Itacoatiara Bolsas impulsionam pesquisas que podem transformar a saúde de ribeirinhos e quilombolas...

Bolsas impulsionam pesquisas que podem transformar a saúde de ribeirinhos e quilombolas no Amazonas

Foto: Divulgação

Três projetos de pesquisas científicas voltados para a investigação da saúde de moradores nos municípios de Manacapuru, Itacoatiara e Novo Airão conquistaram apoio financeiro por meio de bolsas de incentivo.

Os trabalhos serão executados por docentes e acadêmicos da Afya Faculdade de Ciências Médicas e integram o programa “Afycionados por Ciência 2026”, que selecionou 40 iniciativas em todo o país.

O ciclo de pesquisas terá duração de dez meses, promovendo o desenvolvimento de estudos focados nas particularidades amazônicas.

Na unidade de Itacoatiara, a professora Thaiana Bezerra Duarte orientará a estudante Patricia Lohanna Aguiar de Medeiros Cursino, do sexto período de Medicina, no estudo sobre o Índice Municipal de Vulnerabilidade Sanitária à Estiagem em municípios com arranjos assistenciais fluviais e ribeirinhos do Amazonas.

O objetivo central é compreender de que maneira as secas extremas afetam o acesso dessa população aos serviços públicos essenciais de saúde.

A proposta busca formular uma ferramenta inédita capaz de mapear as localidades mais frágeis, considerando fatores como exposição hidroclimática e capacidade de resposta da rede pública.

A pesquisadora ressalta que as estiagens registradas em 2023 e 2024 escancararam a necessidade de dados precisos para orientar o planejamento prévio da Atenção Primária à Saúde.

“As secas de 2023 e 2024 evidenciaram a magnitude desse problema, com ampla repercussão territorial nos municípios amazonenses, comprometendo o acesso aos serviços, o abastecimento hídrico, as condições de saneamento e a prevenção de agravos sensíveis às condições ambientais. Apesar disso, ainda são escassos instrumentos capazes de representar, em escala municipal, a interação entre exposição hidroclimática, fragilidade territorial, susceptibilidade sanitária e capacidade institucional em municípios com arranjos assistenciais fluviais e ribeirinhos”, afirmou Thaiana Bezerra Duarte.

Contaminação da água

Em Manacapuru, o projeto liderado pela professora Nadielle Castro Pereira e desenvolvido pela aluna Angela Lúcia Falcão de Oliveira propõe a criação de um biossensor portátil para monitorar a qualidade da água extraída de poços artesianos particulares em comunidades rurais.

A iniciativa surgiu após estudos anteriores na comunidade do Calado revelarem a presença de coliformes fecais e ausência de tratamento hídrico em poços caseiros, provocando quadros frequentes de diarreias severas.

A tecnologia desenvolvida ficará instalada no poço e transmitirá dados em tempo real sobre parâmetros de contaminação, cloro e pH diretamente para telefones celulares.

A comunidade participante será selecionada com base nas estatísticas de infecções da Vigilância Epidemiológica local.

“Na época, detectamos na análise da água a presença de coliformes fecais, totais, alteração de cloro. Esses poços, que são construídos por conta própria pelos moradores, não recebem tratamento. Esse biossensor que vamos construir vai ficar lá, dentro do poço e, em tempo real vai enviar para o celular o PH, o cloro e o nível de contaminação. Vamos ficar acompanhando e comparando com a análise do Vigiágua. Se a água apresentar alteração, o próprio morador poderá entrar em contato com o Vigiágua para que eles possam ir lá fazer o tratamento da água. Assim, vamos conseguir diminuir os casos de diarreia e infecções parasitárias que têm em Manacapuru e que são altíssimos”, detalhou Nadielle Castro Pereira.

Saúde em comunidades quilombolas

A terceira pesquisa contemplada pela instituição em Manacapuru investigará o risco de Doença Renal Crônica em comunidades remanescentes de quilombos localizadas no município de Novo Airão. A investigação tem a orientação da professora Joana Maria Borges de Freitas e será conduzida pela aluna Geysa Claudio de Souza, do quinto período de Medicina.

O estudo analisará as barreiras enfrentadas por essa população no manejo de doenças crônicas como hipertensão e diabetes, com foco na equidade e no combate ao racismo institucional no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

  • Identificação dos obstáculos no percurso até o atendimento médico.
  • Cálculo dos riscos de desenvolvimento de problemas renais graves.
  • Proposta de ações práticas de prevenção voltadas às populações tradicionais.

“A expectativa é que as descobertas ajudem a criar ações práticas de prevenção, melhorem o atendimento oferecido pelo SUS e facilitem o acesso a exames importantes para quem mais precisa. Eles ganham experiência real ao analisar dados médicos, conversar com os moradores e entender como a realidade social e o racismo institucional afetam diretamente a saúde das pessoas. Esse contato direto ajuda a preparar futuros médicos mais humanos, atentos e preparados para assistir a população com base na equidade e responsabilidade no cuidado em saúde às populações vulnerabilizadas da região amazônica”, concluiu a professora Joana Maria Borges de Freitas.

Três Comunicação e Marketing

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