
O Laboratório de Criação em Performance encerrou sua trajetória pelo interior do Amazonas após realizar atividades em Itacoatiara, Presidente Figueiredo e Manacapuru. A iniciativa integra o projeto “Exercício de Abaporutação – Poéticas do Corpo, Encontro e Espaço”, promovido pelo Grupo Processo Natimorto.
A proposta ofereceu encontros gratuitos voltados à investigação do corpo, do movimento e da criação coletiva, aproximando artistas, educadores, estudantes e moradores locais.
Em cada cidade, a oficina foi moldada de acordo com o perfil dos participantes e as particularidades do território. Em vez de aplicar um modelo rígido de ensino, o processo criativo absorveu as vivências, memórias, paisagens e o modo de vida das comunidades visitadas.
A circulação reuniu entre 40 e 50 pessoas ao longo das três etapas. O diretor teatral, ator, pesquisador e arte-educador Dimas Mendonça, responsável pela condução dos trabalhos, destacou a importância das trocas construídas em cada município.
“O mais marcante é encontrar cada lugar, cada pessoa, e poder ter vivenciado um jogo de criação a partir das particularidades desses lugares e dessas pessoas. E perceber a grande disposição que há nas cidades para vivenciar a arte, o teatro e a dança, apesar das circunstâncias cotidianas nem sempre tão facilitadoras”, declarou o diretor Dimas Mendonça.
Metodologia e criação coletiva
A metodologia aplicada pelo Grupo Processo Natimorto compreende a arte como resultado do encontro entre pessoas, territórios e experiências de vida. As práticas corporais envolveram conceitos essenciais para o desenvolvimento dos participantes.
- Exercícios de presença e escuta atenta ao ambiente ao redor.
- Dinâmicas de movimento corporal e improvisação cênica.
- Percepção do espaço como campo de criação artística.
- Incorporação de saberes, paisagens, histórias e referências locais nas apresentações.
Primeira etapa em Itacoatiara
A abertura do projeto ocorreu nos dias 18 e 19 de julho no município de Itacoatiara, com suporte da Fundação AMAGGI por meio do Centro Cultural Velha Serpa (CCVS). O espaço recebeu estudantes, artistas, professores e trabalhadores de diversas áreas para vivências de criação corporal.
A turismóloga Thais Reis participou da oficina e avaliou os impactos do aprendizado na sua área de atuação.
“Acredito que o turismo está diretamente ligado à cultura, então participar do laboratório ampliou muito meu olhar. O que mais me marcou foi perceber como corpo e mente trabalham juntos durante o processo criativo. Também levo comigo a importância de desacelerar, respirar com consciência e estar verdadeiramente presente”, relatou Thais Reis.
A analista de projetos da Fundação AMAGGI, Jeaninne Tenório, ressaltou que ações desse porte contribuem para fortalecer a formação artística regional e ampliar o acesso da população às experiências culturais.
Natureza em Presidente Figueiredo
Nos dias 25 e 26 de julho, as atividades foram sediadas em Presidente Figueiredo, no Centro Cultural Zé Amador. O espaço cultural independente abriga biblioteca comunitária, orquidário e ambientes de convivência. A integração entre expressão artística, meio ambiente e território guiou as dinâmicas, incentivando o público a transformar o cenário natural em matéria-prima.
O produtor cultural Zé Amador descreveu a vivência como uma oportunidade de reconexão.
“A oficina de teatro ministrada por Dimas Mendonça e Chico Kaboco foi uma experiência profundamente transformadora. Durante os encontros, mergulhamos nos exercícios de Abaporutação, descobrindo e valorizando saberes e práticas que vêm da nossa terra e da nossa alma criativa, usando nosso jeito de viver e os saberes poéticos do corpo e do encontro com o espaço”, disse o produtor Zé Amador.
O produtor complementou a análise sobre a relação construída com o ambiente local.
“Cada movimento, cada respiração, cada olhar virou forma de expressão. O corpo falou, sentiu, criou e se conectou com o espaço, com as belezas das plantas, as cores dos desenhos e as formas do grafite. Vivenciamos uma conexão ímpar e descobrimos valores como a arte, o vínculo com a natureza e o respeito ao próximo”, acrescentou Zé Amador.
A professora Zulena também participou do laboratório e frisou a intenção de aplicar os aprendizados em sala de aula.
“Ao ser convidada a participar, fiquei curiosa e, ao iniciar a experiência, me senti muito motivada. A atividade desenvolvida trouxe para mim novos conhecimentos que levarei para minha profissão. Como trabalho na educação infantil, será importante desenvolver essas práticas com os professores e, posteriormente, com os alunos”, pontuou a educadora Zulena.
Encerramento em Manacapuru
A última fase da circulação foi realizada nos dias 1 e 2 de agosto, em Manacapuru, na estrutura do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) unidade União. A dinâmica no município registrou maior rotatividade de participantes, permitindo que moradores de diferentes perfis tivessem contato com os exercícios de improvisação e percepção espacial.
A passagem pela cidade consolidou a proposta de descentralizar a formação em artes cênicas, adaptando a pesquisa poética à realidade das comunidades do interior.
Apoio e financiamento cultural
O projeto “Exercício de Abaporutação, Poéticas do Corpo, Encontro e Espaço” promoveu a troca entre artistas e moradores, fortalecendo a atuação de espaços culturais fora da capital amazonense.
A realização é do Grupo Processo Natimorto, com coordenação e condução pedagógica de Dimas Mendonça, apoio técnico e comunicação de Chico Kaboco e produção geral de Adriano Rodrigues, além do trabalho de parceiros e produtores locais nas cidades atendidas.
A iniciativa foi contemplada pelo Edital de Fomento Cultural Multilinguagens (09/2025), promovido pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM), com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), do Governo Federal.
ASCOM: Maria Fernanda Carmim










