
Garantir dignidade para quem trabalha sob o sol recolhendo o lixo reciclável da cidade é um passo decisivo para transformar a sustentabilidade urbana em realidade no Amazonas. Em reunião realizada na quarta-feira (21/10), na sede do Executivo municipal, dirigentes do Sebrae Amazonas (Sebrae-AM) e da Prefeitura de Manaus alinharam ações estratégicas do “Projeto Pró-Catadores”.
O encontro marcou o avanço na criação de um comitê gestor, no diagnóstico da coleta seletiva e na busca por soluções estruturais para apoiar associações e cooperativas que atuam na capital amazonense.
A iniciativa busca estruturar a atuação das quatro cooperativas e cinco associações de catadores que participam do “Projeto Pró-Catadores” em 2026, reunindo as seguintes entidades no projeto:
- Cooperativa Aliança
- Cooperativa de Trabalho de Catadores de Materiais Recicláveis do Amazonas (AMAR)
- Eco Cooperativa
- Coopcamare
- Associação de Reciclagem e Preservação Ambiental (ARPA)
- Associação de Catadores de Materiais Recicláveis e Reaproveitáveis (ACMARR)
- Associação de Catadores Filhos de Guadalupe do Amazonas (ASCAFIGUAMA)
- Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Manaus (ASCARMAN)
- Nova Recicla
Para organizar o trabalho conjunto, ficou acertado o início da formalização do Comitê Gestor do “Pró-Catadores” por meio de portaria, considerada o caminho mais ágil para articular os órgãos. O Sebrae Amazonas (Sebrae-AM) enviará o pedido oficial para a Secretaria Municipal do Trabalho, Empreendedorismo e Inovação (Semtepi) para dar andamento aos trâmites legais.
“Nosso objetivo é ajudar essas organizações a se fortalecerem, tanto na gestão quanto nas condições de trabalho. Os catadores têm um papel fundamental na reciclagem e na sustentabilidade da cidade. Quando aproximamos as instituições e construímos soluções em conjunto, criamos mais oportunidades para que esses trabalhadores sejam valorizados e tenham melhores condições de desenvolver suas atividades”, afirmou Eliene Freitas, gestora estadual do “Projeto Pró-Catadores” pelo Sebrae Amazonas (Sebrae-AM).

União entre órgãos municipais
Além do comitê, a proposta inclui a criação de um Grupo de Trabalho com representantes titulares e suplentes de secretarias municipais ligadas ao setor. Participaram das discussões iniciais o subsecretário de Gestão da Secretaria Municipal de Finanças (Semef), Alain Costa, a diretora de Área de Administração e Finanças da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp), Simone Miranda Moreira, o diretor-presidente da Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados do Município de Manaus (Ageman), Ebenezer Albuquerque Bezerra, e um representante da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Mudança do Clima (Semmasclima).
Essa estrutura de governança visa acompanhar de perto a execução do “Pró-Catadores” na capital e garantir a continuidade das metas após o ano de 2026, com a possibilidade futura de consolidação via decreto. Parallelamente, será elaborado um diagnóstico completo sobre a coleta seletiva em Manaus para levantar dados operacionais, administrativos e de infraestrutura com o apoio da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp).
Luta pela estrutura adequada
A precariedade dos galpões de reciclagem e a burocracia para a regularização dos imóveis figuram como gargalos históricos para a categoria. Durante o encontro, as lideranças definiram os seguintes passos para superar os desafios do setor:
- Avaliação individual da situação cadastral e de segurança de cada imóvel utilizado pelos catadores;
- Articulação com o Ministério Público do Amazonas (MPAM) para destravar pendências de regularização;
- Mapeamento de imóveis públicos vagos que possam ser cedidos para as atividades das cooperativas;
- Retomada de parcerias com a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC) focando em programas de logística reversa.
“Esse diálogo é importante porque a coleta seletiva envolve diferentes áreas da Prefeitura e precisa de soluções construídas em conjunto. Queremos entender melhor os desafios e buscar caminhos que tornem o serviço mais eficiente, ao mesmo tempo que valorizem o trabalho dos catadores e contribuam para uma cidade mais sustentável”, afirmou Alain Costa, subsecretário de Gestão da Secretaria Municipal de Finanças (Semef).
Contratos de serviços ambientais
Outro avanço relevante debatido na reunião envolve o aprimoramento dos modelos de contratação dessas entidades pelo poder público. A meta é estabelecer contratos formais que reconheçam catadores e cooperados como prestadores de serviços ambientais prestados ao município, garantindo metas transparentes, fiscalização e remuneração justa pelo impacto positivo gerado ao meio ambiente da capital.
Fonte: ASCOM | Sebrae Amazonas










