
O abandono estrutural na zona Norte de Manaus voltou a mobilizar os moradores neste fim de semana. Cerca de 600 cidadãos se reuniram no bairro Santa Etelvina na noite deste sábado (6/6) para cobrar melhorias urgentes e apresentar as principais carências da comunidade.
O encontro com a deputada estadual Débora Menezes serviu de palco para que lideranças, trabalhadores e famílias expressassem o descontentamento com a falta de investimentos na região, evidenciando que a eficiência das políticas públicas depende de ações concretas nas áreas mais distantes dos centros econômicos.
O raio X das demandas
O evento registrou uma diversidade de atores sociais que compõem o tecido vivo do bairro. Lideranças comunitárias, comerciantes locais, jovens e chefes de família aproveitaram o canal direto de comunicação para expor uma lista extensa de privações que comprometem a dignidade e o bem-estar da população.
Os relatos colhidos durante a noite convergiram para pontos críticos que necessitam de intervenção imediata dos órgãos competentes.
- Infraestrutura básica: cobrança massiva pela pavimentação de ruas tomadas por buracos e pela manutenção do saneamento básico nas áreas de maior vulnerabilidade.
- Segurança pública: relatos de medo diante da falta de patrulhamento ostensivo e da precariedade na iluminação pública, fatores que alimentam os índices de criminalidade na região.
- Mobilidade urbana: queixas sobre as dificuldades no transporte coletivo, que geram longos tempos de espera e atrasam o deslocamento dos trabalhadores.
- Emprego e renda: apelos pela criação de frentes de trabalho para pais de família e pela oferta de cursos de capacitação técnica que ofereçam horizontes profissionais para a juventude.
A presença necessária
A movimentação de parlamentares nas bases periféricas levanta uma reflexão importante sobre a engrenagem política no Amazonas. Afinal, a fiscalização os serviços urbanos e a cobrança por investimentos em saneamento não deveriam depender unicamente da realização de reuniões extraordinárias.
No entanto, diante da lentidão do Poder Executivo em mapear as necessidades da periferia, as audiências comunitárias tornam-se uma ferramenta de pressão necessária para dar voz aos esquecidos.
A deputada defendeu que a presença física nas comunidades é uma prioridade obrigatória para que os projetos de lei guardem relação com a realidade.
“Nosso mandato tem o compromisso de caminhar ao lado da população. Mais importante do que falar é ouvir. Cada família que está aqui conhece de perto os desafios da sua comunidade e é ouvindo essas pessoas que conseguimos construir soluções que realmente façam diferença na vida dos amazonenses”, afirmou Débora Menezes ao validar o clamor das famílias.
A cobrança por resoluções
A expressiva adesão popular ao encontro demonstra que o morador da zona Norte não aceita mais o papel de espectador passivo das deficiências de seu bairro. A população do Santa Etelvina é formada essencialmente por trabalhadores que cumprem seus deveres fiscais e exigem o retorno desses recursos em melhorias visíveis na porta de suas casas.
A união das famílias em busca de soluções coletivas sinaliza um amadurecimento social que os gestores públicos não podem ignorar.
O verdadeiro sucesso dessa iniciativa, contudo, não será medido pelo volume de pessoas presentes ou pelo tom dos discursos. A eficácia do diálogo dependerá da capacidade da parlamentar de transformar esse diagnóstico comunitário em requerimentos impositivos, emendas orçamentárias e cobranças rigorosas junto às secretarias municipais e estaduais.
Levar os relatórios para a Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALEAM) é o primeiro passo, mas o morador da ponta só sentirá a diferença quando as máquinas de pavimentação, as viaturas de polícia e os serviços de assistência social desembarcarem de fato nas ruas do bairro.
Fonte: ASCOM: Thiago Fernando










