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Operação contra o Comando Vermelho prende vereador e bloqueia milhões de reais no Rio

Operação Backbone mira monopólio ilegal de internet em comunidades do Rio e suspeita de lavagem de dinheiro - Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil

A atuação das facções criminosas no Rio de Janeiro ultrapassou há tempos as fronteiras do tráfico de drogas tradicional. Na segunda-feira (19/10), a Polícia Federal deflagrou a Operação Backbone, revelando como o controle ilegal do sinal de internet se tornou uma das engrenagens mais lucrativas do crime organizado.

A ação resultou na prisão de 19 pessoas e no bloqueio de R$ 558 milhões atribuídos ao Comando Vermelho, escancarando a urgência de combater o domínio territorial que sufoca milhares de cidadãos nas comunidades fluminenses.

Ao todo, a Polícia Federal cumpriu 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As ordens judiciais alcançaram os municípios do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé.

Entre os alvos presos está o vereador Fabio Silva (Podemos-RJ), localizado pelos agentes na cidade de Londrina, no Paraná. A operação também cumpriu mandado contra Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP. Mesmo cumprindo pena em presídio federal, o líder do tráfico continuava orientando as atividades da facção com o auxílio de parentes e outras lideranças.

Monopólio forçado nas comunidades

A investigação focou na desarticulação da rede de provedores clandestinos operados pelo tráfico nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão. O esquema funcionava por meio de cobranças mensais impostas às empresas de telecomunicações que queriam atuar nessas regiões. Em determinado período, os registros contábeis da própria facção mostraram que a taxa cobrada pelo sinal de internet respondeu por mais de 40% de toda a arrecadação do grupo no Complexo da Penha.

A rotina dos moradores é marcada pela privação de direitos básicos. Homens armados cortam cabos de operadoras regulares, incendeiam caixas de distribuição e ameaçam técnicos para impedir qualquer manutenção. Com isso, famílias e pequenos comerciantes ficam sem opção e acabam forçados a contratar os serviços oferecidos pela própria organização criminosa.

Lavagem e bloqueios milionários

O volume de dinheiro movimentado pelo monopólio da internet era dissimulado em uma complexa rede financeira. A Polícia Federal identificou o uso de produtoras de eventos, agências de publicidade, empresas de contabilidade, firmas de fachada e contas de passagem. Os recursos também eram convertidos em criptoativos e na compra de imóveis de luxo pagos em dinheiro vivo.

A Justiça determinou o bloqueio dos R$ 558 milhões e a suspensão imediata das atividades econômicas de todas as empresas envolvidas. A Agência Nacional de Telecomunicações foi acionada para cassar as autorizações dos provedores irregulares, adotando providências para que a população não fique desassistida durante a transição.

Desafio para o Estado

A Operação Backbone integra a Força Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal no âmbito da ADPF 635 do Supremo Tribunal Federal. Os investigados responderão por crimes como domínio social estruturado, extorsão majorada, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção de serviço telemático, exploração clandestina de telecomunicações e lavagem de dinheiro.

O caso reforça que o combate ao crime precisa ir além do confronto armado nas ruas. Cortar o fluxo financeiro e retirar das mãos das facções o controle sobre serviços essenciais representa o único caminho viável para devolver a dignidade e a liberdade aos moradores das periferias.

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/brasil/pf-prende-19-bloqueia-558-milhoes-comando-vermelho-rj/

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