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Projeto leva capacitação em audiovisual e sessão gratuita de cinema para comunidades de Borba

Foto: Acervo Coletivo Vozes

Moradores de Borba, município localizado a 151 quilômetros de Manaus, participaram na quarta-feira, dia 15 de julho, da primeira programação do circuito audiovisual “Projetando o Madeira”. Ao longo de todo o dia, a iniciativa promoveu oficinas de produção em vídeo, atividades de letramento digital e uma sessão gratuita de cinema ao ar livre, reunindo crianças, jovens e adultos em uma atividade cultural acessível.

A ação busca descentralizar o acesso às ferramentas de comunicação e entretenimento, levando estrutura técnica para regiões que frequentemente ficam fora do roteiro tradicional de exibição comercial. A grande adesão do público local demonstra a busca por atividades artísticas estruturadas nos municípios do interior do Estado.

Capacitação técnica

Durante o período da manhã, os organizadores realizaram a oficina intitulada “Olhar Ribeirinho”, que contou com o suporte da Secretaria Municipal de Cultura de Borba. A atividade reuniu moradores interessados em dominar ferramentas tecnológicas para registrar e difundir a realidade de suas próprias comunidades.

O treinamento abordou temas fundamentais para a inclusão na internet.

  • Noções práticas de letramento digital para manuseio de ferramentas eletrônicas
  • Orientações sobre segurança na rede e proteção de dados pessoais
  • Técnicas de captação e edição de vídeos curtos com o uso de smartphones

A iniciativa visa dar autonomia digital aos participantes, permitindo que utilizem os dispositivos móveis para documentar aspectos cotidianos, sociais e ambientais da localidade.

Cinema na praça

No período noturno, a Praça da Basílica de Santo Antônio serviu como espaço para a exibição gratuita do filme infantil Rio 2, atraindo famílias da sede urbana e também moradores da comunidade Trocanã, situada nas proximidades de Borba. A mobilização popular teve a colaboração direta da Paróquia de Santo Antônio, da Rádio Comunitária Santo Antônio de Borba e do comércio local, que atuaram na divulgação e no suporte logístico.

Para o idealizador do projeto, Ernan Passos, a proposta ultrapassa a simples projeção de imagens na tela. “As pessoas das comunidades ribeirinhas e da área urbana participaram desse momento de troca. O filme dialoga diretamente com a realidade amazônica, com as questões socioambientais que fazem parte do cotidiano de quem vive na região. Mais do que exibir um filme, queremos criar espaços de encontro, reflexão e fortalecer os vínculos das pessoas com a própria cultura”, destacou Ernan Passos.

A relevância da chegada dessas atividades ao interior foi avaliada pela turismóloga e moradora local Socorro Paiva.

“Quando vemos uma proposta de cinema ao ar livre como essa, percebemos que é possível trazer ao interior iniciativas que normalmente encontramos nas capitais. Ver moradores da cidade e da comunidade Trocanã primitivamente participando juntos mostra como esses projetos aproximam as pessoas e fortalecem o acesso à cultura na nossa região”, afirmou Socorro Paiva.

Além do impacto social, o evento gerou faturamento imediato para os trabalhadores autônomos da região. O comerciante Zenildo Freitas, que trabalhou no fornecimento de pipocas durante a sessão, comemorou o resultado econômico da parceria.

“Foi muito bom participar. Além de colaborar com o projeto, também gerou movimento para o nosso trabalho. Todo mundo ganhou, quem organizou, quem participou e quem trabalha aqui na cidade”, disse Zenildo Freitas.

A equipe do circuito seguiu viagem na quinta-feira, dia 16 de julho, com destino ao município de Nova Olinda do Norte, localidade que recebe as oficinas e as sessões gratuitas de cinema na sequência do cronograma regional.

Apoio federal

A execução do projeto é de responsabilidade do Coletivo Vozes da Periferia. O financiamento é viabilizado com recursos federais obtidos por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), gerenciada nacionalmente pelo Ministério da Cultura e, em âmbito estadual, pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, contando ainda com o suporte da União de Negros pela Igualdade (UNEGRO) Amazonas.

As diretrizes do programa priorizam o atendimento a populações ribeirinhas, tradicionais e urbanas do interior. O objetivo principal consiste em democratizar o aprendizado técnico e o lazer, utilizando a linguagem audiovisual para valorizar as identidades locais e fortalecer o protagonismo das comunidades.

Fonte: ASCOM | Cristie Sicsú | Coletivo Vozes da Periferia

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