
Da tribuna do Senado, o governador eleito do Amazonas, Omar Aziz (PSD), defendeu, na quarta-feira (28/10), o aumento do adicional de fronteira destinado aos servidores federais que trabalham nos confins do país.
Conhecedor das dificuldades amazônicas, Omar lembrou que combater o narcotráfico no Alto Solimões e na tríplice fronteira exige mais que discursos inflamados sobre segurança pública.
Exige dinheiro, estrutura e profissionais dispostos a enfrentar o isolamento geográfico e os riscos da região. Para ele, sem remuneração adequada, fica difícil manter policiais federais e outros servidores em localidades onde chegar já representa uma aventura.
Crime não respeita nada

Ao defender o adicional de fronteira, Omar Aziz colocou o dedo numa ferida antiga do Amazonas: a vulnerabilidade dos rios transformados em corredores do tráfico internacional de drogas.
Ele citou o Alto Solimões e as rotas fluviais dos rios Negro, Branco, Purus e Içá para demonstrar a complexidade de fiscalizar um território gigantesco, onde organizações criminosas se aproveitam das dificuldades de vigilância.
O governador eleito também cobrou recursos para a participação das Forças Armadas em operações de segurança. “Não tem como fazer segurança sem dinheiro.”
A ampliação do benefício aos servidores federais, aprovada pelo Senado e encaminhada à sanção presidencial, representa um avanço. Mas Omar sabe que o desafio é muito maior: impedir que a geografia amazônica continue sendo uma aliada involuntária do crime organizado.
Contra o pesadelo do Sisreg

Governador eleito, Omar Aziz já começou a movimentar as peças para enfrentar a interminável fila do Sisreg.
Em Brasília, acompanhado do senador Eduardo Braga e do deputado Adail Filho, reuniu-se com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e anunciou uma parceria com o governo federal para reduzir significativamente a espera por consultas, exames e procedimentos nos primeiros 100 dias de sua administração.
Padilha garantiu o apoio do presidente Lula, enquanto Braga prometeu reconstruir a rede estadual de saúde, colocando hospitais, maternidades, SPAs e policlínicas em ordem.
Folclórico UFC amazônico

Manaus está prestes a ganhar o que promete ser o UFC do século amazônico. Pelo menos na imaginação dos protagonistas.
Do plenário da Câmara Municipal, o vereador Allan Campelo (Podemos), 55 anos, desafiou Kidson Maia (PL) para um acerto físico de contas que, segundo o parlamentar, não precisaria ultrapassar cinco minutos.
Tudo começou depois de um gesto de degola atribuído a Kidson e dirigido à deputada Alessandra Campelo durante um debate eleitoral. Indignado, Allan, irmão de Alessandra, mandou o recado: que o adversário escolha hora e lugar, mas deixe a arma em casa. E garantiu que o faria “chamar a mamãe”.
O espetáculo já tem provocação, rivalidade e promessa de nocaute. Falta apenas combinar com Dana Frederick White, o chefão do UFC, conseguir um octógono e descobrir quem vai bancar o ingresso.
Enquanto isso, o eleitor, que paga o salário dos representantes, aguarda uma modalidade esportiva mais rara: a luta por soluções para os problemas de Manaus.
Centrão fecha porta na cara do PL

O PL, partido dos deputados eleitos Alfredo Nascimento e Sargento Salazar, poderá descobrir que tamanho não é documento, pelo menos na matemática do poder em Brasília.
Embora tenha conquistado 121 cadeiras e formado a maior bancada da Câmara, a legenda de Jair Bolsonaro corre o risco de ficar assistindo pela janela à distribuição dos espaços mais cobiçados da Casa.
A Federação Brasil da Esperança, integrada por PT, PCdoB e PV, articula uma aliança com partidos de centro que poderá reunir 328 dos 513 deputados, número suficiente para garantir maioria política e fortalecer a reeleição de Hugo Motta à presidência da Câmara.
Só com migalhas
O objetivo da Federação é assegurar governabilidade a Lula e conter o avanço do PL no comando legislativo.
Para Alfredo e Salazar, o recado é cristalino: na política, não basta chegar com a maior bancada. É preciso ter companhia na hora de dividir o bolo. E, pelo andar da carruagem, o PL corre o risco de ficar apenas com as migalhas.










