
Por Rev. Prof. Francisco A. C. Pinho (*)
No primeiro debate do segundo turno de 2026, na Band, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cometeu um erro grave. Ao tentar desqualificar o adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atacou um estado inteiro. Chamou o oponente de “malandro carioca”. Foi uma agressão gratuita, desnecessária e preconceituosa.
O Brasil assistiu, ao vivo, ao absurdo: um presidente da República usando um estereótipo regional para ofender. Não ofendeu apenas o adversário. Ofendeu o Rio de Janeiro. Ofendeu o trabalhador fluminense.
O contexto
A fala ocorreu no primeiro bloco. Flávio Bolsonaro afirmou, sem apresentar prova no ar, que o governo teria gasto R$ 7 bilhões em viagens com a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja.
Lula reagiu chamando-o de “mentiroso contumaz” e disparou:
“Você vê que essa carinha boa dele é a carinha do malandro carioca, que finge que não finge e mente descaradamente.”
A resposta
No bloco seguinte, Flávio Bolsonaro não revidou com ofensa. Virou-se para o eleitor e se solidarizou com o povo fluminense por ter sido chamado de malandro. Disse que a fala mostrava o desprezo do governo pelo Rio e o incômodo com a derrota no primeiro turno no estado.
A campanha petista tentou conter o dano, dizendo que foi apenas um ataque pessoal ao senador.
Não colou. A internet não perdoou.
O ponto de virada
Este pode ter sido o momento que definiu a opinião pública. O trecho foi o mais recortado da noite. Enquanto um lado discutia contas públicas, o outro partiu para o ataque pessoal com preconceito regional.
O eleitor percebe. Fica alerta. Quem precisa ofender um estado inteiro para defender seu governo, é porque já não tem mais argumento.
(*) é jornalista, professor Emérito de Língua Portuguesa, natural de Tefé-AM.







