
A possível inclusão do Teatro Amazonas e do Theatro da Paz na Lista do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) coloca a Região Norte em posição estratégica no cenário cultural global.
A candidatura conjunta, intitulada “Teatros da Amazônia”, passará por avaliação do Comitê do Patrimônio Mundial durante a 48ª sessão do órgão, realizada em Busan, na Coreia do Sul.
O título representa uma chancela internacional de autenticidade e valor histórico incontestável, além de projetar a arquitetura e a identidade amazônica para o mundo.
A conquista do selo internacional, no entanto, traz responsabilidades que vão além da celebração.
O reconhecimento da instituição impõe o compromisso de manter políticas permanentes de preservação e conservação.
Estudos regionais apontam que o título funciona como um sinalizador de qualidade para o viajante, despertando o interesse de quem busca turismo cultural de experiência.
Desafios do setor cultural
A visibilidade internacional, isoladamente, não garante o aumento do fluxo de visitantes ou a prosperidade econômica automática.
A transformação do selo em benefícios sociais e financeiros depende de uma rede integrada de infraestrutura, capacitação profissional e investimentos contínuos.
A experiência de outros municípios brasileiros exemplifica essa dualidade:
- Exemplo de integração: Congonhas, em Minas Gerais, criou o Museu de Congonhas junto ao acervo dos Profetas de Aleijadinho e atraiu mais de 150 mil visitantes em um ano.
- Alerta sobre gestão: A Cidade de Goiás, em Goiás, recebeu o título em 2001, mas enfrentou dificuldades para se consolidar no mapa turístico nacional por falta de investimentos contínuos em serviços e estrutura.
A diferença entre o sucesso e a estagnação reside no planejamento estratégico de longo prazo do poder público.
Estratégia e políticas públicas
O ex-presidente da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), Jender Lobato, defende que a chancela deve vir acompanhada de diretrizes claras para a economia local.
“O Teatro Amazonas já é um equipamento cultural conhecido internacionalmente. Com o reconhecimento da Unesco, ele ganha ainda mais relevância e desperta o interesse de visitantes que buscam experiências culturais”, afirma Jender Lobato.
Para o gestor, o momento exige ações concretas das gestões públicas.
“O reconhecimento da Unesco é um convite para que o mundo conheça ainda mais o Amazonas. Mas ele precisa ser acompanhado de planejamento. É necessário fortalecer a promoção turística, valorizar nossos equipamentos culturais, qualificar os serviços e integrar cultura, turismo e economia criativa para que esse reconhecimento se transforme em emprego, renda e oportunidades para a população”, afirma Lobato.
Com trajetória na gestão pública, o advogado e gestor cultural, pré-candidato a deputado estadual, ressalta a urgência de encarar a cultura como vetor de desenvolvimento socioeconômico para a população local.
Futuro do turismo amazônico
Caso a candidatura seja aprovada, o Estado do Amazonas terá uma oportunidade histórica para estruturar sua cadeia produtiva do turismo cultural. A decisão final em Busan definirá o status formal do monumento, mas o verdadeiro impacto da conquista dependerá da capacidade local de articular preservação patrimonial, promoção do destino e geração de emprego.
Fonte: ASCOM | Clara Toledo










