
O anúncio de aportes bilionários no Polo de Urucu, chegando a mais de R$ 7 bilhões, reacende a expectativa de expansão da produção de petróleo e gás, atividade que continua sendo uma das mais importantes para a economia amazonense.
A promessa inclui novos poços, ampliação da produção e fortalecimento da infraestrutura operacional.
Agora, o desafio será transformar anúncio em execução. O histórico da região recomenda cautela: entre o discurso e a perfuração do primeiro poço, costuma haver um longo caminho. Ainda assim, a notícia recoloca o Amazonas no centro das atenções energéticas do país.
Transpetro aposta na logística amazônica
A decisão da Transpetro de construir 18 novas barcaças para transporte de combustíveis representa um dos maiores investimentos recentes na logística fluvial da Amazônia.
Em uma região onde rios funcionam como estradas, qualquer melhoria no transporte tem impacto direto no abastecimento, nos custos operacionais e até no preço final dos produtos.
O investimento mostra que Brasília finalmente percebeu uma realidade conhecida pelos amazonenses: sem logística eficiente não existe desenvolvimento regional. Resta saber se as embarcações chegarão às águas amazônicas antes que a burocracia atrase a viagem.
Continência obrigatória no PL

Uma barulhenta entrevista do deputado estadual Cabo Maciel produziu um efeito impactante dentro do Partido Liberal (PL). Ao afirmar que quem chegou depois dele ao partido deve “prestar continência”, o deputado deixou claro que, na sua visão, existe uma fila de comando muito bem definida na legenda: primeiro Alfredo Nascimento, depois ele.
O detalhe é que, no mesmo discurso, as pré-candidaturas majoritárias do partido praticamente desapareceram do radar. Nem a empresária Maria do Carmo nem o deputado federal Capitão Alberto Neto receberam menção especial. Para quem busca transmitir unidade, o recado soou mais como um ajuste de hierarquia.
Crise de comando é evidente
Enquanto o PL tenta vender a imagem de organização para 2026, os sinais internos apontam para uma disputa silenciosa de poder. A declaração de Cabo Maciel reforçou a percepção de que o comando político do partido continua concentrado no grupo histórico liderado por Alfredo Nascimento.
O problema é que campanhas majoritárias costumam exigir mais do que disciplina partidária. Exigem protagonismo. E, por enquanto, a pré-candidatura de Maria do Carmo parece enfrentar o desafio de convencer o eleitorado de que não precisará pedir autorização para cada movimento.
Uma independência supervisionada?

Ao responder às declarações de Valdemar Costa Neto sobre a liderança de Alfredo Nascimento no PL do Amazonas, Maria do Carmo Seffair procurou demonstrar tranquilidade. Disse que respeita a hierarquia partidária, mas que isso não interfere em sua autonomia política.
A explicação foi didática. O problema é que, em política, quanto mais alguém precisa explicar que é independente, mais surgem dúvidas sobre o tamanho dessa independência.
A fala de Maria acabou alimentando um debate que o partido tentava justamente evitar.
Procura-se um vice
Entre uma explicação sobre hierarquia e outra sobre autonomia, Maria do Carmo revelou que a escolha do candidato a vice no PL deve ocorrer até o final de junho.
O anúncio confirma que a chapa majoritária ainda está em construção. Em ano pré-eleitoral, é normal. Mas também evidencia que, apesar da festa de lançamento, algumas peças importantes do quebra-cabeça continuam fora do tabuleiro.
OAB inicia corrida pelo Quinto

A disputa pela vaga de desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) entrou na reta decisiva. Pela primeira vez, o processo reserva espaço equilibrado para homens e mulheres na formação da lista que será encaminhada ao governador.
Entre as candidatas estão ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), criminalistas, professoras universitárias e até uma ex-integrante do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM).
O nível da disputa demonstra que a advocacia amazonense possui nomes qualificados e trajetórias consolidadas. Agora começa a fase em que currículo, articulação e capacidade de mobilização passam a caminhar juntos.
Universidade indígena distante

A criação da primeira Universidade Federal Indígena do Brasil é uma conquista histórica dos povos originários. O detalhe que chamou atenção foi a definição da sede em Brasília.
Especialistas lembram que o Amazonas reúne aproximadamente 490 mil indígenas, quase 29% de toda a população indígena brasileira, além de abrigar uma das maiores diversidades étnicas do país.
Sob o critério populacional e territorial, poucos estados teriam argumentos tão fortes para sediar a instituição.
Centralização em Brasília
Os defensores da sede da Universidade Indígena em Brasília alegam facilidade administrativa e proximidade com órgãos federais.
A princípio, faz sentido. Mas a decisão também alimenta uma pergunta inevitável: por que a principal universidade indígena do país não terá sua sede justamente na região onde vivem mais indígenas?
Ao menos o Amazonas foi contemplado com um campus. Para muitos estudiosos da questão indígena, porém, a floresta perdeu uma oportunidade de sediar uma instituição que nasceu para valorizar os saberes dos povos originários.










