Trocando em Miúdos Roberto Cidade, Salazar, a política e o picadeiro da baixaria inconsequente

Roberto Cidade, Salazar, a política e o picadeiro da baixaria inconsequente

A resposta do governador Roberto Cidade (União Brasil) à baixaria de ataques virulentos desferidos contra ele na Câmara Municipal de Manaus (CMM) pelo vereador Sargento Salazar (PL), na segunda-feira (8/6), jogou luz sobre o contraste entre dois estilos de fazer política.

Enquanto um diz estar ocupado com agendas institucionais, cursos na área de segurança e articulações administrativas, o outro aposta na lógica do confronto a todo custo, do vídeo viral e da indignação performática.

Cidade classificou o episódio como descontrole e acusou o vereador de transformar a atividade política em pirotecnia para as redes sociais.

Entre o trabalho e a baixaria

A democracia admite divergências, críticas duras e embates apaixonados. O que não deveria admitir é a naturalização da grosseria como método político.

Ao rebater Salazar, Roberto Cidade afirmou que não perderá tempo com disputas pessoais e que sua prioridade continua sendo o trabalho pelo Amazonas.

Em mensagens enviadas à coluna, internautas disseram que o eleitor quer representantes capazes de construir pontes e não especialistas em incendiar o debate público.

Tribuna ou ringue?

Na segunda-feira, a CMM assistiu, perplexa, a um show de destempero verbal do vereador Sargento Salazar, que transformou a tribuna da Casa Legislativa em um balcão de provocações, insultos e bravatas.

A situação foi tão constrangedora que o presidente da sessão precisou determinar a retirada dos palavrões dos registros oficiais. Não é todo dia que a taquigrafia é convocada para exercer funções de censura ortográfica e assepsia institucional.

Decoro não é detalhe

Independentemente da veracidade das denúncias apresentadas pelo vereador, o episódio mostrou que mandato parlamentar não confere licença para o abandono do equilíbrio e do respeito às instituições.

A tribuna existe para o contraditório, a fiscalização e o debate qualificado, não para transformar o plenário em extensão de disputas pessoais.

A Comissão de Ética da CMM não pode fingir que nada aconteceu. Cabe ao colegiado analisar se houve quebra de decoro e adotar as providências previstas no regimento.

Afinal, se os palavrões precisaram ser retirados dos anais da Casa, talvez seja hora de avaliar se o problema não ultrapassou a gramática e alcançou o próprio comportamento incompatível com a dignidade do cargo.

O novo desafio da Zona Franca

Foto: Arquivo | Secom

Durante décadas, os defensores do modelo Zona Franca de Manaus travaram batalhas para garantir a sobrevivência econômica da região. Agora, pela primeira vez, o desafio é outro que consiste em administrar o próprio sucesso.

Com a reforma tributária preservando os incentivos constitucionais e a perspectiva de chegada de mais de 200 novas fábricas nos próximos três anos, Manaus se depara com um problema que muitos estados gostariam de ter: falta espaço para receber novos investimentos.

Alerta de Montenegro

O alerta feito pelo superintendente da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Leopoldo Montenegro, merece atenção imediata.

O atual Plano Diretor de Manaus limita a instalação de indústrias ao raio de dez quilômetros da área urbana, criando um gargalo justamente quando a cidade vive um novo ciclo de expansão industrial.

Se nada for feito, empresas interessadas em investir poderão encontrar portas fechadas não por falta de competitividade da Zona Franca, mas pela incapacidade de adequar a legislação municipal à nova realidade econômica.

Bola para frente, agora

A proposta de ampliar o perímetro industrial até o quilômetro trinta e cinco da rodovia AM-010 exige equilíbrio, responsabilidade ambiental e amplo debate com a sociedade.

A bola, agora, está no campo da Prefeitura de Manaus e da Câmara Municipal. Cabe ao Executivo encaminhar a revisão necessária do Plano Diretor e ao Legislativo compreender a dimensão estratégica da matéria.

A demora pode custar caro. Investimentos não esperam indefinidamente por licenças, definições legais ou disputas burocráticas. O capital procura segurança jurídica, previsibilidade e agilidade.

A discussão também oferece a oportunidade de Manaus pensar o futuro da sua expansão industrial. Não basta apenas abrir novas áreas. É preciso planejar infraestrutura viária, logística, saneamento, mobilidade, habitação e mecanismos rigorosos de compensação e monitoramento ambiental.

Saúde na vitrine eleitoral

Com cerca de mil pessoas reunidas, mesmo sob forte chuva e numa segunda-feira à noite, David Almeida deu mais um passo na montagem do seu projeto político para o ano de 2026.

O evento serviu para reforçar a pré-candidatura ao Governo do Amazonas e, de quebra, lançar oficialmente a médica Shádia Fraxe (Avante) na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados.

Ao transformar a saúde em eixo central das discussões, David busca associar à sua pré-campanha uma das áreas em que sua gestão na Prefeitura de Manaus costuma apresentar indicadores positivos.

Shádia, que ganhou visibilidade à frente da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), entra na nominata do Avante carregando o discurso da experiência técnica e da defesa do setor.

O Avante começou a organizar o time, ocupar espaços e testar sua capacidade de mobilização. E, pelo visto, a largada já foi dada.

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