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Mulheres em região remota de Borba conseguem acesso a direitos básicos pela primeira vez no Amazonas

Foto: Lucas Silva/ DPE-AM

A 12 horas de barco da sede do município de Borba, no coração da floresta, a comunidade Foz do Canumã vive uma realidade de desafios extremos. Para mulheres como Kythe Vitória, de 20 anos, o isolamento geográfico é uma barreira que dificulta o acesso a serviços básicos e direitos fundamentais. Mãe solo da pequena Helena, de apenas dois anos, a jovem encontrou na Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) a ponte necessária para buscar a dignidade de sua filha.

Pela primeira vez na história, uma ação de atendimento jurídico alcança as Terras Indígenas Kwatá Laranjal e a vila de Foz do Canumã. O projeto “Defensoria Tá na Área” percorre a região desde a última terça-feira, 5 de maio, como parte das comemorações do Mês da Defensoria, levando assistência gratuita a quem mais precisa.

Esperança na maternidade solo

Kythe foi uma das primeiras pessoas atendidas nesta quinta-feira. Com a filha no colo, ela buscou formalizar o pedido de pensão alimentícia, um direito garantido por lei que abrange moradia, alimentação e educação. Para quem vive no interior, onde o custo de vida é inflacionado pela logística difícil, cada centavo faz diferença.

“O dia a dia de cuidados com ela é muito sofrido e é uma rotina muito pesada para mim. Aqui, um pacote de fraldas chega a custar R$ 70 e dependemos das nossas vizinhas, às vezes. Foi uma maravilha a Defensoria aqui, porque dá uma esperança”, afirmou Kythe Vitória.

Desafios no interior

A história de Kythe reflete a realidade de muitas jovens no Amazonas. Ela tornou-se mãe aos 17 anos e, apenas três meses após o parto, viu-se sozinha para criar a filha. O abandono do companheiro a forçou a deixar os estudos no início do Ensino Médio para se dedicar integralmente à Helena.

Para chegar em casa, Kythe enfrenta uma jornada que mistura estradas e trilhas densas na mata. A pequena residência de madeira, cercada por árvores e um igarapé, é o refúgio onde ela projeta um futuro melhor.

Transformação pelo estudo

O apoio jurídico recebido é visto pela jovem como o combustível para retomar sua própria vida. A pensão alimentícia não representa apenas auxílio financeiro, mas a oportunidade de Helena ter um caminho diferente do trilhado pela mãe.

“Com o valor da pensão, eu vou poder comprar coisas melhores para a Helena. Como mãe, eu sonho um futuro diferente para ela, que ela siga outro caminho, focando nos estudos. O que eu fiz hoje foi um primeiro passo para isso e para que eu consiga terminar os estudos em paz e trabalhar”, acrescentou a jovem.

Direitos para todas as gerações

A ação da Defensoria também alcançou a mãe de Kythe, dona Valdemarina Mendonça, de 62 anos. A idosa buscou o atendimento para obter a segunda via de sua certidão de nascimento, documento essencial para dar entrada no processo de aposentadoria. Para ela, ver a filha lutar pelos direitos da neta foi o ponto alto do dia.

Dona Valdemarina Mendonça e Kythe Vitória – Foto: Lucas Silva/ DPE-AM

“O choro dela é o meu, porque somos só nós três em casa, só mulheres. É uma vida difícil, porque para sair daqui precisa pegar a catraia e pagamos caro para chegar até a cidade. Agradeço a Deus a chegada da Defensoria, uma benção mesmo, porque conseguir tirar documentação e dar entrada nesse processo dela de graça, isso para a gente é tudo”, comentou Valdemarina Mendonça.

Como buscar atendimento

Mulheres em todo o estado podem contar com o suporte da DPE-AM para garantir o direito à pensão alimentícia e outros serviços jurídicos. O órgão disponibiliza canais digitais para facilitar o acesso da população, mesmo à distância.

  • Site oficial: o agendamento pode ser realizado pelo endereço atendimento.defensoria.am.def.br.
  • WhatsApp: o contato direto pode ser feito pelo número (92) 98559 1599.
  • Gratuidade: todos os serviços prestados pela Defensoria Pública são gratuitos para pessoas em situação de vulnerabilidade.
  • Pensão Alimentícia: o valor destina-se a garantir gastos com comida, saúde, moradia, vestuário e material escolar.

ASCOM: Camila Andrade/ DPE-AM

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