
A música popular brasileira perdeu uma de suas vozes mais conhecidas. O cantor, compositor e pianista Benito di Paula morreu neste domingo (18/10), aos 84 anos, na cidade de São Paulo.O artista estava internado no Hospital 9 de Julho, onde tratava um câncer de próstata há cerca de um ano, complicação que causou sua morte.A equipe do cantor confirmou a informação e informou que as datas do velório e do sepultamento serão divulgadas em breve.
Benito construiu uma relação direta com o público ao juntar o samba ao piano e a elementos da música romântica.Com um estilo próprio, conquistou fãs de diferentes gerações.
Composições do artista embalaram bailes, rádios e festas em todo o país. Canções como Retalhos de Cetim, Meu Amigo Charlie Brown, Mulher Brasileira e Do Jeito Que a Vida Quer viraram clássicos conhecidos por pessoas de todas as idades.
A forma como tocava e cantava garantia uma proximidade imediata com o ouvinte:
- Samba tocado ao piano com ritmo marcante;
- Letras simples sobre o amor e a vida simples;
- Interpretação forte e fácil de reconhecer;
- Músicas que atravessaram décadas sem perder a força.
Desabafos sobre a indústria
O compositor passou anos sem lançar trabalhos inéditos. A volta aos estúdios aconteceu em 2021 com o disco O Infalível Zen, gravado ao lado do filho Rodrigo Vellozo. No projeto, o pianista resgatou antigos rascunhos e deu nova vida a velhas ideias.
Na época do lançamento, Benito falou abertamente sobre a distância em relação aos veículos de comunicação e fez críticas ao mercado fonográfico.
“Eu nunca estive na mídia, quem esteve na mídia foi a minha música”, afirmou o artista ao relembrar sua caminhada.
Ele também desabafou sobre as pressões que viveu no início da carreira ao contar que sofreu muita censura da própria gravadora.
História gravada no povo
A história de Benito di Paula mostra a força de quem priorizou a própria verdade artística em vez de seguir modismos. A identificação popular com o seu trabalho garantiu um lugar permanente na história do samba e da música brasileira.
A partida do pianista deixa saudades entre fãs e parceiros de trabalho, mas suas canções continuam vivas no repertório da cultura nacional.










