
Quem acompanha os movimentos do governador Roberto Cidade (União Brasil) percebe que a construção de sua candidatura à reeleição deixou de ser apenas especulação de bastidores.
A reunião realizada em Manaus com vereadores de Parintins, na terça-feira (2/6), na véspera de sua viagem ao município, foi interpretada por lideranças políticas como mais um passo concreto nessa direção.
Parintins é um dos principais colégios eleitorais do interior e tem peso estratégico em qualquer disputa estadual. Ao reunir parlamentares de diferentes correntes políticas, inclusive ligados a grupos que hoje orbitam outros projetos para 2026, Cidade amplia pontes num terreno considerado decisivo para a próxima eleição.
O governador consolida alianças sem antecipar oficialmente o anúncio de sua candidatura. Mas a sequência dos movimentos políticos já fala por si.
Sinais cada vez mais claros
A presença de vereadores de Parintins em agendas políticas distintas nos últimos meses revela uma disputa antecipada por apoios na terra do boi-bumbá.
Nesse cenário, Roberto Cidade parece ter dado um passo além dos adversários ao promover um encontro reservado com parlamentares locais antes de desembarcar na ilha.
Tarifaço castiga a ZFM

A nova sobretaxa de 25% anunciada pelo governo Donald Trump para produtos brasileiros é um tiro certeiro no coração do Polo Industrial de Manaus.
Embora as exportações da Zona Franca para os Estados Unidos não representem a principal fatia dos negócios do modelo econômico amazonense, o impacto preocupa setores que dependem do mercado externo.
Motocicletas, componentes industriais, lentes, insumos para bebidas e produtos madeireiros estão entre os segmentos mais expostos à nova taxação.
A Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM) diz que a medida reduz competitividade e dificulta a inserção internacional das empresas instaladas na Zona Franca.
Apelo à negociação

O principal motor econômico do Polo Industrial de Manaus (PIM), formado pelos setores eletroeletrônico e de informática, deve sentir pouco efeito imediato do tarifaço trumpista, já que sua produção é voltada predominantemente ao mercado interno.
Ainda assim, empresários defendem que o governo brasileiro mantenha o caminho da negociação diplomática para evitar prejuízos maiores à indústria nacional.
A justificativa de Washington
A canetada de Donald Trump que impôs a sobretaxa de 25% não é um ataque isolado ao Brasil, mas o ápice de sua agressiva política de proteção de mercado.
Sob a ótica de Washington, o tarifaço funciona como uma ferramenta de coerção econômica para forçar nações parceiras a blindarem suas fronteiras contra o crime organizado e o tráfico de insumos industriais.
Mais do que segurança, há um claro pragmatismo comercial na jogada republicana. Ao encarecer o produto estrangeiro, a Casa Branca tenta enquadrar corporações globais e obrigá-las a trazer suas linhas de montagem de volta para o solo americano, usando o imposto como moeda de troca para reindustrializar os Estados Unidos.
Arsepam e o seguro obrigatório

A Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados e Contratados do Estado do Amazonas (ARSEPAM) decidiu apertar o cerco sobre a regularidade do transporte hidroviário no Amazonas. A partir de agora, operadores e empresas terão de comprovar a contratação do Seguro Obrigatório de Danos Pessoais Causados por Embarcações (DPEM) para manter suas embarcações aptas a operar.
A medida atinge novos cadastros, renovações, substituições de embarcações e demais procedimentos regulatórios. Quem não apresentar a documentação poderá ter a autorização suspensa até a regularização.
Num estado onde os rios funcionam como verdadeiras estradas, a exigência busca ampliar garantias aos usuários e reforçar a organização de um sistema essencial para milhões de amazonenses.
Mais R$ 135 milhões na BR-319

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) segue acelerando a agenda de manutenção da BR-319. O órgão abriu nova licitação estimada em R$ 135 milhões para recuperação e conservação de 136 quilômetros da rodovia entre Porto Velho e a divisa do Amazonas.
O investimento se soma às diversas frentes de obras já anunciadas pelo governo Lula ao longo da estrada. A estratégia é manter a recuperação gradual da rodovia enquanto avançam os contratos de repavimentação em outros trechos.
Otimismo forte
A nova licitação do DNIT reforça que a BR-319 permanece no centro das prioridades da infraestrutura regional.
Para defensores da rodovia, cada edital representa mais um passo na tentativa de consolidar a ligação terrestre entre Manaus e o restante do país. Para críticos, permanece o desafio de compatibilizar desenvolvimento e preservação ambiental. O fato é que os investimentos continuam chegando.










