
O isolamento geográfico de quem vive nas áreas mais distantes da Amazônia começou a ser vencido pelo fortalecimento da atenção primária. Entre os meses de março e junho de 2026, o projeto “SUS na Floresta” viabilizou 550 atendimentos assistenciais e executou 1.945 procedimentos de saúde no Ponto de Atendimento à Saúde “José Rodrigues”. O posto fica localizado na comunidade do Ubim, dentro da Reserva Extrativista (Resex) do Rio Gregório, em Eirunepé, município distante 1.163 quilômetros de Manaus.
A iniciativa é coordenada pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS) em uma cooperação com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Fundo Vale. A gestão da parceria cabe ao Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), contando com o suporte técnico da Prefeitura de Eirunepé, da Associação de Moradores Agroextrativistas da RESEX do Rio Gregório (Amarge) e da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema).
Ao todo, moradores de 28 comunidades foram alcançados pela estrutura de acolhimento.
“Este Ponto de Atendimento à Saúde é muito simbólico porque está localizado em uma região de difícil acesso. Esses investimentos fazem parte da nossa visão de cuidar de quem cuida da floresta. Associadas às ações de saúde, também desenvolvemos iniciativas nas áreas de educação e geração de renda, em uma região com grande potencial para a produção de açaí, jarina, banana e outros produtos da sociobiodiversidade”, afirma Virgilio Viana, superintendente-geral da FAS.

Tecnologia contra o isolamento
Para vencer as barreiras logísticas dos rios amazônicos, a unidade aposta em um modelo misto de consultas. O balanço dos 550 atendimentos assistenciais realizados no quadrimestre revela a divisão das atividades:
- 305 consultas presenciais conduzidas por médicos e equipes de enfermagem.
- 156 atendimentos odontológicos completos na própria comunidade.
- 89 teleatendimentos médicos e de enfermagem com suporte especializado à distância.
Essa fusão entre assistência local e remota garante que o paciente continue sendo acompanhado sem precisar encarar viagens longas e caras até a sede do município. Para Ana Francisca, moradora da comunidade do Ubim, a rotina mudou por completo.
“Agora temos a unidade, os medicamentos e a equipe de enfermagem. Quando a gente precisa, o atendimento está perto. Vamos até lá e conseguimos o medicamento com mais facilidade. Antes era muito difícil, mas agora está melhorando bastante”, relata.
Produtividade e aprovação recorde
Além das consultas, o Ponto de Atendimento funcionou como base para triagens, imunização e exames preventivos. Os relatórios somam 377 aferições de pressão arterial, peso, altura e temperatura, além de 125 doses de vacinas aplicadas, 96 testes rápidos de diagnóstico e 73 administrações diretas de medicamentos.
O trabalho de campo envolveu também 11 ações coletivas voltadas para a educação em saúde, focando na prevenção de doenças crônicas e sazonais. A estratégia beneficiou localidades como Ubim, Atalaia, Restauração, Extrema, Santo Amaro, Bacuri, São Francisco, Nova Esperança, Maravilha, Progresso e Prainha.
“A nossa expectativa é que, a partir de agora, a gente trabalhe efetivamente com a saúde, e não apenas com o Sistema Único de Saúde atuando sobre a doença. Para a FAS, essa é uma oportunidade ímpar. Como a gente costuma dizer, se conseguimos fazer no Rio Gregório, conseguimos fazer em qualquer outra região”, afirma Mickela Souza, gerente do Programa Saúde na Floresta (PSF) da FAS.
A resposta da população aos serviços reflete o impacto positivo na qualidade de vida. As pesquisas de satisfação encerradas em junho de 2026 registram que o índice de aprovação dos atendimentos presenciais atingiu 98,1%. Já os serviços de telemedicina e orientações remotas alcançaram 90% de aceitação, enquanto a própria estrutura física da unidade obteve 96,6% de avaliações positivas dos usuários.
Sobre o SUS na Floresta
O projeto SUS na Floresta é realizado pela FAS em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Fundo Vale, com gestão da parceria do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) e apoio técnico da Prefeitura de Eirunepé, Associação de Moradores Agroextrativistas da RESEX do Rio Gregório (Amarge) e Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema).
Ele tem como objetivo fortalecer e apoiar a Atenção Primária à Saúde (APS) em comunidades ribeirinhas do estado do Amazonas por meio da estruturação de um sistema de telessaúde integrado ao SUS, ampliando a assistência nessas regiões.
Sobre a FAS
A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. Sua missão é contribuir para a conservação do bioma, para a melhoria da qualidade de vida das populações amazônicas e para a valorização da floresta em pé e de sua biodiversidade.
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