Eirunepé Ribeirinhos em Eirunepé deixam de viajar três dias para conseguir atendimento médico

Ribeirinhos em Eirunepé deixam de viajar três dias para conseguir atendimento médico

Foto: Lucas Bonny

Instalado a mais de 1.200 quilômetros de Manaus, um novo ponto de atendimento na Reserva Extrativista (RESEX) do Rio Gregório chega para mudar a realidade de quem vive na ponta do mapa, quase na divisa com o Acre. O Ponto de Atendimento à Saúde “José Rodrigues”, localizado na comunidade do Ubim, em Eirunepé no Amazonas, foi inaugurado recentemente e já atende mais de 30 comunidades ribeirinhas. A estrutura beneficia 990 pessoas, sendo 59 moradores do Ubim e cerca de 930 habitantes de outras áreas da reserva.

A iniciativa integra o programa “Juntos Contra a Pobreza” e o projeto “SUS na Floresta”, desenvolvido pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS). O trabalho é financiado pela Vale e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), sob gestão do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), em parceria com a Prefeitura de Eirunepé, a Secretaria Municipal de Saúde e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (SEMA). O investimento total para a infraestrutura e suporte de telessaúde foi de R$ 2 milhões.

Barreira logística

Para chegar à sede de Eirunepé, os moradores dependem exclusivamente do transporte fluvial. Saindo da comunidade do Ubim, o trajeto até a cidade pode levar oito horas em lanchas rápidas, mas nas embarcações regionais usadas pela maioria, a viagem dura até três dias. Esse tempo aumenta em períodos de estiagem severa, quando bancos de areia e troncos tornam a navegação lenta, imprevisível ou impossível.

O custo do deslocamento e as despesas com alimentação faziam com que consultas não urgentes fossem adiadas ao limite.

“Antes, o atendimento era muito difícil, porque a gente não tinha meio de transporte para a cidade, e eram raras as pessoas que iam. Então, fazíamos o que estava ao nosso alcance, usávamos um remédio caseiro ou pedíamos ajuda ao vizinho. Quando falaram que ia ter esse ponto, a comunidade se preparou para abraçar essa oportunidade”, afirma Dionilson Mota, morador da comunidade Ubim.

Retrato da saúde

Hoje, o cuidado básico na região depende principalmente de equipes itinerantes e da Unidade Básica de Saúde Fluvial (UBSF) que navega periodicamente. Como essas ações ocorrem em média a cada quatro meses, o acompanhamento contínuo é difícil. Pela metodologia do programa, a FAS identificou três privações críticas na região.

  • Pré-natal com início tardio onde apenas 40% das gestantes fazem o acompanhamento adequado.
  • Saúde da criança com acompanhamento irregular do crescimento e vacinação na primeira infância.
  • Doenças crônicas com 29 pessoas diagnosticadas com hipertensão enfrentando dificuldades para controle e acesso a remédios.

“Desde 2020, acompanhamos todo o processo e as dificuldades do enfrentamento à Covid-19 no território. Diante disso, decidimos que seria importante contar com pontos que apoiassem um atendimento digno e adequado para a população”, destaca Mickela Souza, gerente do programa “Saúde na Floresta” da FAS.

Estrutura tecnológica

O ponto de atendimento conta com consultório multiprofissional para consultas presenciais e teleatendimentos. A estrutura inclui dispensação de medicamentos, sala de triagem para classificação de risco, consultório odontológico equipado para pequenos procedimentos, dormitório para profissionais e internet para telemedicina. Isso permite que especialistas em Eirunepé apoiem o atendimento à distância, ampliando a capacidade de resolução no próprio território.

O modelo de funcionamento combina a presença permanente de uma técnica de enfermagem no Ubim com missões periódicas de médicos e dentistas, que permanecem 15 dias a cada dois meses. A telessaúde assegura o seguimento dos casos entre uma missão e outra.

Combate à pobreza

O impacto esperado inclui a redução de viagens longas e a melhoria do perfil epidemiológico da região. A Vale mantém o compromisso de apoiar a saída de 500 mil pessoas da extrema pobreza através de uma abordagem multidimensional validada pela Universidade de Oxford. O programa monitora o Índice de Pobreza Multidimensional (IPM) em cinco dimensões, que são renda, educação, saúde, nutrição e infraestrutura.

“O Juntos Contra a Pobreza foi concebido como uma rede de parceiros, públicos e privados, atuando coletivamente para que as políticas públicas cheguem efetivamente em quem mais precisa”, afirma Flavia Constant, diretora de Investimento Social Privado Vale.

A gerente de Amazônia e Parcerias do Fundo Vale, Márcia Soares, reforça que o projeto ajuda as famílias a terem dignidade nos seus territórios.

“Precisamos proteger as pessoas que protegem a Amazônia”, diz Márcia.

Up Comunicação Inteligente

 

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.