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Chefões do crime cobram alto para liberar caça a votos em áreas vermelhas de Manaus

A eleição chegou a um ponto mais que preocupante em Manaus. Segundo investigação da Polícia Federal, organizações criminosas estão tentando interferir diretamente na realização de eventos políticos em áreas da capital.

Dois comícios foram impedidos após ameaças e uma exigência de R$ 150 mil para que os atos ocorressem. A PF confirmou que investiga intimidação e constrangimento contra candidatos e apoiadores durante o período eleitoral.

O caso ganhou ainda mais gravidade depois do ataque a um evento político no bairro Betânia, na Zona Sul, onde um artefato incendiário semelhante a um coquetel molotov foi lançado contra a estrutura do comício.

A campanha de Eduardo Braga relatou o episódio, acontecido pouco antes da chegada do senador.

Campanha sob ameaça

O episódio da Betânia mostra que a violência pode atingir não apenas candidatos, mas também trabalhadores que estão na linha de frente das campanhas.

Segundo informações divulgadas, quatro mulheres da equipe de Dudu Braga foram atingidas pelo ataque com artefato incendiário, embora não tenham precisado de atendimento médico. A PF prendeu preventivamente um suspeito e busca identificar eventuais coautores e participantes da ação.

A preocupação agora é saber se o caso é isolado ou se faz parte de uma estratégia mais ampla de intimidação de campanhas em áreas sob influência de organizações criminosas.

R$ 150 mil para fazer política?

A informação de que teria sido exigido R$ 150 mil para autorizar a realização de comícios em determinado território é, por si só, uma das denúncias mais graves desta reta final da eleição em Manaus.

A investigação ainda precisa esclarecer quem fez a cobrança, quem eventualmente negociou com os criminosos e se houve outros episódios semelhantes.

A PF, por enquanto, trata o caso como investigação sobre a atuação de organização criminosa para intimidar e constranger candidatos e apoiadores.

Mapa eleitoral da violência

À coluna um ativista eleitoral garantiu que existem outros bairros de Manaus onde candidatos estão evitando fazer atos políticos por medo de represálias.

“Se grupos criminosos conseguem determinar onde uma campanha pode entrar, quanto pode gastar para entrar ou até mesmo se determinado candidato pode realizar um ato público, o impacto alcança diretamente a liberdade de participação política”, disse o ativista.

A investigação da PF poderá esclarecer se o episódio da Betânia é um caso localizado ou parte de um fenômeno mais abrangente. Por enquanto, o dado concreto é que a Polícia Federal já considera a atuação de organizações criminosas uma ameaça real ao processo eleitoral.

Cury promete resgatar BR-319

O candidato à Presidência da República pelo Avante, Augusto Cury, esteve em Manaus e fez uma promessa de forte apelo regional ao garantir o asfaltamento da BR-319 já no primeiro ano de um eventual governo.

Ao lado do candidato ao Governo do Amazonas, David Almeida, Cury também pregou a superação da polarização política. A rodovia, antiga reivindicação do Amazonas, voltou assim a agitar a campanha eleitoral.

Bilionário sob investigação

Foto: Divulgação

O contrato de R$ 1,969 bilhão firmado pelo Governo do Amazonas com o Instituto de Desenvolvimento, Ensino e Assistência à Saúde (IDEAS) para administrar o Complexo Hospitalar Leste entrou no radar do Ministério Público do Amazonas (MPAM).

O acordo foi celebrado durante a gestão de Wilson Lima e envolve o João Lúcio e o Hospital e Pronto-Socorro da Criança da Zona Leste.

O MPAM instaurou inquérito para examinar a execução do contrato e contratações emergenciais realizadas pelo instituto.

Terceirização no foco

Entre os pontos que serão analisados pelo MPAM está a contratação de profissionais terceirizados pelo IDEAS.

A Promotoria pretende verificar se o modelo adotado está de acordo com o projeto básico e o plano de trabalho originalmente aprovados pela Secretaria de Estado de Saúde.

Também serão examinados preços, justificativas para contratações emergenciais, capacidade técnica das empresas e eventuais alterações de escopo.

Wilson na berlinda eleitoral

A pesquisa Quaest divulgada na quinta-feira (24) coloca Wilson Lima fora das duas primeiras posições nos diferentes recortes apresentados para a disputa pelas duas vagas do Amazonas ao Senado.

Na pesquisa espontânea, Eduardo Braga aparece com 27%, Capitão Alberto Neto com 17%, Plínio Valério com 14% e Wilson Lima com 13%. Na simulação para a primeira vaga, Wilson também registra 13%; na segunda, aparece com 14%.

O levantamento mostra uma disputa pulverizada e um percentual expressivo de eleitores que ainda não definiram seus votos.

Norte preservado no STF

Foto: Divulgação

O Supremo Tribunal Federal decidiu que um estado não pode revogar unilateralmente benefícios e isenções de ICMS sem observar as regras constitucionais e da legislação complementar.

O julgamento atingiu norma de São Paulo que havia encerrado a isenção do imposto para mercadorias destinadas às Áreas de Livre Comércio da Região Norte.

A decisão foi tomada em ações apresentadas pelos governos de Rondônia, Acre, Amapá e Roraima.

Recado federativo

No julgamento do STF, prevaleceu o entendimento de que a revogação de benefícios fiscais de ICMS deve respetar o procedimento previsto na Lei Complementar nº 24/1975, que exige deliberação conjunta no âmbito do Confaz.

Para a maioria do Supremo, um estado não pode, isoladamente, alterar as condições de um benefício incorporado à legislação local quando a origem da isenção está em convênio interestadual.

O ministro Luiz Fux divergiu, defendendo maior autonomia dos estados para rever benefícios fiscais.

Dinheiro vivo também no radar

A reta final da campanha amazonense ganhou outro ingrediente no qual, na quinta-feira (24), a Polícia Federal apreendeu aproximadamente R$ 1 milhão em espécie em Manaus durante uma ação de combate a crimes eleitorais.

Um homem foi preso em flagrante também por porte irregular de arma de fogo de uso restrito. A PF informou que o dinheiro será investigado quanto à origem e à destinação.

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