
A eleição para a Assembleia Legislativa do Amazonas chega à reta final com um ingrediente que torna a disputa deste ano especialmente interessante: a fotografia da Aleam de 2026 é bem diferente daquela desenhada pelas urnas de 2022.
Para tentar entender esse novo tabuleiro, recorremos a uma ferramenta que vem ganhando espaço também no trabalho jornalístico: o ChatGPT. O levantamento cruzou resultados da eleição anterior, mudanças partidárias, composição atual da Assembleia, nominatas registradas para 2026 e a distribuição territorial dos votos dos atuais parlamentares.
O resultado é uma espécie de radiografia da disputa pelas 24 cadeiras da Aleam, não uma previsão de quem será eleito, mas um mapa das condições objetivas que envolvem cada candidatura.
Dos 24 parlamentares que atualmente ocupam a Assembleia, 20 estão novamente na corrida por uma vaga estadual. Os demais seguiram outros caminhos eleitorais ou não participam desta disputa.
Entre os que deixaram o tabuleiro proporcional estão Roberto Cidade (União Brasil), que assumiu o Governo do Amazonas; Joana Darc (UB), que concorre à Câmara Federal; e Alessandra Campêlo (PSD), que disputa a vice-governadoria na chapa de Omar Aziz (PSD). A composição atual também foi alterada por suplências, como a de Brena Dianná (UB), que assumiu uma cadeira durante a legislatura.
Mudanças partidárias
O levantamento mostra que uma das grandes novidades de 2026 está nas mudanças de partido. Deputados que construíram suas votações em uma determinada legenda agora precisam disputar espaço dentro de estruturas completamente diferentes.
É o caso de Mayra Dias. Eleita em 2022 pelo Avante, com 34,5 mil votos, ela migrou para o PSD. Sua votação anterior tem uma característica bastante particular: Parintins respondeu por mais da metade dos votos obtidos pela deputada, revelando uma base fortemente concentrada no Baixo Amazonas.
Outro exemplo é Thiago Abrahim. Eleito pelo União Brasil, com 31,7 mil votos, o deputado agora está no MDB. Em 2022, mais da metade de sua votação veio de Itacoatiara. A mudança de legenda significa que uma base eleitoral construída dentro de uma chapa agora será colocada à prova dentro de outra.
Carlinhos Bessa também mudou de endereço partidário. Eleito pelo PV, com 37,1 mil votos, está agora no União Brasil. Sua votação de 2022 foi marcada pela presença em Manaus e, sobretudo, no Médio Solimões, com destaque para Tefé.
Felipe Souza, por sua vez, é um dos casos mais emblemáticos. Foi eleito em 2022 pelo Patriota com 50.454 votos, uma das maiores votações individuais daquele pleito. Em 2026, concorre pelo Podemos. A questão não é se ele repetirá ou não aquela votação, mas como uma votação construída em uma legenda que já não existe com a mesma configuração será absorvida pela nova chapa.
Força do União Brasil
O União Brasil aparece como uma das estruturas mais movimentadas do atual tabuleiro. Além de manter deputados eleitos em 2022, recebeu parlamentares que migraram de outras legendas, como Carlinhos Bessa, Dr. Gomes e Wanderley Monteiro. A nominata ainda incorporou novos nomes com trajetória política e presença eleitoral na capital e no interior.
Isso produz um fenômeno interessante: uma chapa pode ser forte coletivamente e, ao mesmo tempo, extremamente competitiva internamente. São vários candidatos com mandato, experiência eleitoral e bases já consolidadas disputando espaço dentro da mesma estrutura.
O PSD também chega diferente de 2022. A legenda recebeu Mayra Dias, Rozenha, Wilker Barreto e Alessandra Campêlo durante a legislatura. Como Alessandra agora disputa a vice-governadoria, a nominata estadual reúne Mayra, Rozenha e Wilker, além de novos candidatos.
O PL mantém uma estrutura relativamente consolidada, com Cabo Maciel, Débora Menezes e Delegado Péricles tentando permanecer na Assembleia. A legenda também incorporou novos nomes, vários deles vinculados às áreas de segurança pública e forças policiais.
No Republicanos, João Luiz e Comandante Dan buscam a permanência na Casa, enquanto a nominata recebeu nomes como Rodrigo Guedes, Marcelo Amil, Anne Mota, Dr. Rafael Benoliel e outros candidatos com atuação política e comunitária.
O MDB também ganhou importância com a chegada de Thiago Abrahim. Ao lado dele está Cristiano D’Angelo, que apresenta talvez uma das bases territoriais mais marcadas da eleição: em 2022, Manacapuru respondeu por aproximadamente dois terços de seus votos.
No Avante, Abdala Fraxe e Daniel Almeida tentam manter as cadeiras conquistadas em 2022. A legenda, entretanto, perdeu Mayra Dias e Wanderley Monteiro e precisou reconstruir sua nominata. O partido colocou na disputa diversos candidatos que já possuem mandato de vereador, entre eles David Reis, Eduardo Alfaia, Eduardo Assis e outros nomes da política municipal.
Eleitor não é coadjuvante
Há ainda uma característica que atravessa praticamente todas as chapas: Manaus continua sendo o grande campo de batalha da eleição proporcional, mas o interior está longe de ser coadjuvante.
Os mapas de votação de 2022 mostram bases muito diferentes. Débora Menezes, Felipe Souza, Delegado Péricles e Mário César Filho tiveram grande concentração de votos em Manaus. Já Mayra Dias tem Parintins como principal reduto; Thiago Abrahim, Itacoatiara; Cristiano D’Angelo, Manacapuru; Carlinhos Bessa, Tefé; e Adjuto Afonso apresenta uma trajetória eleitoral fortemente espalhada por municípios do interior.
Essa diversidade territorial ajuda a explicar por que a disputa proporcional amazonense não pode ser reduzida a uma lista dos candidatos mais conhecidos.
Em 2022, por exemplo, Roberto Cidade foi o campeão de votos, com mais de 105 mil, seguido por Joana Darc, com mais de 87 mil. Mas a eleição também mostrou que votação individual não é sinônimo automático de cadeira. O sistema proporcional depende do desempenho coletivo das legendas e federações.
Esse talvez seja o ponto mais importante da radiografia produzida pelo ChatGPT: a eleição para a Aleam não é apenas uma disputa entre candidatos. É uma disputa entre estruturas partidárias e, dentro delas, uma segunda disputa entre os próprios candidatos.
O eleitor vota em um nome, mas o destino daquele voto também depende da força da legenda ou federação à qual o candidato está vinculado.
Por isso, olhar apenas para a votação individual de 2022 pode levar a conclusões equivocadas. Um deputado que recebeu 40 mil votos em uma determinada legenda pode estar em uma situação completamente diferente ao disputar novamente, mas agora ao lado de uma nominata muito mais competitiva.
É esse fenômeno que aparece com força no União Brasil, no PSD, no PL, no Republicanos e no MDB.
Redistribuição de bases
Outro ponto revelado pelo levantamento é que as mudanças partidárias redistribuíram bases eleitorais. A votação que estava no União em 2022 pode estar agora no MDB. A que estava no Avante migrou para o PSD. A que estava no Patriota está agora no Podemos. E votos que antes ajudavam a formar uma determinada bancada passaram a disputar espaço dentro de outra estrutura.
Em outras palavras, a eleição de 2026 não é uma repetição da eleição de 2022. É um novo jogo, com os mesmos 24 assentos, mas com boa parte dos jogadores em posições diferentes. E talvez seja por isso que a disputa pela Assembleia Legislativa mereça uma atenção especial nesta reta final.
Não se trata de apontar favoritos ou antecipar o resultado das urnas. O propósito da radiografia produzida pelo ChatGPT é outro: organizar informações que muitas vezes aparecem dispersas — votação anterior, partido de origem, partido atual, bases territoriais, mudanças na bancada e composição das nominatas — para oferecer ao leitor uma visão mais clara da complexidade da eleição.
A grande pergunta ficará para as urnas: quantas cadeiras cada partido ou federação conseguirá transformar em mandato e, dentro de cada uma dessas estruturas, quais candidatos ocuparão essas vagas?
Até lá, uma coisa já está clara: a batalha pelas 24 cadeiras da Aleam será travada em duas frentes, entre partidos e federações, e dentro deles.
E é nessa segunda disputa, muitas vezes menos visível para o eleitor, que pode estar uma das chaves para compreender a nova configuração da Assembleia Legislativa do Amazonas.










