
A literatura produzida no coração da maior floresta tropical do planeta está prestes a ocupar um dos palcos mais prestigiados do mundo. Após o lançamento na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), a escritora amazonense Maria Auxiliadora Tribuzzi Arce prepara as malas para um marco histórico em sua carreira: o lançamento internacional de seu livro “Eu Sou a Amazônia”, agendado para o dia 19 de outubro, no icônico Museu do Louvre, em Paris.
O evento representa não apenas o reconhecimento à trajetória da autora, mas abre uma vitrine global para a identidade, a cultura e o clamor ambiental dos povos do norte do Brasil em território europeu.
Nascido originalmente em 1989 e publicado agora em formato de livro, “Eu Sou a Amazônia” transcende o formato literário tradicional. A obra adota uma perspectiva ousada: a própria floresta assume o papel de narradora e personagem principal de sua história.
Misturando uma prosa sensível a poesias de forte apelo emocional, o texto alterna a exaltação da rica biodiversidade e das tradições dos povos originários com denúncias contundentes sobre o impacto devastador do desmatamento, das queimadas e da exploração predatória.

“A floresta não vota. Os rios não comparecem às urnas. Os animais não possuem representantes. Por isso, somos nós que devemos falar por eles”, disse Maria Auxiliadora Tribuzzi, em discurso na Aleam.
O livro funciona como um chamado à responsabilidade compartilhada entre governos, cidadãos e a iniciativa privada para o desenvolvimento sustentável da região. A essência do manifesto literário é sintetizada em um de seus versos mais marcantes: “Eu sou a Amazônia. Preciso apenas de um olhar teu, Brasil”.
Sensibilidade e denúncia
A publicação é dividida estrategicamente para tocar a mente e o coração do leitor: Primeira Parte (Narrativa): Conduz o público pela memória, identidade e os desafios urgentes de preservação da região. Segunda Parte (Coletânea Poética): Reúne poemas de linguagem acessível e imagens impactantes que retratam a beleza da fauna, da flora e dos rios caudalosos da região.

Quem é a autora
Com uma carreira solidamente construída no cenário cultural nortista, a autora coleciona credenciais que chancelam sua relevância:
Ela é integrante da Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia (ALACA) e membro da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB).
Maria Auxiliadora participou em 19 antologias publicadas em diversos estados brasileiros.
Levar “Eu Sou a Amazônia” a Paris, no atual cenário global de discussões climáticas, reafirma que a floresta não é apenas um patrimônio geopolítico brasileiro, mas um bem de valor universal.
Ao cruzar o Atlântico, Maria Auxiliadora Tribuzzi Arce transforma a poesia em ferramenta diplomática, mostrando que o destino da maior floresta do mundo depende, fundamentalmente, da nossa capacidade de ouvir o seu clamor.










