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Projeto da UFAM amplia o olhar sobre as oportunidades econômicas e sociais do Médio Amazonas

Pesquisadores da UFAM descobrem novas potencialidades em municípios do Médio Amazonas - Fotos: Tanair Maria

Por Tanair Maria

Pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) apresentaram os resultados do estudo “Mapa de Potencialidades Territoriais“, levantamento que identificou vocações econômicas, desafios e oportunidades para o desenvolvimento de quatro municípios do Médio Amazonas. A pesquisa foi realizada em Silves, Itapiranga, São Sebastião do Uatumã e Urucará, integra o projeto “Atlas ODS Amazônia 2026“, desenvolvido em parceria com o “Instituto Acariquara“, e contou com o apoio da Eneva.

O estudo reúne dados oficiais, análises de campo e uma ampla escuta da população local, envolvendo moradores, lideranças comunitárias e representantes do poder público. A versão completa da pesquisa será publicada em formato de livro, com lançamento previsto para o fim de agosto.

Ao longo do levantamento, os pesquisadores analisaram indicadores ligados à educação, infraestrutura, economia, organização comunitária, sociobiodiversidade e às potencialidades territoriais, oferecendo um diagnóstico que poderá orientar políticas públicas e investimentos voltados ao desenvolvimento sustentável da região.

Parcerias fortalecem pesquisa

O diretor-executivo do Instituto Acariquara, Waldemar Vasconcelos, destacou que a união entre universidade, organizações da sociedade civil e instituições parceiras é fundamental para ampliar o alcance da pesquisa em outros municípios da Amazônia Legal.

Segundo ele, o papel do Instituto é construir esse conhecimento ouvindo quem vive nos territórios.

“O Instituto Acariquara é uma organização da sociedade civil. Nosso papel é ouvir a base e buscar parcerias. Essa parceria com a Universidade Federal do Amazonas, por meio do Atlas ODS Amazônia, é extremamente importante porque qualifica as informações produzidas.”

Vasconcelos explicou que a próxima etapa será captar novos parceiros para ampliar a metodologia utilizada no estudo.

“Queremos levar esse modelo para outros territórios da Amazônia Legal e garantir que todas as informações retornem às comunidades e também aos gestores públicos responsáveis pelas políticas de desenvolvimento. Esperamos que as organizações representativas continuem contribuindo conosco, porque esse estudo não termina aqui.”

Escuta da população

A professora e pesquisadora da UFAM Suzi Pedrosa ressaltou que esta é a primeira vez que o Atlas ODS Amazônia incorpora uma metodologia baseada na escuta direta da população.

Ela explicou que, desde 2019, o projeto utilizava exclusivamente dados secundários produzidos por órgãos oficiais, como bases estatísticas do governo.

“O Atlas ODS Amazônia sempre trabalhou com dados oficiais, analisados por uma metodologia própria desenvolvida dentro do projeto. Isso permitia avaliar a situação dos municípios em relação aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.”

De acordo com a pesquisadora, o novo levantamento representa uma inovação metodológica ao incluir a percepção dos moradores sobre seus próprios territórios.

“Foi a primeira vez que ouvimos gestores, presidentes de associações, representantes da sociedade civil e cidadãos dos municípios pesquisados. Escolhemos uma metodologia baseada na escuta qualificada para compreender como essas pessoas enxergam as potencialidades e os desafios das suas comunidades.”

Voz dos moradores

O coordenador da pesquisa, Danilo Barbosa, afirmou que ninguém conhece melhor as necessidades e potencialidades de um município do que quem vive diariamente naquela realidade.

Segundo ele, ouvir essas pessoas permite identificar oportunidades muitas vezes ignoradas pelas políticas públicas.

“Conversar com quem mora nos municípios mostra que essas potencialidades sempre existiram. Muitas vezes falta apenas que a gestão pública desenvolva o hábito de ouvir a população para fortalecer aquilo que realmente funciona. São essas pessoas que conhecem o território, vivem seus desafios e sabem onde estão as melhores oportunidades de desenvolvimento.”

Contrastes revelados

Durante a apresentação dos resultados, os pesquisadores destacaram diversos contrastes encontrados nos municípios analisados.

Entre eles, chama atenção o elevado índice de escolarização. Em todos os quatro municípios pesquisados, a taxa supera 97%, indicando que praticamente todas as crianças e adolescentes estão frequentando a escola.

Por outro lado, persistem problemas históricos relacionados ao saneamento básico.

Durante o período da vazante dos rios, muitas comunidades passam a consumir água com menor qualidade, aumentando os casos de doenças de veiculação hídrica, especialmente diarreia.

Outro dado relevante apresentado pelo estudo mostra que, segundo informações oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 55 municípios da Amazônia dependem fortemente de recursos do Governo Federal para movimentar suas economias.

Em muitos casos, a principal fonte de renda da população está ligada ao serviço público municipal ou a programas sociais, como o Cadastro Único e o Bolsa Família.

Potencial econômico

Além dos desafios, o estudo identificou ativos econômicos e sociais que podem impulsionar o desenvolvimento sustentável da região.

Silves

  • Avanço da agroindústria.
  • Expansão de poços artesianos para fortalecer a produção rural.
  • Estruturação da Secretaria Municipal de Turismo.

Urucará

  • Produção de guaraná orgânico certificado com mercado consumidor fora do estado.
  • Fortalecimento da Agrofrut.
  • Desenvolvimento da agropesca.

Itapiranga

  • Crescimento da cadeia produtiva do tucumã.
  • Políticas voltadas ao atendimento da população idosa.

São Sebastião do Uatumã

  • Incentivo às pousadas autogeridas.
  • Grande potencial para o turismo de base comunitária.
  • Belezas naturais capazes de ampliar a geração de emprego e renda.

Segundo os pesquisadores, essas vocações econômicas ainda são pouco exploradas, mas possuem elevado potencial para fortalecer a economia local e promover um desenvolvimento sustentável baseado nas características de cada território.

Atlas ODS Amazônia

O Atlas ODS Amazônia é um projeto desenvolvido pela Universidade Federal do Amazonas que acompanha os indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela Organização das Nações Unidas.

A iniciativa utiliza dados oficiais para medir o desempenho dos municípios do Amazonas e da Amazônia Legal em áreas como:

  • Saúde.
  • Educação.
  • Economia.
  • Infraestrutura.
  • Meio ambiente.
  • Desenvolvimento social.

Nesta edição, o projeto ampliou sua metodologia ao incorporar a escuta direta das comunidades, oferecendo uma visão mais completa da realidade amazônica. Os resultados serão consolidados em uma publicação oficial, prevista para os próximos meses, reunindo todas as análises do Atlas ODS Amazônia 2026.

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