
Executivos das empresas Tutiplast Indústria e Comércio Ltda., Transportes Bertolini e da Educação Profissional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI Amazonas) compartilharam orientações e vivências práticas com estudantes nesta terça-feira, dia 20 de outubro de 2026. O painel integra o evento “Conexão Carreira Indústria 2026”, realizado no Auditório Profº Arivaldo Silveira Fontes, localizado na Escola SENAI Antônio Simões.
Organizado pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL Amazonas), o encontro aproximou alunos, especialistas em educação e representantes do setor produtivo. A mediação ficou a cargo da superintendente do IEL Amazonas, Andrea Guerra. O debate reuniu o gerente de Educação Profissional do SENAI Amazonas, José Nabir Oliveira, o gerente de Recursos Humanos (RH) da Tutiplast Indústria e Comércio Ltda., Jonivaldo Miranda, e o assessor da Presidência da Transportes Bertolini, Fabio Gobeth.
A finalidade principal do evento concentrou-se em orientar jovens que buscam a primeira colocação profissional ou planejam construir trajetória no setor produtivo.
Entre as pautas centrais abordadas estavam:
- As oportunidades de ingresso nas empresas;
- A relevância da qualificação profissional;
- As atitudes mais valorizadas nos processos seletivos;
- As transformações provocadas pela Inteligência Artificial (IA).
Oportunidades além da experiência

Durante as conversas, os palestrantes enfatizaram que a ausência de bagagem anterior não precisa ser uma barreira para quem está começando. Segundo a superintendente Andrea Guerra, o obstáculo mais frequente é a falta de informação dos próprios estudantes a respeito das possibilidades existentes na indústria.
“Muitas vezes, o jovem não conhece as oportunidades que tem ali, ou busca entrar na indústria em uma posição ou atividade que não necessariamente é aquela de que a indústria está precisando. Sendo que a indústria muitas vezes desenvolve o seu profissional. Então, ele entra como técnico e, a partir daí, vai se desenvolvendo”, explicou Andrea Guerra.
A superintendente do IEL Amazonas também ressaltou que existem diferentes caminhos para iniciar uma carreira, como os programas de aprendizagem e os cursos técnicos. Para ela, conhecer essas possibilidades ajuda os estudantes a identificar oportunidades compatíveis com sua formação e a compreender que o crescimento profissional é um processo construído ao longo do tempo.
“A indústria, na entrada, não busca a experiência; ela busca a vontade do jovem, o jovem querer trabalhar, querer aprender, ter aquela vontade de se desenvolver. Esse é o principal canal para entrada no mercado de trabalho dentro da indústria”, afirmou.
Formação técnica e adaptação
Nesse contexto, a formação profissional aparece como uma das principais portas de entrada. O gerente José Nabir Oliveira explicou que a formação técnica do SENAI Amazonas busca acompanhar as necessidades do setor produtivo e preparar os alunos para as mudanças que ocorrem nas atividades diárias.
“A questão de flexibilidade, adaptação ao mundo do trabalho, é uma qualidade pessoal, uma competência socioemocional que a escola precisa olhar também na structure de formação dos alunos, para que a gente consiga mobilizar capacidades no processo de formação e contribuir para que, quando esses jovens estejam na indústria, consigam se adaptar mais facilmente e se readaptar”, declarou José Nabir Oliveira.
O gerente ressaltou que o aprendizado não termina com a conclusão de um curso ou com a conquista do primeiro emprego. A atualização constante é necessária para acompanhar novas ferramentas, processos e exigências do ambiente profissional.
“No mundo laboral, a única certeza que a gente tem é que precisamos, a cada dia, aprender um pouco mais. Cabe a nós, seres humanos inteligentes que somos, buscar cada vez mais o conhecimento. Mais do que nunca, a gente sabe que o conhecimento liberta, e é através justamente da busca desse conhecimento, traduzido em capacidades, que desenvolvemos o saber fazer, o saber ser e o saber agir”, destacou.
Vagas na base industrial

Com 14 anos de atuação na Transportes Bertolini, o executivo Fabio Gobeth chamou a atenção para as oportunidades existentes em funções consideradas de base da indústria. Segundo ele, a empresa enfrenta dificuldades para encontrar profissionais em áreas técnicas como:
- Serviços de soldagem;
- Manutenção mecânica;
- Operações de transporte;
- Atividades hidroviárias.
“Hoje, o que a gente percebe no mercado é que todo mundo está voltado para a tecnologia, enfim, mas existem muitas oportunidades ainda na base da pirâmide. Para quem está começando a carreira, existem diversas oportunidades. A gente sente muita falta de mão de obra na indústria da base”, ressaltou Gobeth.
Capacitação com remuneração garantida
O executivo citou programas de formação de soldadores desenvolvidos pela Transportes Bertolini, inclusive em parceria com o SENAI Amazonas, como exemplo de iniciativas que permitem contratar pessoas sem experiência prévia e prepará-las para o trabalho.
“A gente tem até atualmente dois programas para formação de soldadores, em que não exigimos experiência. Um deles é um programa mais simples, em que a pessoa já entra trabalhando, e outro é um programa que a gente está desenvolvendo com o SENAI. São alunos em um curso para aprender a fazer reparos navais. A gente contrata sem experiência e treina. Então, a pessoa é treinada já sendo funcionária, já recebendo, já com todos os direitos”, explicou Fabio Gobeth.
Para Fabio Gobeth, começar em uma função de base não significa permanecer nela durante toda a carreira. Ele citou casos de profissionais que começaram como soldadores e posteriormente assumiram funções de maior responsabilidade.
“A base é a entrada, não é o que você vai fazer pelo resto da vida”, afirmou.
Sinceridade nos processos seletivos

A postura dos candidatos durante os processos seletivos também esteve entre os temas discutidos no evento. O gerente de RH Jonivaldo Miranda ressaltou a importância de o candidato conhecer seus próprios valores e ser verdadeiro durante a seleção. Na avaliação do gestor da Tutiplast Indústria e Comércio Ltda., não dominar determinada habilidade não precisa ser um impedimento quando existe disposição genuína para aprender.
“Essa é a questão de você querer e não mentir. Não mentir sobre uma qualificação que você não possui. ‘Você sabe inglês? Você tem informática?’ É melhor você falar ‘Não, mas eu aprendo, eu vou aprender, eu quero aprender’. Então, o problema é mentir e a falta de vontade. Isso pode ser impeditivo para vocês entrarem e crescerem na carreira”, orientou Jonivaldo Miranda.
A flexibilidade também foi apresentada como uma competência cada vez mais necessária. De acordo com os participantes, as mudanças constantes no ambiente de trabalho exigem profissionais capazes de aprender, reaprender e se adaptar a novas situações.
Inteligência artificial no trabalho
A Inteligência Artificial (IA) foi outro dos assuntos centrais do painel. Para Fabio Gobeth, a tecnologia já está presente em diferentes atividades e deve ser encarada como uma ferramenta para aumentar a produtividade e facilitar processos.
“Não podemos abrir mão hoje da tecnologia, nem nas funções mais básicas”, afirmou Fabio Gobeth.
José Nabir Oliveira explicou que o SENAI Amazonas já utiliza ferramentas de IA na preparação de aulas e na criação de situações de aprendizagem. A preocupação da instituição envolve incorporar a tecnologia sem deixar de desenvolver nos estudantes o conhecimento e as competências necessárias para o exercício profissional.
“A IA chegou para ficar”, avaliou José Nabir Oliveira, defendendo equilíbrio entre o uso das ferramentas e o desenvolvimento das capacidades humanas.
Durante o encontro, os participantes também reforçaram que o domínio da tecnologia não elimina a necessidade de conhecimento técnico. Pelo contrário, compreender os fundamentos de uma área é importante para utilizar a ferramenta de maneira crítica e produtiva.

Visão de futuro industrial
Ao longo do painel, a mensagem central transmitida aos jovens foi de que a carreira profissional não precisa seguir um único caminho. Os estudantes foram incentivados a aproveitar as oportunidades de aprendizagem, começar por funções de entrada e permanecer abertos a mudanças.
José Nabir Oliveira destacou que o evento reuniu estudantes de diferentes cursos de aprendizagem e que as discussões podem servir como inspiração para a preparação profissional cotidiana. Encontros como o “Conexão Carreira Indústria 2026” funcionam como momentos de reflexão sobre a relação entre a formação oferecida e as necessidades reais do mercado.
“O futuro da indústria começa com o talento de quem se prepara hoje”, concluiu o gerente.
Fonte: ASCOM










