projeções, a conta pode chegar antes mesmo da água desaparecer das praias.
Menor calado significa frete mais caro. Frete mais caro significa produto mais caro. E, no fim da viagem, quem paga a passagem inteira continua sendo o consumidor.
Fantasma da taxa seca
O nome é sofisticado, sobretaxa logística. Mas o amazonense conhece pelo apelido mesmo, taxa seca.
Só de ouvir essa expressão, a indústria já faz conta, o comércio aperta o orçamento e o consumidor segura a carteira.
A esperança é que, desta vez, qualquer cobrança venha acompanhada de critérios técnicos, transparência e muita fiscalização. Porque criatividade para criar taxa nunca faltou. O difícil é encontrar criatividade para reduzir custos.
O voto indígena
O eleitorado indígena cresce discretamente no Brasil e já soma 287 mil eleitores, um salto de 84,47% desde 2024.
O Amazonas concentra 73.580 dos eleitores, praticamente um em cada quatro indígenas eleitores do país.
Quem continuar tratando os povos originários apenas como tema de fotografia em campanha poderá descobrir que eles também sabem responder com o voto na mão.










