
O turismo de safári no Pantanal se tornou uma das experiências mais autênticas de observação de animais em liberdade no planeta. A região atrai um fluxo contínuo de visitantes estrangeiros interessados em ver grandes mamíferos e aves raras. Enquanto destinos tradicionais na África do Sul, Quênia e Tanzânia ainda lideram o imaginário global, o bioma brasileiro ganha espaço ao unir biodiversidade rica, facilidade de acesso e projetos focados na conservação ambiental.
Rota global
A associação imediata da palavra safári aos países africanos começa a dividir espaço com o território sul-americano. O Brasil, impulsionado pelo Pantanal mato-grossense, desponta como uma alternativa estratégica para o mercado de ecoturismo internacional.
A área concentra uma das maiores densidades de fauna das Américas, permitindo o avistamento de espécies icônicas. Apesar desse reconhecimento externo, os operadores locais apontam que o público brasileiro ainda frequenta pouco a região.
“O Pantanal já é consolidado internacionalmente, mas ainda há um potencial enorme entre os brasileiros. Hoje, a maior parte dos visitantes desse tipo de turismo vem de fora”, afirmou o diretor da Pousada Piuval, Eduardo Eubank.
Grandes mamíferos
O diferencial do safári pantaneiro é a possibilidade real de encontrar animais de grande porte em suas rotinas naturais, sem a necessidade de deslocamentos exaustivos. A visibilidade aumenta consideravelmente durante a estação da seca, quando a vegetação baixa e a escassez de água concentram as espécies nas margens de rios e corixos.

- Onça-pintada, sendo o maior felino do continente e o principal símbolo local.
- Ariranha, que chama a atenção pelo comportamento social e brincalhão na água.
- Tamanduá-bandeira, com traços marcantes e alimentação especializada.
- Anta, classificada como o maior mamífero terrestre da América do Sul.
- Cervo-do-pantanal, animal adaptado ao deslocamento em áreas inundadas.
- Tatu-canastra, espécie rara e com hábitos que dificultam o avistamento.
- Puma, também conhecido como onça-parda, que mantém uma presença discreta.
Aves e réteis
A experiência na planície alagada vai além dos mamíferos, sendo considerada um paraíso para os observadores de aves. A variedade de plumagens e cantos transforma os passeios em atividades ricas em detalhes.
- Arara-azul-grande, voando em bandos e exibindo cores vibrantes.
- Tuiuiú, a ave monumental que representa oficialmente o bioma.
- Harpia, considerada uma das maiores e mais potentes aves de rapina do mundo.
- Colhereiro, que se destaca pela coloração rosa marcante nas lagoas.
- Urubu-rei, com traços exóticos e cabeça multicolorida.
- Urutau, famoso pela capacidade de camuflagem imitando galhos secos.
Nos ambientes aquáticos, a presença de répteis robustos complementa o cenário. É comum observar a sucuri-amarela em deslocamento pelas margens, além de grandes grupos de jacarés-do-pantanal que se aquecem ao sol nas praias de rio.
Turismo sustentável
A procura pelos safáris nacionais caminha lado a lado com modelos de negócios que integram turismo, produção científica e defesa do meio ambiente. Hotéis e pousadas instalados na região desenvolvem roteiros de mínimo impacto, transformando a atividade turística em suporte financeiro para a preservação.
“No Pantanal, o turismo deixou de ser apenas contemplativo. Ele passou a ser uma ferramenta concreta de preservação, gerando renda e protegendo espécies ameaçadas”, explicou Eduardo Eubank.
A estrutura hoteleira local apoia iniciativas de pesquisa como o Instituto IMPACTO, que desenvolve estudos e manejo sustentável dentro das propriedades. Essas ações ajudam a reduzir os conflitos históricos entre os predadores da fauna silvestre e as atividades de pecuária, além de monitorar o crescimento das populações nativas.
Experiência imersiva
A melhor forma de aproveitar o safári é escolher hospedagens inseridas na dinâmica da própria planície. Essa escolha otimiza o tempo de deslocamento para os passeios e permite acompanhar fenômenos naturais marcantes, como o amanhecer e o entardecer locais.
- Safáris fotográficos conduzidos em veículos abertos e adaptados para o terreno.
- Caminhadas guiadas por trilhas na mata de galeria e capões.
- Cavalgadas monitoradas para travessia de áreas cobertas por água.
- Navegação em barcos para aproximação de aves aquáticas e jacarés.
- Saídas noturnas focadas em registrar animais com hábitos de caça após o anoitecer.
A condução das atividades por guias locais assegura o cumprimento das normas de segurança e oferece uma interpretação rica sobre a ecologia da região. O crescimento dessa modalidade demonstra uma busca global por viagens mais conscientes, onde a valorização da floresta em pé se consolida como um ativo econômico indispensável para o desenvolvimento regional.
SERVIÇO
- Local: Poconé (MT), Pantanal Norte
- Como chegar: Acesso via Cuiabá (MT), seguido pela Transpantaneira (cerca de 100 km)
- Hospedagem: Pousada Piuval
- Média de valores: Pacotes a partir de R$ 1.500 a R$ 3.500 por pessoa (variável por tipo de quarto escolhido e temporada e duração), com pensão completa
- Atividades opcionais: Safáris diurnos e noturnos, trilhas, cavalgadas e passeio de barco para a observação de fauna
- Site: https://pousadapiuval.com.br/
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