
A extrema elevação das temperaturas registrada desde julho traz o alerta de uma estiagem severa acompanhada do pior El Niño dos últimos tempos no Amazonas, conforme projeções de agências climáticas globais. Para mitigar o impacto desse cenário no interior, a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) intensificou as ações do projeto “Sementes do Amazonas”.
Durante o mês de agosto, a iniciativa levou palestras e dinâmicas sobre educação ambiental ao Centro Educacional de Tempo Integral (Ceti) Professora Neuza Alves Barroso, em Eirunepé, e à Escola Estadual Duque de Caxias, em Humaitá, planejando expandir as atividades para outros municípios.
Ações no interior
A proposta busca explicar o papel da sociedade frente às transformações do clima que afetam a rotina do planeta. Na Calha do Juruá, em Eirunepé, a defensora pública Marcela Vignoli conduziu as atividades educativas e enfatizou a relevância de debater a preservação dentro das salas de aula para formar multiplicadores comunitários.
“Temos a missão de conscientizar e promover esse pensamento de mudança, que pode impactar no dia a dia desses alunos dentro e fora do contexto escolar. A partir do que eles escutaram aqui, podem passar as informações adiante para um amigo, um familiar, um vizinho, ou seja, vão replicar o conhecimento obtido”, pontuou a defensora pública Marcela Vignoli.
A seca em Humaitá
O quadro ganha contornos urgentes na Calha do Madeira. Localizada a 590 quilômetros de Manaus, a Prefeitura de Humaitá decretou situação de emergência em saúde pública por até 180 dias diante do avanço da seca. A estimativa oficial indica que ao menos 200 comunidades ribeirinhas da zona rural sofrerão o impacto direto do recuo dos rios, que representam a principal via de deslocamento e abastecimento da região.
Na palestra direcionada aos estudantes locais, a defensora pública Fernanda Carvalho detalhou as causas do fenômeno climático e as formas de suavizar seus efeitos.
“Falamos sobre preservação ambiental, responsabilidade coletiva e o protagonismo da juventude na construção de um futuro sustentável. A Defensoria Pública do Estado do Amazonas reforça seu compromisso com a educação cidadã e o diálogo. Agradeço à equipe escolar e aos estudantes pelo acolhimento e espero que essa seja apenas a primeira de muitas oportunidades de troca”, afirmou a defensora pública Fernanda Carvalho.
Dados da educação
A inclusão das pautas ambientais nas salas de aula ainda enfrenta gargalos estruturais no ensino brasileiro. Levantamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) demonstra que o debate ecológico ocorre sem padronização nas escolas do país.
Panorama da educação ambiental segundo o Inep:
- Projetos transversais e interdisciplinares representam a abordagem mais comum em 64% das escolas.
- Conteúdos integrados diretamente ao currículo tradicional aparecem em 52% dos colégios.
- Componente curricular específico destinado ao tema está presente em 11% das instituições.
- Educação ambiental tratada como eixo principal de ensino ocorre em apenas 10% das unidades.
Frente às projeções de estiagem rigorosa nos rios amazonenses, ações institucionais preventivas em ambiente escolar tornam-se ferramentas para informar populações ribeirinhas e urbanas vulneráveis, transformando o conhecimento em estratégia de convivência com a estiagem.
Fonte: ASCOM | Camila Andrade










