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Manejo do pirarucu une saber tradicional e tecnologia para fortalecer a economia das comunidades

Foto: Divulgação/ ASCOM

Como acompanhar o caminho do pirarucu após deixar os lagos e garantir que os ganhos cheguem de fato às comunidades de manejadores. Essa provocação conduziu os debates do Seminário Rastreabilidade do Pirarucu, realizado no dia 15 de outubro no Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), em Manaus.

Idealizado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), o encontro reuniu pesquisadores, manejadores, empresários e lideranças comunitárias para avaliar os avanços e aprendizados de uma ferramenta digital aplicada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá.

Rastreabilidade no Médio Solimões

A iniciativa atende diretamente 56 manejadores e 45 famílias espalhadas por três comunidades do setor Macopani, na região do Médio Solimões. Executada pela FAS, a ação foi viabilizada pelo Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), política pública da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) coordenada pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), com recursos da Positivo Tecnologia. O projeto oficial recebe o nome de Sistema de Rastreabilidade Inovação e Inteligência de Mercado na Cadeia Produtiva do Pirarucu da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.

O gerente de Empreendedorismo da FAS, Will Mourão, explicou que o seminário serviu para compartilhar lições e avaliar os avanços da pesquisa. De acordo com o gestor, a intenção foi consolidar os resultados e aprendizados obtidos na jornada de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação no campo da bioeconomia.

Tecnologia unida ao saber

A proposta respeita a rotina já vivenciada nos territórios. Os manejadores costumavam anotar dados em papéis e planilhas, mas encontravam obstáculos para integrar as informações entre as etapas. Ao detalhar a criação da ferramenta, Matheus Vinícius ressaltou que a inovação digital fortalece uma prática que já existia na região.

O especialista lembrou que o manejo é uma tecnologia social, reforçando que muitas vezes as pessoas pensam apenas em softwares quando se fala em tecnologia, esquecendo que o saber tradicional já estava presente.

A solução técnica combina um aplicativo de celular com a tecnologia blockchain, permitindo encadear registros e checar dados mesmo em áreas sem conexão com a internet, funcionando de forma offline. O sistema monitora o pescado desde a origem até o transporte, beneficiamento e venda, acompanhando a carne e a pele do pirarucu.

O painel também auxilia no controle de estoque, produção e planejamento de vendas. Até o momento, o sistema contabiliza 510 peixes cadastrados individualmente, somando 23.044 quilos de pescado.

Valorização e retorno comunitário

O supervisor de projetos da FAS, Edson Carlos, destacou que saber para onde o produto vai é uma cobrança antiga das famílias. O profissional relatou que em muitas ocasiões os produtos iam embora sem que a comunidade soubesse do destino final.

Além de monitorar a venda, Edson defende ampliar o beneficiamento dentro do próprio Amazonas.

Uma das propostas envolve a participação de grupos femininos no trabalho com o couro do peixe após a etapa de curtimento, gerando trabalho e renda direta para as famílias locais.

O reaproveitamento da pele esteve presente no evento por meio da coleção de moda autoral chamada Gigantio Tempo-Memória em Nós, desenvolvida por Sapopema e Sioduhi Studio. A iniciativa conecta o manejo do peixe ao design sustentável.

Conforme Edson Carlos, essa parceria abre caminho para reinvestir recursos em ações comunitárias, provando que somar forças fortalece a comunidade, mantém a floresta em pé e garante qualidade de vida para a população.

Pesquisa confirma renda maior

A avaliação do projeto apresentou dados bastante positivos sobre o uso do aplicativo. Entre os entrevistados na pesquisa, 91,7% afirmaram que a renda com o pirarucu aumentou, 70,3% relataram acesso a novos compradores e 94,6% demonstraram total confiança para continuar usando o sistema. Embora os números sejam favoráveis, a equipe ressalta que o sucesso depende também da organização comunitária, infraestrutura, logística e parcerias comerciais.

A líder do Programa Prioritário de Bioeconomia no Idesam, Karol Barbosa, reforçou que o protagonismo local é o motor da transformação. A gestora afirmou que não existirá bioeconomia sem a floresta em pé e sem que o morador tradicional seja o ator principal do processo.

Instituições e empresas parceiras

A Fundação Amazônia Sustentável é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos focada na conservação do bioma, melhoria da qualidade de vida e valorização da biodiversidade. Já o Programa Prioritário de Bioeconomia foi criado pela Suframa em 2019 e é gerido pelo Idesam, direcionando verbas obrigatórias de Pesquisa e Desenvolvimento da Lei de Informática para novos produtos e negócios sustentáveis na Amazônia.

A Positivo Tecnologia é uma empresa brasileira fundada em 1989, com sede em Curitiba no Paraná e fábricas em Ilhéus na Bahia e em Manaus no Amazonas. A marca opera em 17 países da América Latina e da Ásia, incluindo México, Colômbia, Argentina, China e Taiwan. O portfólio inclui marcas como Positivo, Positivo Casa Inteligente, Positivo Servers e Solutions, Positivo SEG, Positivo S+, Positivo Soluções em Pagamentos, VAIO, Infinix e Educacional Ecossistema de Tecnologia e Inovação. Informações sobre a empresa podem ser acessadas no portal www.positivotecnologia.com.br.

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