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A eleição mais cara do Brasil já chega a quase R$ 1 bilhão

No Brasil, as campanhas para a Câmara dos Deputados já movimentam impressionantes R$ 982,8 milhões. É dinheiro suficiente para deixar muito candidato imaginando que está concorrendo a uma vaga no Congresso ou a uma licitação de obra faraônica.

E tem um detalhe saboroso, 95% desse montante vem do dinheiro público, nada menos que R$ 932 milhões do “Fundo Eleitoral” e do “Fundo Partidário”. Do bolso privado saíram R$ 50,6 milhões.

A Câmara, portanto, está liderando o campeonato financeiro da eleição. Os gastos declarados para deputado federal superam os de deputado estadual, senador, governador e até presidente da República.

Cada candidato a deputado federal pode gastar até R$ 3,17 milhões no primeiro turno. Se alguém disser que política é um sacerdócio, convém perguntar primeiro quem está pagando a conta.

Omar com o cofre cheio

Em plena campanha pelo do governo do Amazonas, Omar Aziz teve uma ajuda de peso.

A direção nacional do PSD mandou R$ 6 milhões via PIX para a candidatura do senador. Dinheiro do “Fundo Eleitoral”, portanto, público, daqueles que fazem a conta bancária de campanha ganhar outro astral.

Além do repasse partidário, Omar recebeu R$ 100 mil de Francisco Rocha da Silva e outros R$ 20 mil de Mario Silva Barreiro.

Até agora, é o candidato do PSD ao governo estadual que recebeu o maior repasse da direção nacional da legenda entre as candidaturas disponíveis no sistema do TSE.

O curioso é que o limite legal para a campanha no primeiro turno é de R$ 7,11 milhões.

Do Carmo também “bamburrando”

Se Omar Aziz não está exatamente passando aperto na campanha, Maria do Carmo Seffair também não parece disposta a disputar eleição contando moedas.

A candidata do PL ao governo amazonense abocanhou R$ 4,53 milhões enviados pela direção nacional do partido. Tudo via PIX e tudo registrado como recurso do “Fundo Especial de Financiamento de Campanha”.

O repasse é nada menos que 99,34% de tudo o que a candidatura arrecadou até agora.

A própria Maria do Carmo colocou mais R$ 30 mil. Diante dos R$ 4,5 milhões enviados pelo PL, a contribuição pessoal ficou parecendo gorjeta de café.

O PL, que terá a maior fatia do “Fundo Eleitoral” em 2026, recebeu cerca de R$ 881,6 milhões.

MPF quer saber tudo sobre R$ 1,46 bi

O MPF entrou naquela história em que todo mundo parece concordar com o dinheiro, mas alguém insiste na desagradável mania de perguntar, “Tá, mas vai gastar onde?”

O Ministério Público Federal pediu à Justiça a retomada do empréstimo de R$ 1,462 bilhão pretendido pelo Governo do Amazonas, mas fez uma ressalva bem pouco confortável, quer explicações detalhadas sobre o destino dos recursos e sobre a vantagem financeira da operação com o Banco do Brasil.

O MPF quer saber as ações orçamentárias, as fontes de recursos, a natureza das despesas e até as contas bancárias por onde o dinheiro vai circular.

A preocupação não é gratuita. Durante a tramitação, a destinação de parte dos recursos mudou, os R$ 310 milhões inicialmente previstos para amortização da dívida foram retirados e o valor destinado ao “Fideam” subiu de R$ 720 milhões para R$ 1,03 bilhão.

De olho na conta e no “Maranhão”

Na novela do empréstimo de R$ 1,46 bilhão do Amazonas, surgiu um personagem inesperado, o Maranhão.

A AGU pediu a retomada da operação e apresentou argumentos em defesa do financiamento. Só que, em alguns trechos da manifestação, apareceram referências ao governo maranhense, a leis estaduais do Maranhão e até a uma futura garantia para aquele Estado.

Problema, o processo é do Amazonas. Aparentemente, algum “Ctrl C + Ctrl V” resolveu fazer turismo interestadual e desembarcou na Justiça Federal amazonense.

A gafe não invalida, por si só, os argumentos jurídicos apresentados, mas certamente não ajuda a transmitir aquela sensação reconfortante de que alguém conferiu o documento antes de apertar o botão “enviar”.

Cota de faz de conta

Em Tapauá, o TRE-AM descobriu que, na eleição de 2024, tinha candidatura que parecia estar na urna mais para cumprir tabela do que para pedir voto.

O Tribunal reconheceu fraude à cota de gênero praticada pelo União Brasil e considerou fictícias as candidaturas de Aldariza Reinaldo de Almeida e Vera Lúcia Oliveira de Souza.

A cota mínima de mulheres teria sido preenchida no papel, mas não exatamente na campanha.

Cassação e fim da farra

O resultado não foi pouca coisa, sentenciou o TRE, cassação do DRAP (Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários), anulação dos votos do União Brasil na eleição proporcional, perda dos diplomas dos eleitos e suplentes e recálculo dos quocientes eleitorais.

Os vereadores Luiz Avelino de Abreu, Izaque Martins Ferreira e Rainilson de Souza Pinheiro, porém, escaparam da inelegibilidade. Segundo o TRE-AM, essa punição é pessoal e exige prova de participação, autoria ou anuência consciente na fraude.

Já para as duas candidatas consideradas fictícias, a inelegibilidade foi mantida.

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