Municípios 34 cidades do Amazonas podem perder FPM justamente quando mais precisam de...

34 cidades do Amazonas podem perder FPM justamente quando mais precisam de dinheiro

Benjamin Constant – Foto: Divulgação

A possibilidade de redução nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) para 34 cidades do Amazonas acende um alerta que ultrapassa o campo das finanças municipais. A diminuição da população estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) pode alterar os coeficientes que definem a partilha dos recursos federais, encolhendo o orçamento de prefeituras que já operam no limite financeiro.

Para a arquiteta e urbanista Melissa Toledo, a perda de recursos precisa ser examinada sob o ângulo do planejamento das cidades. A queda populacional sinaliza falhas estruturais graves no atendimento às necessidades básicas dos moradores, como ausência de trabalho, moradia e saneamento.

“Essa não é apenas uma notícia fiscal. É uma notícia urbanística”, afirma Melissa Toledo.

Plano diretor ameaçado

O “Plano Diretor”, mecanismo legal encarregado de guiar o crescimento e a organização dos municípios, abrange setores vitais como habitação, mobilidade urbana, saneamento básico, infraestrutura e uso do solo. A escassez de receita compromete a aplicação direta dessas diretrizes nas áreas urbanas.

“Quando o FPM cai, cai também a capacidade de executar o próprio Plano Diretor”, explica a especialista.

Esvaziamento e abandono

A redução no número de habitantes exige uma reflexão profunda das gestões locais sobre os motivos que levam as famílias a abandonar o interior do estado.

“Se o IBGE aponta retração, precisamos perguntar: as pessoas saíram por falta de oportunidade, de habitação, de saúde? O Plano Diretor foi revisado para segurar essa população?”, questiona Melissa Toledo.

Outro obstáculo enfrentado pelas prefeituras é o surgimento de vazios urbanos provocado pelo espraiamento da ocupação territorial. Mesmo quando o número de moradores cai, a área urbanizada continua se expandindo, elevando os custos do poder público para estender redes de água, transporte, pavimentação e iluminação até os bairros mais afastados. Em municípios de pequeno porte, altamente dependentes do repasse federal, a perda de receita dificulta obras básicas, atualização de cadastros imobiliários e execução de políticas comunitárias.

Gargalo estrutural permanente

  • Queda na população refletindo a falta de serviços públicos e oportunidades de trabalho.
  • Redução da receita do FPM limitando investimentos previstos em leis municipais.
  • Expansão da área urbanizada encarecendo a prestação de serviços básicos.
  • Dificuldade das pequenas prefeituras em reter os moradores no interior.

A “Lei Complementar nº 198/2023” criou uma regra de transição gradual para suavizar a perda de receitas decorrente da mudança nos coeficientes do FPM. No entanto, o mecanismo apenas alivia a pressão sobre os cofres municipais sem resolver a causa principal do esvaziamento das cidades.

“É um respiro, não uma solução. Ela reduz o impacto imediato, mas não corrige o problema estrutural: municípios pequenos que não conseguem reter população porque não conseguem implementar políticas urbanas básicas”, avalia Melissa Toledo.

A consolidação do desenvolvimento econômico e social exige que os gestores utilizem o planejamento urbano como estratégia real para fixar as famílias em seu território e gerar oportunidades regionais.

“Não adianta discutir apenas o coeficiente do FPM se o Plano Diretor não estiver sendo usado como ferramenta de desenvolvimento econômico e de fixação da população no território”, destaca a especialista.

“Perder população não é só perder recurso. É perder a razão de existir do próprio planejamento”, conclui Melissa Toledo.

Municípios amazonenses atingidos

Levantamentos da Associação Amazonense de Municípios (AAM) indicam que a alteração na contagem de moradores poderá atinge diretamente as finanças de 34 cidades no Amazonas. Nas localidades mais isoladas da calha dos rios, a perda de receitas anuais pode ultrapassar R$ 3 milhões para cada prefeitura.

    1. Anori
    2. Atalaia do Norte
    3. Autazes
    4. Barcelos
    5. Barreirinha
    6. Benjamin Constant
    7. Boca do Acre
    8. Borba
    9. Carauari
    10. Careiro
    11. Careiro da Várzea
    12. Coari
    13. Codajás
    14. Eirunepé
    15. Envira
    16. Fonte Boa
    17. Guajará
    18. Humaitá
    19. Ipixuna
    20. Itamarati
    21. Japurá
    22. Juruá
    23. Jutaí
    24. Lábrea
    25. Maraã
    26. Nhamundá
    27. Nova Olinda do Norte
    28. Novo Aripuanã
    29. Pauini
    30. Santo Antônio do Içá
    31. São Paulo de Olivença
    32. Tapauá
    33. Tefé
    34. Uarini

Fonte: Ponte Comunicações

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.