
O debate sobre o desenvolvimento do Amazonas costuma ficar preso à dualidade entre a preservação ambiental e a sobrevivência econômica da capital. Em entrevista ao podcast Amazonas em Pauta, promovido pela Fecomércio Amazonas, o pré-candidato ao governo e ex-prefeito de Manaus, David Almeida, trouxe para a mesa de discussões a urgência de remodelar a matriz econômica do estado.
O encontro, conduzido pelo presidente da entidade, Aderson Frota, e pelos diretores Roberto Tadros Júnior e Laemanuel Lemos, evidenciou que o futuro regional depende de ações que ultrapassem os limites do Distrito Industrial.
A iniciativa da federação empresarial em sabatinar os postulantes ao cargo majoritário atende a um pleito antigo do setor produtivo. O comércio e o segmento de serviços sustentam grande parte da arrecadação de impostos e figuram entre os maiores empregadores do território amazonense, demandando dos prefeituráveis e prefeiturados compromissos claros com a desburocratização e a segurança jurídica.
Fomento aos pequenos
Uma das principais teses defendidas pelo pré-candidato aborda a necessidade de pulverizar os investimentos públicos, estimulando a economia de subsistência e os negócios de pequeno porte que sustentam as famílias nas áreas periféricas e nos municípios do interior.
“O pequeno empreendedor movimenta a economia nos bairros, nas comunidades e nos municípios. Quando você apoia o barbeiro, a costureira, o pipoqueiro, o pequeno comerciante e quem empreende para sustentar sua família, você gera emprego, renda e desenvolvimento de forma imediata”, afirmou David Almeida.
A crítica central da plataforma de oposição foca na aplicação das ferramentas de fomento já existentes no orçamento estadual. Há um descontentamento generalizado entre microempreendedores quanto ao acesso real a linhas de crédito facilitadas.
David Almeida questionou a atual gestão do Fundo para Micro e Pequenas Empresas (FMPE), sinalizando que os recursos precisam ser blindados contra desvios de finalidade e direcionados exclusivamente para quem busca impulsionar a produtividade local.
Gargalo da BR-319
Nenhum plano de governo para o Norte do país é considerado completo sem que se discuta o isolamento terrestre da região. A pavimentação da BR-319 foi classificada pelo entrevistado como uma artéria vital para conectar o Amazonas aos grandes centros consumidores do Brasil.
- Redução expressiva no custo do frete de insumos e mercadorias.
- Aumento da competitividade dos produtos fabricados no polo industrial.
- Garantia de abastecimento seguro de alimentos e medicamentos para a população.
- Criação de uma rota alternativa de escoamento que independe das oscilações dos rios.
O posicionamento em defesa da rodovia é consensual entre a classe política amazonense, mas o grande desafio do futuro governante será articular junto aos órgãos ambientais federais a liberação das licenças sem que isso resulte no aumento do desmatamento ilegal. O discurso desenvolvimentista precisa vir acompanhado de metas severas de fiscalização para ganhar credibilidade em Brasília.
Eficiência na gestão
Ao analisar sua bagagem administrativa à frente da Prefeitura de Manaus e no período em que assumiu o governo interino, o pré-candidato utilizou o argumento da austeridade e do planejamento estratégico como credenciais para gerenciar a máquina pública estadual.
“Governar é estabelecer prioridades, fazer escolhas corretas e aplicar os recursos públicos onde eles geram resultados concretos para a população. Foi assim que trabalhamos in Manaus e é essa experiência que queremos colocar a serviço de todo o Amazonas”, concluído David Almeida.
O cenário que aguarda o próximo gestor do Executivo é de extrema complexidade fiscal, agravado pelas constantes ameaças fiscais sobre as vantagens competitivas da Zona Franca. O equilíbrio entre promessas de campanha, atração de novos investimentos para o interior e a manutenção dos serviços básicos de saúde e segurança pública será o verdadeiro teste de fogo para a liderança que assumir o comando do estado.
Fonte: ASCOM | Emanuelle Baires










