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Sonho da casa própria chega para centenas de famílias mas tamanho da fila preocupa Manaus

Foto: João Viana/Semcom

A entrega das chaves dos residenciais Morar Melhor 13 e 14, ocorrida nesta quinta-feira, dia 28 de maio, encerra um ciclo importante para 576 famílias na Zona Oeste de Manaus.

Ao transferir os últimos 384 documentos no bairro Tarumã-Açu, a Prefeitura de Manaus, sob a gestão do prefeito Renato Junior, consolida um projeto habitacional erguido em parceria com o governo federal.

A presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última terça-feira, dia 26 de maio, para abrir o residencial Morar Melhor 15, já desenhava o peso político que a habitação popular ganhou neste ano.

O evento foi realizado na escola municipal Professor Paulo Graça, no Parque das Laranjeiras, onde os novos moradores também assinaram os contratos de água e luz com direito à tarifa social.

O diferencial logístico prometido pela administração municipal é que a mudança, agendada para a próxima semana, incluirá a entrega dos apartamentos já mobiliados.

Trata-se de uma jogada de forte apelo social e humanizado, desenhada para impactar de imediato a vida de quem antes sobrevivia em abrigos, áreas de risco ou sofria com aluguéis que sufocavam o orçamento familiar.

Histórias reais

Por trás das estatísticas governamentais, o que realmente dá tom ao programa são os relatos de quem deixou para trás anos de completa instabilidade.

O projeto atinge diretamente mães solo e famílias vulneráveis que enfrentaram décadas de espera na fila da casa própria.

  • A moradora Márcia Jorge relatou que a conquista encerra mais de 15 anos de luta por sobrevivência em ocupações, invasões e abrigos de Manaus.
  • Celinalva Rocha confessou que chegou a desconfiar do aviso de contemplação devido ao longo tempo decorrido desde a sua inscrição original.
  • Luciana Munduruku relembrou o passado doloroso em que precisava proteger os filhos da chuva dormindo no chão sobre plásticos.

A Secretaria Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Semhaf) anunciou que o suporte não termina com a entrega das chaves.

O secretário Júnior Nunes informou que a pasta executará um plano de pós-ocupação com duração de um ano, promovendo palestras de convivência em condomínio e oficinas voltadas ao empreendedorismo para os novos moradores.

Déficit habitacional

Se por um lado a celebração das mais de duas mil pessoas beneficiadas é legítima, por outro, a realidade do déficit habitacional na capital amazonense exige um olhar crítico e sem ilusões.

A própria prefeitura confirmou a prorrogação das inscrições para o programa “Minha Casa, Minha Vida” até o dia 30 de junho, revelando que o sistema já ultrapassou a assustadora marca de 300 mil cadastrados na Faixa 1, voltada para quem ganha até R$ 3,2 mil.

Esse abismo entre os milhares de imóveis entregues e as centenas de quaisquer pessoas na fila evidencia que a política habitacional precisa acelerar o passo.

A promessa do prefeito de construir mais 576 unidades na Zona Oeste é um avanço necessário, mas que ainda arranha a superfície de um problema histórico de crescimento urbano desordenado.

Para quem ainda busca uma oportunidade, o cadastro para as novas vagas deve ser feito pelo site oficial (simhab.manaus.am.gov.br) ou de forma presencial diretamente na sede da Semhaf, localizada na zona oeste da capital.

O desafio de moradia em Manaus continua sendo uma corrida contra o tempo onde cada chave entregue conta, mas o tamanho da fila é o que realmente dita o tamanho da urgência.

Fonte: ASCOM | Geraldo Farias e Jéssica Fernandes

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