
O PL resolveu inovar no conceito de unidade partidária no Estado do Amazonas.
Às vésperas das convenções, o partido parece mais uma reunião de condomínio em dia de prestação de contas: dedo em riste, nota oficial para cá, vídeo indignado para lá e roupa suja sendo lavada em praça pública.
No meio do tiroteio, a pré-candidatura de Maria do Carmo tenta sobreviver ao fogo amigo. Se continuar nesse ritmo, a maior dificuldade não será enfrentar os adversários, mas descobrir quem ainda sobrou do mesmo lado do palanque.
Convenção ou terapia de grupo?
Até pouco tempo atrás, o deputado Delegado Péricles aparecia em vídeo defendendo a candidatura de Maria do Carmo. Agora, os dois trocam farpas pelas redes sociais como casal em processo de separação litigiosa.
O eleitor conservador assiste à cena tentando entender se o PL está organizando uma convenção partidária ou uma sessão coletiva de terapia. Porque, do jeito que a banda toca, há quem aposte que o primeiro desafio da empresária será convencer o próprio partido de que ela é candidata.
TJAM, governo e o cachimbo da paz

No Amazonas, até convite para assistir ao Festival Folclórico de Parintins pode virar crise institucional.
O TJAM devolveu as credenciais de Paris, os bastidores ferveram e teve influencer jurando que Executivo e Judiciário tinham rompido relações.
No fim das contas, descobriram que foi mais ruído do que berrante. Explicaram que o governador nem sabia da história do camarote meia-boca, apertaram as mãos e fumaram o cachimbo da paz.
“Afinal, ninguém merece trocar o ‘dois pra lá, dois pra cá’ por uma toada desafinada entre os Poderes”, escreveu um internauta à coluna.
Roberto cada vez mais animado

O governador Roberto Cidade anda repetindo que “estão me forçando a ser candidato”.
Curiosamente, enquanto reclama da pressão, acelera inaugurações, amplia agendas e distribui fitas para cortar como quem distribui santinho em época de eleição.
Dizem que, se continuarem insistindo desse jeito, ele vai acabar aceitando o sacrifício de disputar a reeleição.
Pix de Lula à saúde

Em tempos de polarização, até dinheiro para a saúde ganha apelido. Lula mandou um Pix de R$ 12,5 milhões para reforçar o atendimento no Amazonas, com UBSs, equipamentos e investimentos do Novo PAC.
Enquanto uns discutem narrativas, o recurso vai chegando para tomógrafos, cirurgias e obras. E o paciente, por sua vez, com exame marcado, não quer saber de ideologia. Quer saber se vai ser atendido.
Mobilidade. Coisa de louco

Em entrevista ao portal Amazonas 1, o doutor em Engenharia de Transportes Geraldo Alves defendeu metrô, pacto institucional e planejamento de longo prazo. Já o manauara defende apenas chegar ao trabalho antes do almoço.
Em Manaus, sair de casa virou exercício de fé. O cidadão entra no ônibus sem saber se vai desembarcar no destino, alcançar a aposentadoria ou testemunhar o próximo eclipse solar.
Trânsito é um caos
O trânsito de Manaus é tão inovador que transformou a buzina em instrumento de sobrevivência. Seta é item decorativo, faixa é mera sugestão artística e retorno proibido virou manifestação cultural.
Enquanto discutem trilhos e soluções futuristas, o cidadão segue praticando a modalidade olímpica mais popular da cidade: desviar de buraco, moto, ônibus e da própria paciência ao mesmo tempo.
Palanques petistas nos estados
Enquanto muita gente ainda trata 2026 como assunto distante, o PT já está com a planta da obra aberta sobre a mesa. A ordem é reforçar os alicerces nos estados, de olho em governadores, alianças e palanques capazes de sustentar o projeto nacional.
Não basta ter um candidato forte ao Planalto. É preciso ter quem carregue a bandeira nos rincões do país. Bahia, Ceará e Piauí entram na lista dos territórios a serem preservados. Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro aparecem como desafios que exigem mais conversa do que discurso inflamado.
Adeus a um guardião de memórias

Parintins perdeu mais do que um jornalista. Perdeu uma biblioteca ambulante. Nelson Brilhante conhecia histórias que não estavam nos arquivos, nos livros ou nos jornais. Guardava personagens, bastidores e causos com a mesma naturalidade com que narrava uma partida de futebol.
Nelson foi embora levando consigo um dos maiores mistérios da Ilha Tupinambarana: nunca revelou qual boi morava em seu coração. Fica o silêncio da despedida e a gratidão por quem dedicou a vida a contar as histórias dos outros, ajudando a preservar a nossa própria história.










