Política Falta de áreas industriais trava expansão da Zona Franca e ameaça milhares...

Falta de áreas industriais trava expansão da Zona Franca e ameaça milhares de empregos em Manaus

Foto: Cleuton Silva/Dicom 

O futuro econômico de Manaus está diretamente ligado à capacidade de sua infraestrutura acompanhar o interesse dos investidores. Em uma reunião de trabalho liderada pela Frente Parlamentar em Defesa da Zona Franca de Manaus (FPZFM) na Câmara Municipal de Manaus (CMM), parlamentares debateram os gargalos que hoje impedem a expansão do Polo Industrial de Manaus (PIM). O debate joga luz sobre um paradoxo preocupante, existem empresas prontas para investir, mas falta chão para que as indústrias se instalem.

O encontro foi conduzido pelo vereador Rodrigo Sá (Progressistas) e contou com a participação dos vereadores Diego Afonso (União Brasil), Ivo Neto (Democrata), Paulo Tyrone (Democrata) e Zé Ricardo (PT). O grupo analisou dados técnicos trazidos pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e mapeou as barreiras burocráticas e estruturais que precisam ser superadas na revisão do Plano Diretor da capital amazonense.

Gargalo territorial

O dado mais alarmante do diagnóstico apresentado pelos parlamentares envolve a retenção de novos negócios por limitações geográficas e de planejamento urbano. A burocracia e a falta de lotes industriais regularizados criaram uma fila de espera que prejudica diretamente o trabalhador local.

“São mais de 200 empresas e indústrias com projetos aprovados que permitem a geração de milhares de empregos no Polo Industrial de Manaus, mas que não possuem espaço adequado para se instalar. Precisamos avançar na revisão do Plano Diretor e viabilizar novas áreas para que esses investimentos saiam do papel e gerem emprego e renda para a população”, afirmou Rodrigo Sá.

Essa escassez de terrenos adequados evidencia a urgência de uma atualização rigorosa no Plano Diretor de Manaus. Sem novas zonas industriais delimitadas e dotadas de segurança jurídica, os projetos aprovados correm o risco de migrar para outras regiões do país, esvaziando o potencial competitivo da Zona Franca de Manaus (ZFM).

Apagão profissional

Além do desafio territorial, a reunião expôs a necessidade de sintonizar a formação profissional dos cidadãos com as reais demandas do mercado de tecnologia e manufatura. O planejamento da Suframa aponta para um crescimento expressivo nas contratações caso os novos projetos consigam sair do papel.

  • Previsão de abertura de mais de seis mil novos postos de trabalho nos próximos anos.
  • Concentração de vagas em funções de nível técnico e superior.
  • Demanda focada nas áreas de engenharia e operações industriais complexas.

A grande crítica do setor produtivo reside no descompasso entre os currículos de formação atuais e as inovações tecnológicas adotadas pelas indústrias. A frente parlamentar defende que o município precisa agir como facilitador, criando parcerias céleres para capacitar o trabalhador local e garantir que essa vaga de alta remuneração seja ocupada por moradores de Manaus.

Infraestrutura precária

Outro obstáculo crônico debatido pelos vereadores é o estado de conservação do Distrito Industrial. O apelo por melhorias viárias e de saneamento básico não é novo, mas ganha contornos de urgência diante da necessidade de atrair capital estrangeiro e nacional.

“A prefeitura tem papel fundamental nesse processo, garantindo infraestrutura adequada, como asfalto, drenagem e limpeza pública. O nosso objetivo é que a audiência pública resulte em encaminhamentos concretos, com responsabilidades definidas para cada instituição envolvida, para que possamos avançar em soluções efetivas para a Zona Franca de Manaus”, ressaltou Rodrigo Sá.

A deterioração das vias públicas e as deficiências na coleta de resíduos e escoamento de águas pluviais aumentam o custo logístico das empresas instaladas. O poder público municipal se encontra sob cobrança para apresentar um cronograma efetivo de revitalização que dialogue com as propostas de expansão econômica.

Próximos passos

Para tentar transformar os debates em medidas práticas, a Frente Parlamentar agendou uma audiência pública para o mês de julho. O evento pretende colocar na mesma mesa representantes da Suframa, líderes do setor produtivo, entidades empresariais e secretarias municipais.

A expectativa da sociedade manauara é que o encontro evite discursos políticos genéricos e foque na construção de metas claras. O fortalecimento do modelo Zona Franca depende de respostas rápidas na modernização da legislação urbana, no investimento em infraestrutura de base e na qualificação profissional eficiente, garantindo a sustentabilidade econômica do Amazonas a longo prazo.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.