Turismo Turismo sustentável ganha espaço e aproxima visitantes da preservação da Amazônia

Turismo sustentável ganha espaço e aproxima visitantes da preservação da Amazônia

Marília Costa – Foto: Divulgação/ ASCOM

Viajar pela Amazônia pode ir muito além da contemplação de paisagens exuberantes e do contato direto com a natureza. Quando associado a práticas sustentáveis, o turismo também pode contribuir diretamente para a conservação da floresta, a valorização das comunidades locais e a conscientização dos visitantes.

A preocupação com a sustentabilidade tem ganhado cada vez mais espaço nas decisões dos turistas brasileiros. Segundo os dados do Relatório de Viagens e Sustentabilidade 2025 da Booking.com, 98% dos viajantes do Brasil demonstram interesse em fazer escolhas de viagem mais sustentáveis. Além disso, 69% afirmam que já mudaram hábitos de viagem com esse objetivo.

Para a empresária do setor hoteleiro Marília Costa, do Manati Lodge, os empreendimentos instalados na região possuem uma responsabilidade direta na construção e consolidação desse modelo.

“No Manati Lodge, sustentabilidade não é um conceito colocado à margem da operação, ela faz parte da própria experiência que oferecemos. Estamos inseridos em um dos ecossistemas mais importantes do planeta e entendemos que estar na Amazônia traz uma responsabilidade muito maior do que simplesmente receber visitantes”, afirma a hoteleira.

Vivência prática na selva

A proposta central do empreendimento é aproximar o turista da floresta por meio de atividades como trilhas ecológicas, canoagem, contemplação da fauna e visitas guiadas às comunidades, sempre mantendo o respeito rigoroso ao comportamento natural dos animais silvestres.

“Queremos que o hóspede saia da Amazônia não apenas com fotografias bonitas, mas compreendendo melhor por que essa floresta precisa permanecer viva”, destaca a executiva.

Operação e impacto ambiental

Dentro da operação diária do hotel, as ações de preservação e gestão ambiental incluem as seguintes frentes de atuação:

  • Compensação e neutralização das emissões de carbono em parceria com o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM).
  • Utilização de biodigestor para o tratamento de resíduos.
  • Reaproveitamento do óleo de cozinha para a produção de sabão.
  • Redução constante de materiais descartáveis.
  • Destinação adequada e controlada dos resíduos gerados.

O biodigestor instalado no local transforma resíduos orgânicos em biogás e biofertilizante, recursos que podem ser reaproveitados na própria operação do hotel.

“Conseguimos atuar em várias frentes simultaneamente, diminuímos a quantidade de resíduos que precisa ser descartada, reduzimos impactos associados à decomposição inadequada de matéria orgânica e ainda produzimos recursos reutilizáveis. É exatamente esse tipo de lógica circular que queremos ampliar dentro do Manati”, explica a gestora.

A sustentabilidade também orienta as escolhas do dia a dia. O óleo utilizado na cozinha é separado para a produção de sabão, enquanto as decisões de compra consideram os resíduos que cada produto poderá gerar futuramente.

“Existe um desafio particular quando se administra um empreendimento de selva, tudo aquilo que entra na floresta precisa ter uma estratégia de saída ou destinação adequada”, pontua Marília.

Inclusão e impacto comunitário

A relação integrada com as comunidades locais também faz parte dessa estratégia. Por meio do projeto “Manati do Bem”, o empreendimento desenvolve ações sociais com o objetivo de fortalecer a economia local e valorizar os conhecimentos tradicionais amazônicos.

A experiência do turista, segundo a empresária, funciona diretamente como um instrumento de educação ambiental durante toda a estadia.

“Existe uma diferença enorme entre conhecer a Amazônia através de uma tela e estar dentro dela. A floresta deixa de ser algo distante e passa a ter cheiro, som, dimensão, identidade e significado. É muito mais fácil querer proteger aquilo que aprendemos a conhecer e amar”, ressalta.

Estrutura adaptada à natureza

Os cuidados ambientais estão presentes em toda a infraestrutura de acesso ao rio, como o píer. A proposta é respeitar a dinâmica natural das águas, evitando intervenções desnecessárias e prevenindo a contaminação do ambiente aquático.

“Não queremos que a floresta se adapte ao hotel; é o hotel que precisa aprender a se adaptar à floresta”, declara a especialista.

Para a empresária, o desafio atual é avançar do turismo sustentável para uma perspectiva de turismo regenerativo, capaz de não apenas reduzir impactos negativos, mas de produzir resultados positivos e duradouros para o território.

“Preservar é essencial, mas precisamos ir além, fortalecer comunidades, gerar renda através da floresta em pé, recuperar áreas, educar visitantes, valorizar a cultura amazônica e criar uma rede de pessoas que se tornem defensoras desse território”, defende.

É a partir dessa visão de futuro que surge o conceito do programa “Guardiões da Floresta”, envolvendo colaboradores, comunidades e visitantes em uma corrente de proteção contínua.

“Minha missão como empresária do turismo amazônico é justamente essa, usar o turismo como uma ponte entre a floresta e o mundo. A Amazônia não é um lugar distante que precisa ser salvo por alguém. Ela é parte essencial da vida de todos nós, e protegê-la é uma responsabilidade compartilhada”, conclui Marília Costa.

 LD Comunicaçõe

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