
O avanço do calendário rumo ao período de estiagem na região amazônica mobiliza ações preventivas na estrutura pública municipal de Manaus. A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), iniciou nesta quinta-feira, 16 de julho, a elaboração do plano de contingência voltado para as 48 escolas da rede municipal localizadas nas calhas dos rios Negro e Amazonas. Essas unidades escolares operam sob um regime de calendário diferenciado, com aulas iniciadas em janeiro e encerramento programado para outubro, justamente para mitigar o impacto do isolamento geográfico causado pela descida das águas.
A necessidade de planejar as ações com antecedência se baseia nas projeções climáticas para o segundo semestre. Com a expectativa de que o estado enfrente um período de seca severa semelhante ao registrado no ano de 2023, as medidas preventivas buscam assegurar a continuidade do ano letivo sem prejuízos pedagógicos ou riscos à integridade física de alunos e professores. O plano desenhado pelas equipes técnicas do município engloba estratégias estruturadas em três eixos principais de atuação
- As ações de suporte pedagógico focam na garantia do cumprimento dos dias letivos previstos na legislação antes que o nível dos rios inviabilize o transporte escolar
- As vistorias de infraestrutura avaliam as condições físicas das unidades de ensino e o armazenamento seguro de insumos
- O georreferenciamento mapeia os pontos críticos de assoreamento para traçar rotas alternativas de navegação e pontos de apoio às comunidades
Metas de atendimento
O planejamento projeta dar assistência direta a cerca de três mil famílias que residem nas comunidades ribeirinhas integradas à rota de atendimento das escolas municipais. O secretário municipal de Educação, Arone Bentes, destacou a importância de integrar o suporte educacional à assistência social básica para evitar a evasão escolar durante os meses mais críticos da vazante.
“Estamos aqui reunidos com a equipe Semed, seguindo uma determinação do prefeito Renato Junior, traçando o plano de estiagem da educação municipal que visa atender pelo menos três mil alunos em 48 escolas da zona ribeirinha da cidade de Manaus, tanto do rio Amazonas, quanto do rio Negro. A equipe traçou o plano e já executará a partir da próxima, com visitas in loco a cada escola, definindo metas pedagógicas e o plano de assistência que visa suprir as famílias com mantimentos e água potável”, afirmou Arone Bentes.
Desafio logístico
A distribuição de água potável e cestas de alimentos desponta como medida essencial para a permanência das famílias em suas respectivas localidades. Durante crises severas de estiagem, a locomoção de pequenos barcos, conhecidos popularmente como rabetas, fica completamente paralisada devido ao surgimento de extensos bancos de areia e lama. Essa barreira geográfica impede o acesso regular a poços artesianos e ao comércio de abastecimento da capital, tornando a comunidade inteiramente dependente do suporte do poder público.
As visitas técnicas em cada unidade escolar começam na próxima semana para validar as necessidades específicas de cada microrregião. A eficácia desse plano preventivo servirá como termômetro para a capacidade da gestão municipal em responder a extremos climáticos recorrentes, protegendo o direito constitucional à educação mesmo nos cenários geográficos mais desafiadores do território amazonense.
Fonte: ASCOM | Alexandre Abreu/Semed










